Taylorismo e Fordismo

09 de maio de 2022
Última modificação: 09 de maio de 2022

Autor: Augusto Fontoura
Categorias: Melhoria de Processos

O Taylorismo e Fordismo são dois sistemas de produção que tiveram grande influência na sociedade da época e, na verdade, influencia até hoje. Entender sobre esses dois conceitos é muito mais do que saber suas características fundamentais. 

Será que isso é aplicado até hoje? Qual é a diferença entre sistemas? E mais: onde o Toyotismo entra nisso tudo? Essas são perguntas que serão respondidas ao decorrer deste e-book

De modo geral, Taylorismo e Fordismo são sistemas de produção relativamente parecidos, mas bem distintos do Toyotismo. Será que algum deles ainda vigora no mundo? Acompanhe e entenda melhor sobre o assunto. 

O que é Taylorismo, Fordismo e Toyotismo

Para entender melhor sobre Taylorismo e Fordismo, bem como suas respectivas influências da sociedade, o caminho mais fácil é olhar para cada um individualmente.

Além dessas duas formas de produção, trazemos também o Toyotismo para elucidar melhor a diferença entre eles:

Taylorismo

Começando com Taylorismo, o sistema foi desenvolvido por Frederick Winslow Taylor e tem por objetivo principal a racionalização do trabalho, trazendo maior lucro para a indústria. 

Os processos para desenvolver um produto eram bem divididos, de modo a diminuir (em questão de complexidade) a tarefa de cada um. A produtividade era fundamental e cada funcionário tinha o seu tempo cronometrado. 

As características principais deste sistema de produção eram as seguintes:

  • Aumento da produtividade
  • Divisão do trabalho em tarefas bem pequenas 
  • Trabalho cronometrado
  • Não era padronizado
  • Funcionário ganhava de acordo com a produção
  • Grande nível de subordinação

Fordismo

Criado por Henry Ford, o Fordismo foi desenvolvido com o objetivo de melhorar o Taylorismo

O principal objetivo era a produção em massa, de modo que fosse ainda maior do que o modelo anterior. A forma de atingir esse objetivo era apostando na padronização da produção. 

Além disso, neste modelo foram adotadas as esteiras, que promoviam enormes linhas de produção. Isso tornava o trabalho ainda mais dinâmico do que no Taylorismo. Dentre as principais características do Fordismo, temos:

  • Produção em grande escala
  • Padronização dos produtos
  • Uso de esteiras para as linhas de montagem
  • Ritmo de trabalho ainda mais dinâmico
  • Processo dividido em pequenas tarefas
  • Redução dos custos

Como você pôde notar, Taylorismo e Fordismo são bem parecidos na sua essência. 

Toyotismo

Na contramão, desenvolvido por Taiichi Ohno, na empresa Toyota, foi criado o Toyotismo. O famoso modelo conhecido como Just in Time, ou seja “apenas no tempo”, que queria se referir a uma produção de acordo com a demanda atual.

Isso ia totalmente contra o que estava sendo feito anteriormente, que era um esquema de alta produtividade e muito estoque. Veja as principais características do Toyotismo:

  • Sem atraso por conta de problemas na linha
  • Autonomia
  • Sem defeito nos produtos 
  • Funcionários com várias tarefas variadas
  • Sem estoque
  • Prioridade para o trabalho em grupo
  • Redução de desperdícios
  • Produção diversificada
  • Organização de trabalho horizontal
  • Maior complexidade das etapas por funcionário 

Ou seja, foi um modelo muito inovador e que rompeu com aquilo que vinha sendo praticado nas linhas de produção.

Com o Toyotismo foi possível obter alta lucratividade, mas com menor estoque e com produtos de maior qualidade. 

Além disso, preza por um trabalho em grupo, pois os próprios funcionários organizaram seus devidos setores. Isso também ajudava a manter a qualidade dos produtos, além de promover melhoria contínua. 

