Melhoria Contínua: O que é? Como implementá-la?

16 de março de 2017
Última modificação: 29 de julho de 2021

Autor: Virgilio F. M. dos Santos
Categorias: Blog, Melhoria de Processos, Seis Sigma

O que é Melhoria Contínua?

Melhoria Contínua é uma prática adotada por diversas empresas que visa atingir, ininterruptamente, resultados cada vez melhores – sejam eles nos produtos e serviços da empresa, ou então em seus processos internos. A melhoria contínua pode ser atingida através de diversas metodologias e boas práticas organizacionais.

Durante as últimas décadas, especialmente a partir dos anos 1980 e 1990, o termo “melhoria contínua” passou a ser um mantra na maioria das organizações. Isso decorre, principalmente, do aumento da competição global entre as empresas, que forçou a geração de mais valor aos clientes de forma cada vez mais onerosa.

Neste post, abordaremos este tema apresentando um panorama dos vários caminhos possíveis para se atingir a Melhoria Contínua dentro de uma organização. Além disso, também discutiremos sobre aplicações e exemplos da melhoria contínua.

Melhoria Contínua: Como fazer?

Todos estamos cientes da necessidade por melhoria, mas como fazer ela acontecer de fato? Por onde começar? Para isso, alguns princípios básicos devem ser contemplados de forma a se atingir resultados cada vez melhores. Neste post, será apresentado brevemente cada um dos princípios, mas se você gostaria de se aprofundar sobre o assunto, disponibilizamos todos os seus detalhes em nosso curso grátis de White Belt. Confira:

Tenha foco no que você quer melhorar

A primeira ação a se fazer na busca pela melhoria contínua é entender o que você precisa melhorar. Se a minha empresa faz, por exemplo, batata frita, tenho que entender o que é uma boa batata frita. Afinal se eu, como dono da banquinha de batata frita, fico estudando e fazendo testes sobre como fazer cerveja, dificilmente vou me aperfeiçoar na arte da batata frita e agradar os meus clientes. Portanto, é preciso saber o que queremos melhorar.

Geralmente, pode-se melhorar dois elementos: os processos principais ou os secundários. O primeiro, também chamado de processos produtivos, são aqueles que estão ligados diretamente com o que fazemos: nosso core business. Por exemplo, fritar a batata frita para deixá-la crocante (e deliciosa) é um processo principal da banquinha de batata.

Mas, por outro lado, os processos secundários são aqueles que nem sempre estão ligados ao cerne do negócio, mas também são importantes em um cenário geral. Por exemplo, a limpeza do quiosque de batata frita é importante para o cliente – para evitar, inclusive, que ele vá embora pra jamais voltar.

Tendo compreendido esses os dois tipos de processos, você tem que detalhar quais são esses processos que devem ser melhorados. Para tanto, uma maneira excelente de focar a melhoria contínua no que importa é ouvir a voz do cliente, ou seja, perguntar-lhe do que ele gosta. Se o tempero da batata frita for mais importante do que sua crocância, deve-se focar mais em melhorar os processos de “temperar batata” e não de “fritar a batata”. Assim, saber o que o cliente quer evita a perda de tempo com melhorias não necessárias.

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Saiba como medir seu desempenho

Eu só melhoro o que eu consigo medir. Essa é uma verdade universal em melhoria contínua, no entanto, nem todos fazem isso da maneira certa.

Você já ouviu alguma vez em sua organização algo como “precisamos melhorar a nossa qualidade”? Certamente, essa é uma das frases mais ditas por aí. Entretanto ela é assustadoramente inútil. Isso mesmo: inútil. Porque não nos dá noção nenhuma do que precisamos fazer para melhorar, nem nos mostra o quão mal estamos hoje! Por isso:

É preciso ter uma métrica para definir qualidade. Para se obter sucesso em melhoria contínua, devemos saber onde estamospara onde vamos. Para isso, devemos desdobrar o que é qualidade e definir indicadores para medi-la. Por exemplo, podemos estimar nossa qualidade como o número de refugos produzidos na fábrica. Assim, podemos medir como estamos e estimar aonde queremos chegar.

Note que: a frase “reduzir o número de refugos de 10 por semana para 2 por semana” é algo que nos ajuda muito mais do que “melhorar a qualidade”.

Em nosso curso de Gestão de Processos vamos muito mais a fundo nesse assunto. Confira!

Padronização

Como diria um dos precursores do Lean Manufacturing, Taiichi Ohno: “não há melhoria se não há padrão“. Apesar de simples, essa é uma sábia frase.

Imagine a seguinte situação: você sempre faz um macarrão com molho vermelho de uma forma diferente das anteriores. Às vezes, usa um tomate grande, às vezes, pequenos; às vezes coloca 4 pitadas de sal e 1 de pimenta, às vezes, 4 de pimenta e 1 de sal. Assim, cada vez seu macarrão vai ficar com um gosto diferente! E se um dia ele ficar bom, você não vai conseguir repeti-lo! Mas, se você sempre segue uma receita, pode ir usando a sua criatividade para introduzir lhe mudanças e avaliar com mais objetividade se ela ficou melhor. Assim, cada tentativa bem sucedida poderá ser incorporada à nova receita. Seu macarrão estará, então, caminhando para a melhoria contínua.

No entanto, pensando no âmbito de uma organização, esse problema é muito mais complicado. Imagine que não é só você que faz o macarrão: existem mais 300 pessoas no seu restaurante fazendo o mesmo macarrão. Como chegar à excelência na receita? Resposta: é impossível!

Por isso, sempre padronize o que está querendo melhorar.

