WCM – O que é? Como aplicar? Como implantar na empresa?

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09 de maio de 2017
Última modificação: 27 de julho de 2021

Autor: Virgilio F. M. dos Santos
Categorias: Blog, Melhoria de Processos

WCM – World Class Manufacturing é uma metodologia de melhoria de processos, incluída no contexto do Lean – a produção enxuta. Ela foi desenvolvida pela Fiat e por seus parceiros, bem como professores de grandes universidades do mundo, como a Universidade de Kyoto, no Japão, em 2005.

O que é WCM?

O WCM, em essência, é um programa de excelência operacional que rapidamente foi estendido a todas as companhias do grupo Fiat: Maserati, Lancia, Alfa Romeo, Case (máquinas agrícolas), New Holland (tratores), Iveco (caminhões), etc. Atualmente, o WCM é utilizado nos mais diversos setores, sendo que 12 grandes companhias transportadoras do mundo reportam o uso desta metodologia, bem como empresas tão diversas como Royal Mail (correios), Unilever e Barilla.

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No que consiste um programa WCM?

Um programa WCM é baseado em 10 pilares técnicos e 10 pilares gerenciais.

Os 10 pilares técnicos são:

  1. Segurança ocupacional;
  2. Distribuição dos custos;
  3. Foco em melhoria;
  4. Manutenção autônoma e organização do espaço de trabalho;
  5. Manutenção do quadro de profissionais da empresa;
  6. Controle de qualidade;
  7. Serviço logístico e de atendimento ao consumidor;
  8. Gerenciamento dos equipamentos;
  9. Desenvolvimento dos profissionais;
  10. Preservação do meio ambiente e economia de energia.

Por sua vez, os 10 pilares gerenciais são:

  1. Comprometimento da gerência;
  2. Definição de objetivos claros;
  3. Criação de um “mapa de rotas” do WCM;
  4. Alocação de pessoal altamente qualificado em áreas que servirão como modelo;
  5. Comprometimento da organização como um todo;
  6. Busca da competência organizacional através da melhoria contínua;
  7. Tempo e recursos financeiros;
  8. Nível de detalhamento;
  9. Nível de expansão;
  10. Motivação dos operadores.

No que consiste o pilar de distribuição de custos?

Este pilar é baseado em uma técnica de 7 passos para identificar cada um dos custos relacionados às perdas e aos desperdícios que ocorrem na fábrica. Assim, a utilização desta técnica e a adoção deste pilar permitem decidir de forma racional quais desperdícios atacar e como distribuir os custos da maneira mais eficiente possível, visando à melhoria do ambiente operacional.

Para que possa ser feito da melhor maneira possível e para que você possa mostrar os resultados da forma mais completa, eliminando o ceticismo com a metodologia e conseguindo o máximo possível de seguidores para ela, é importante que você tenha em sua equipe profissionais de contabilidade e finanças, além de, claro, profissionais da parte operacional da fábrica. Assim, você poderá registrar os ganhos econômicos da forma mais rápida, eficiente e precisa possível, revelando a todos o quão útil é a metodologia.

Qual a importância de se criar uma área modelo?

A criação de uma área modelo na organização, um dos pilares do WCM, é importante porque toda mudança começa por ela, que será utilizada como um “projeto-piloto”, um primeiro ambiente no qual os princípios do WCM e da melhoria organizacional serão implementados e mostrados para toda a organização – ou seja, é extremamente importante para o processo de convencimento.

Um exemplo simples de como aplicar: pegue a pior máquina da sua fábrica, aquela que gera produtos com o pior índice de atendimento às condições de especificação. Esta será a primeira máquina na qual será aplicado o pilar da manutenção autônoma e vários dos princípios e técnicas do Lean e da melhoria contínua. À medida que forem surgindo resultados positivos, esta máquina será seu exemplo vivo de como a metodologia é útil e quais as vantagens em aplicá-la.

Você terá realizado um investimento mínimo, já que uma única máquina demanda menos custos que a fábrica inteira e mobiliza menos funcionários. Além disso, sendo a pior máquina, é mais provável que haja desejo dos próprios funcionários em melhorá-la, já que os maus resultados podem impactar suas respectivas carreiras. Por ser uma unidade pequena, é mais fácil para você alocar, por certo período de tempo, seus profissionais mais capacitados, que terão mais facilidade e competência para aplicar a metodologia, garantindo melhores resultados e de forma mais rápida.

A partir da área ou da unidade modelo, você terá uma lista de aprendizados obtidos e documentados, bem como um conjunto de melhores práticas a ser propagadas por toda organização. Afinal, você terá sido capaz de transformar uma fonte de prejuízos e de desconforto para a organização em um modelo a ser seguido pelas outras áreas.

O WCM pode reverter uma situação difícil em uma empresa?

Durante a crise financeira que atingiu o mundo ao fim da primeira década dos anos 2000, a Fiat adquiriu, no ano de 2009, o controle acionário da Chrysler, naquele momento em grave situação financeira, e implementou o programa WCM.

A adoção do programa WCM resultou em uma verdadeira mudança cultural, sendo que as empresas que decidem aderir à Associação WCM, espalhada pelo mundo todo, têm acesso a um benchmark de classe mundial, fornecido pelas outras companhias que participam do programa. Mais de 166 fábricas espalhadas por 16 países participam ativamente do programa, sendo que 30 delas pertencem à Chrysler e outras 45 pertencem ao grupo Fiat.

