Taylorismo-Fordismo
Melhoria de Processos

09 de maio de 2022

Última atualização: 22 de maio de 2023

Taylorismo e Fordismo

O taylorismo e o fordismo são conceitos importantes na história da administração e da produção industrial. Ambos surgiram durante a Segunda Revolução Industrial e tiveram um impacto significativo na forma como as empresas eram gerenciadas e as mercadorias eram produzidas. 

O taylorismo, criado por Frederick Winslow Taylor, enfatizou a maximização da eficiência através da divisão do trabalho e da especialização de tarefas. Já o fordismo, baseado nas ideias de Henry Ford, destacou a produção em massa e a redução da jornada de trabalho e de custos para tornar os produtos acessíveis a uma ampla gama de consumidores.

Neste artigo, vamos explorar mais a fundo o que são o taylorismo e o fordismo, suas críticas, princípios e impactos na indústria e na sociedade.

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O que é Taylorismo, Fordismo e Toyotismo

Para entender melhor sobre Taylorismo e Fordismo, bem como suas respectivas influências da sociedade, o caminho mais fácil é olhar para cada um individualmente. Além dessas duas formas no processo de produção, trazemos também o Toyotismo para elucidar melhor a diferença entre eles:

Taylorismo

Começando com Taylorismo, o sistema foi desenvolvido pelo engenheiro norte-americano Frederick Taylor e tem por objetivo principal a racionalização do trabalho, trazendo maior lucro para a indústria.  Os processos produtivos eram bem divididos, de modo a diminuir (em questão de complexidade) a tarefa de cada um. A produtividade era fundamental e cada funcionário tinha o seu tempo cronometrado. 

Princípios do Taylorismo

Divisão do trabalho

Um dos pontos mais importantes do taylorismo é a divisão do trabalho, ou seja, a separação das tarefas em partes menores e especializadas. Isso permite que cada trabalhador se torne altamente habilidoso em sua função específica, o que, por sua vez, aumenta a eficiência e a produtividade.

Especialização de tarefas

A especialização de tarefas é outro princípio importante do taylorismo. Cada trabalhador é treinado para realizar uma tarefa específica e repetitiva, o que permite que eles se tornem altamente habilidosos e eficientes na realização dessa tarefa.

Análise científica do trabalho

O taylorismo enfatiza a análise científica do trabalho, ou seja, o uso de métodos científicos para identificar as melhores formas de realizar uma tarefa. Isso inclui a identificação dos melhores movimentos, ferramentas e métodos para realizar uma tarefa de forma mais eficiente.

Treinamento e supervisão rigorosos

O taylorismo enfatiza a necessidade de treinamento e supervisão rigorosos para garantir que os trabalhadores sigam os princípios e métodos identificados pela análise científica do trabalho.

Remuneração baseada em desempenho

Outro princípio importante do taylorismo é a remuneração baseada em desempenho, ou seja, o pagamento de salários e bonificações aos trabalhadores com base em sua eficiência e produtividade.

Fordismo

Criado por Henry Ford, o Fordismo foi desenvolvido com o objetivo de melhorar o Taylorismo.  O principal objetivo era aumentar a produção em massa, de modo que fosse ainda maior do que o modelo anterior. A forma de atingir esse objetivo era apostando na padronização da produção.  

Além disso, neste modelo foram adotadas as esteiras, que promoviam enormes linhas de produção. Isso tornava o trabalho ainda mais dinâmico do que no Taylorismo. Dentre as principais características do Fordismo, temos:

  • Produção em grande escala
  • Padronização dos produtos
  • Uso de esteiras para as linhas de montagem
  • Ritmo de trabalho ainda mais dinâmico
  • Processo dividido em pequenas tarefas
  • Redução dos custos

Como você pôde notar, Taylorismo e Fordismo são bem parecidos na sua essência. 