Domine ao menos uma técnica para por em prática a Melhoria Contínua

Supomos que eu tenha que melhorar o refugo de 10 por semana para 2 por semana. Mas por que o meu refugo é 10 e não 2? Simplesmente porque ainda não sei como fazê-lo ser dois (ou menos)! Ou seja, preciso aprender o que devo fazer, especificamente, para reduzir de 10 para 2 – e diversas técnicas nos ajudam a descobrir o que é preciso ser feito.

Dentre algumas das mais famosas constam: o Lean Manufacturing, o WCM, o Seis Sigma, o Lean Seis Sigma, as Ferramentas da Qualidade, o Controle Estatístico de Processos, o Modelo de Melhoria, etc.

Nós gostamos bastante do Modelo de Melhoria por ser simples e básico. Esse modelo indica que, para haver melhoria, é preciso haver mudança. Entretanto, mudanças nem sempre resultam em melhoria. Essa frase é bastante simples e profunda. O modelo continua:

Para que possamos bolar mudanças que vão gerar melhoria, precisamos responder 3 perguntas:

  1. O que queremos melhorar? (foco)
  2. Como saberemos que a nossa mudança foi uma melhoria? (indicadores, métricas)
  3. Que mudanças podemos fazer que vão gerar melhorias? (ações)”

Gostou? Discutimos mais sobre o modelo no curso de White Belt!

Obviamente, não podemos escrever um post sobre melhoria contínua sem falar sobre o Lean e sobre o Seis Sigma. Por isso, a seguir detalharemos um pouco mais sobre eles (o que são e quais as suas relações com melhoria contínua).

Melhoria Contínua e Lean

O Lean é um conjunto de princípios e técnicas para análise e melhoria de processos que surgiu com a ascensão industrial japonesa do pós-guerra. Ele está muito ligado ao TPS: Toyota Production System ou, em português, Sistema Toyota de Produção.

Mas o que o Lean tem a ver o Lean com melhoria contínua? Tudo! A filosofia prega que devemos sempre melhorar através da padronização disciplinada e do aprendizado a longo prazo. Segundo essa metodologia, denomina-se melhoria contínua como kaizen. Temos um curso grátis de Lean disponível, no qual explicamos cada um desses princípios, pode entre lá e aprender mais.

Em linhas gerais, o Lean prega que uma organização deve sempre encarar os problemas de maneira aberta. Além disso, que é bom que problemas aconteçam, pois eles são a base para podermos aprender mais como melhorar. O lean também defende que uma empresa deve ser extremamente enxuta e flexível, evitando desperdícios e tendo agilidade na troca de produtos. Assim, não deve perder tempo com linhas grandes, tempos de set-up demorados, nem com grandes lotes de produção, mas sim se manter do tamanho da necessidade do cliente.

Em outras palavras: uma empresa Lean faz o que o cliente quer, quando o cliente quer, na quantidade que o cliente quer. E nada mais.

Obviamente, chegar nisso não é rápido nem fácil. Até poque é preciso, além de uma série de mudanças culturais abstratas, mudanças mais práticas (como a adoção de kanbans e da produção puxada, bem como a utilização de técnicas de SMED).

Diversas ferramentas de melhoria contínua foram desenvolvidas junto com o Lean.

Seis Sigma e a Melhoria Contínua

O Seis Sigma, como o Lean, é um conjunto de princípios e técnicas para a implementação da melhoria contínua. A diferença é que ele se vale de diversas técnicas estatísticas de análise de dados para desenvolver as mudanças que vão gerar melhoria.

Embora as bases do Seis Sigma tenham vindo lá de trás (veja aqui a história da melhoria), com os ensinamentos de Deming e de outros gurus da qualidade, essa metodologia só ficou famosa durante as décadas de 1980 e 1990 com a sua aplicação na Motorola e na GE. De lá pra cá, diversas empresas vêm se valendo de suas poderosas ferramentas para melhorar seu desempenho.

Nesse sentido, a FM2S oferece cursos de Green Belt e de Black Belt, que são certificações para tornar qualquer tipo de profissionais em especialistas nessa metodologia.

Exemplos de Melhoria Contínua

Nós da FM2S respiramos melhoria contínua diariamente e temos vários exemplos que podem te ajudar a fazer a melhoria aí em sua empresa. Confira alguns materiais interessantes de cases de melhoria em diferentes contextos:

Em indústria de plásticos;

Indústria de embalagens;

Case de uma de nossas alunas sobre melhoria contínua:

 

Conclusão: não pare de se desenvolver!

Por fim, não fica difícil concluir que a Melhoria Contínua se trata de um esforço que provém das mais diversas direções. Para funcionar, a Melhoria Contínua requer desde o desenvolvimento intelectual e o conhecimento objetivo, até a capacidade de liderança e de trabalho em equipe. Assim sendo, para sanar todas essas necessidades, sugerimos fortemente que você conheça a Assinatura FM2S, que proporciona acesso a mais de 50 cursos das mais diversas frentes.

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2 Comentários

  • Ribamar disse:

    Tudo isso é importante mas,senão houver criatividade para melhorar o processo na prática acaba apenas se tornando um teatro empresarial que é até bonito de se ver, mas que não produz resultados eficientes na prática.
    Obs: mudanças em pequenos detalhes na produção, podem produzir resultados extraordinários na rentabilidade e no meio corporativo.

  • Raquel Bernardo Mesquita disse:

    Ribamar vc falou tudo! As vezes vira um teatro.. cheio de palavras americanizadas, pessoas que se quer conhecem a produção e definem novos processos mirabolantes e caros… enquanto a equipe da produção luta para conseguir ajustar o básico!

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