O resultado foi tão expressivo em termos de melhoria de cenários econômico e operacional, que foi criado um enorme programa sob liderança da alta gerência mundial. O vice-presidente das operações de montagem de veículos e chefe do programa WCM na Chrysler, Mauro Pino, ressalta a importância que o WCM apresenta com relação ao objetivo de alcançar a excelência mundial na atividade de manufatura dos veículos, e resume:

“WCM é como nós fazemos nosso trabalho. Ponto final.”

Por fim, é importante destacar que a Chrysler reverteu seu quadro adotando um foco em educação e buscando alvos bastante claros: desperdício zero, zero defeitos, zero quebras e estoque zero. Para isso, a empresa criou até mesmo uma escola, World Class Manufacturing Academy. Surgiu com a função de fornecer treinamento, educação e capacitação a seu quadro de profissionais.

Percebe-se como o WCM é uma metodologia com potencial para reverter dificuldades, mas é necessário ter seriedade e comprometimento, já que, tal como toda a metodologia Lean, envolve a adoção não só de boas práticas, mas de uma nova filosofia bem como uma mudança de visão organizacional. É preciso, portanto, paciência, resiliência e persistência, mas que com certeza serão recompensadas!

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O que se entende por um competidor de classe-mundial?

Significa ter sucesso em seu mercado de atuação, independente de quem sejam seus concorrentes. Podem ser maiores, de outros países ou possuir diferentes recursos. Até porque quem é classe-mundial conseguirá surpreender seus concorrentes pela sua qualidade, lead time, flexibilidade, relação custo-benefício, serviço ao cliente e inovação. Ser classe-mundial lhe dará a certeza de que você estará no controle e que seus concorrentes devem ralar para chegar perto do seu sucesso.

Para dominar esta metodologia, sugerimos começar pelo Green Belt e pelo Lean, que foram as bases para criação deste corpo de conhecimento.

E como se tornar uma empresa de classe-mundial?

Por meio do direcionamento dos seus recursos para a melhoria continua. Para alcançar a classe-mundial, a empresa deverá mudar seus processos e conceitos, transformando suas relações entre os fornecedores, compradores, produtores e clientes.  Neste sentido, a automação e os projetos de melhoria são indispensáveis para ganhar “market share”, operar no pico de eficiência e superar as expectativas dos clientes. Mercado crescendo, eficiência no pico e clientes encantados serão as três recompensas básicas para aquelas empresas que chegarem ao WCM.

E como viver em uma cidade Classe Mundial?

Agora, gostaria de falar sobre a qualidade de vida. Afinal, como medimos qualidade de vida? Índice de Desenvolvimento Humano, este é o nome dado ao principal indicador de controle para medirmos a qualidade de vida. Com início em 1991 e última edição em 2010, este índice nos permite analisar a qualidade de uma cidade, por meio da comparação de todos os indicadores de verificação que o compõem. Para este estudo, vou escolher minha cidade natal para a exploração dos dados – Rio Claro/SP.

Como primeiro indicador de verificação, escolho a renda per capta. Em 1991, a renda per capta do município era de R$ 671,06 e hoje, vinte anos depois, é R$ 1.049,16. Crescimento de 56,34% em duas décadas. Só para comparação, o poder de compra de R$ 671,00 em janeiro de 1995 seria o equivalente, em 2010, a R$ 2.751,86, corrigindo pelo IGP-M. No entanto, apesar do aumento na renda da cidade, podemos dizer que a população está mais pobre do que antes, mesmo com os indicadores de extrema pobreza sendo reduzidos.

Como ter um Educação WCM?

E a educação? Como é medida? Por meio de uma análise do % de escolaridade da população. Aqui, não estou falando se a população tem Green Belt ou pós-graduação, mas sim se a população possui a formação básica ou não. Na cidade, a taxa de analfabetismo caiu de 9,4% em 1991 para 4,2% em 2010. Foram 20 anos para a redução desta terrível taxa pela metade, o que não é digno de comemoração. Quando olhamos para o superior completo, a taxa saltou de 8,5% para 16,2%, dobrando em 20 anos, muito devido aos financiamentos e as escolas particulares.

Assim, fica claro que o IDH pode ser o caminho para “Excelência Operacional” da prefeitura, tendo estes indicadores de verificação dentro de seus pilares. Imaginem, portanto, o sucesso de uma gestão em que o prefeito e sua equipe tivessem como objetivo melhorar o IDH do município, por meio de melhorias nos seguintes pilares: Demografia e Saúde, Educação, Renda, Trabalho, Habitação e Vulnerabilidade Social.

Para implantar a excelência no município, a equipe de gestão tem de ser capaz de elaborar vários projetos cujos objetivos sejam alcançar estes indicadores. E, a boa gestão irá propiciar uma grande sinergia entre os projetos, com o aumento na escolaridade sendo atrelado a uma melhor relação entre emprego e renda. Com a saúde sendo conectada a melhores moradias, e ambas reduzindo a vulnerabilidade social.

Um prefeito deve ter como objetivo a Excelência Operacional de sua cidade. Este sonho só será possível por meio de uma excelente malha de projetos de melhoria. Com objetivos, mensurados por indicadores e trabalhados por meio de um método, o sucesso da cidade será fato consumado em menos de 4 anos.

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