Sendo assim, o Toyotismo é bem distinto do Taylorismo e Fordismo citados anteriormente. 

Qual a diferença entre Fordismo e Taylorismo

Fica evidente a diferença entre o Toyotismo e os outros dois meios de produção, mas e entre Taylorismo e Fordismo? Qual é a real diferença entre eles?

A maior diferença entre esses dois sistemas é que no Fordismo é a forma de bonificação do operário. No caso do Taylorismo, havia uma bonificação pela produção. 

Ou seja, quanto mais ele produzia, mais ele ganhava. Isso não acontecia no Fordismo, pois o que ditava o ritmo era uma máquina (esteira), sendo assim, a produção tinha que ocorrer. 

Além disso, no Fordismo as funções de cada operário eram ainda mais superficiais, não exigindo qualquer treinamento por parte da indústria. Era apenas seguir a linha de montagem e produzir.

A crise do Fordismo e Taylorismo

O Taylorismo e Fordismo tiveram o seu ápice, mas o modelo produtivo não se sustentou por muito tempo e isso se deve a diversas razões. 

Na década de 70 houve fatores econômicos que levaram esses dois modelos praticamente à extinção. Veja quais foram os gatilhos para a crise:

Estoques lotados

Dentre os motivos mais marcantes, temos a própria consequência do modelo do Taylorismo e Fordismo

Como seu objetivo era produção em massa e alto volume de estoque, não houve demanda suficiente para atender tudo isso. Ou seja, os produtos ficaram parados. Havia produção, mas não havia venda.

Necessidade de produtos diversificados

Outra característica do Taylorismo e Fordismo era justamente a padronização da produção. 

Entretanto, com a expansão do mercado e a globalização houve a necessidade de coisas diversificadas, algo que esses sistemas não conseguiam atender.

Desenvolvimento tecnológico

O desenvolvimento tecnológico de outros meios de produção, como é o caso do próprio Toyotismo, fez com que o Fordismo perdesse lugar no mercado.

Maior pressão sindical

Ambos os sistemas eram extremamente exploratórios. A classe proletária do século XIX trabalhava em péssimas condições.

Os operários começaram a se unir e pressionar as indústrias por melhores condições. 

A economia no Fordismo, Taylorismo e Toyotismo

O Taylorismo e Fordismo tiveram seu ápice muito pelo incentivo de governos, mas não era um sistema eficiente quanto à questão de oferta e demanda.

O lucro desses sistemas se dava muito pela exploração da mão de obra. Com a globalização e necessidade de melhores produtos, esses meios de produção não conseguiram se sustentar. 

A economia também vinha muito fragilizada após a 2ª Guerra Mundial e não havia muito espaço para desperdícios (que era algo característico de ambos os sistemas).

A economia da época necessitava de algo que atendesse às demandas com maior qualidade e tecnologia. Eis que o Toyotismo ganha força e promove grande influência na economia de todo o mundo. 

A indústria no mundo atual Fordismo, Taylorismo e Toyotismo

Depois de tudo o que foi dito, você acha que o Taylorismo e Fordismo têm espaço na indústria atual? A resposta, como você mesmo já deve ter imaginado, é “não”.

Estamos vivendo em uma época de alta tecnologia, onde novos recursos e ferramentas são desenvolvidos a cada dia.

Desenvolver uma linha de produção rígida, estagnada e que prevê altos volumes de estoque não conversa com as necessidades do mundo do século XXI.

A ideia do Toyotismo, por isso vez, se mantém bastante no que vemos hoje. As indústrias e empresas produzem a partir de demanda, considerando estudo de mercado.

Inclusive, há muitas corporações que só realizam a produção a partir de um pedido prévio. 

E, claro, tudo isso considerando as Leis Trabalhistas e o bem-estar dos operários, coisa que não era levada em conta no século passado. 

Enfim, essas são as principais diferenças entre Toyotismo, Taylorismo e Fordismo. Esses sistemas vão muito além de uma forma de produção, eles ditavam a sociedade como um todo.

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