Toyotismo

Na contramão, desenvolvido por Taiichi Ohno, na empresa Toyota, foi criado o Toyotismo. O famoso modelo conhecido como Just in Time, ou seja “apenas no tempo”, que queria se referir a uma produção de acordo com a demanda atual. Isso ia totalmente contra o que estava sendo feito anteriormente, que era um esquema de alta produtividade e muito estoque. Veja as principais características do Toyotismo:

  • Sem atraso por conta de problemas na linha
  • Autonomia
  • Sem defeito nos produtos 
  • Funcionários com várias tarefas variadas
  • Sem estoque
  • Prioridade para o trabalho em grupo
  • Redução de desperdícios
  • Produção diversificada
  • Organização de trabalho horizontal
  • Maior complexidade das etapas por funcionário 

Ou seja, foi um modelo muito inovador e que rompeu com aquilo que vinha sendo praticado nas linhas de produção. Com o Toyotismo foi possível obter alta lucratividade, mas com menor estoque e com produtos de maior qualidade.  

Além disso, preza por um trabalho em grupo, pois os próprios funcionários organizaram seus devidos setores. Isso também ajudava a manter a qualidade dos produtos, além de promover melhoria contínua.  Sendo assim, o Toyotismo é bem distinto do Taylorismo e Fordismo citados anteriormente. 

Qual a diferença entre Fordismo e Taylorismo

Fica evidente a diferença entre o Toyotismo e os outros dois meios de produção, mas e entre Taylorismo e Fordismo? Qual é a real diferença entre eles? A maior diferença entre esses dois sistemas é que no Fordismo é a forma de bonificação do operário. No caso do Taylorismo, havia uma bonificação pela produção. 

Ou seja, quanto mais ele produzia, mais ele ganhava. Isso não acontecia no Fordismo, pois o que ditava o ritmo era uma máquina (esteira), sendo assim, a produção tinha que ocorrer.  Além disso, no Fordismo as funções de cada operário eram ainda mais superficiais, não exigindo qualquer treinamento por parte da indústria. Era apenas seguir a linha de montagem e produzir.

A economia no Fordismo, Taylorismo e Toyotismo

Taylorismo e Fordismo tiveram seu ápice muito pelo incentivo de governos, mas não era um sistema eficiente quanto à questão de oferta e demanda. O lucro desses sistemas se dava muito pela exploração da mão de obra. 

Com a globalização e necessidade de melhores produtos, esses meios de produção não conseguiram se sustentar.  A economia também vinha muito fragilizada após a 2ª Guerra Mundial e não havia muito espaço para desperdícios (que era algo característico de ambos os sistemas). 

A economia da época necessitava de algo que atendesse às demandas com maior qualidade e tecnologia. Eis que o Toyotismo ganha força e promove grande influência na economia de todo o mundo. 

A indústria no mundo atual Fordismo, Taylorismo e Toyotismo

Depois de tudo o que foi dito, você acha que o Taylorismo e Fordismo têm espaço na indústria atual? A resposta, como você mesmo já deve ter imaginado, é “não”. Estamos vivendo em uma época de alta tecnologia, onde novos recursos e ferramentas são desenvolvidos a cada dia.

Desenvolver uma linha de produção rígida, estagnada e que prevê altos volumes de estoque não conversa com as necessidades do mundo do século XXI. A ideia do Toyotismo, por isso vez, se mantém bastante no que vemos hoje. 

As indústrias e empresas produzem a partir de demanda, considerando estudo de mercado. Inclusive, há muitas corporações que só realizam a produção a partir de um pedido prévio.  E, claro, tudo isso considerando as Leis Trabalhistas e o bem-estar dos operários, coisa que não era levada em conta no século passado.  

Impacto do Taylorismo e do Fordismo

Aumento da eficiência e da produtividade 

O Taylorismo e o Fordismo levaram a um aumento na eficiência e na produtividade no local de trabalho, o que permitiu a produção em massa de bens a preços mais baixos. Isso tornou possível para as pessoas comuns terem acesso a bens que antes eram considerados de luxo.

Padronização da produção

O Taylorismo e o Fordismo enfatizavam a padronização da produção, ou seja, a produção de bens de forma uniforme e repetitiva. Isso permitiu que os fabricantes produzissem bens em massa a preços mais baixos e aumentou a qualidade dos bens produzidos.

Crescimento da economia industrial 

O Taylorismo e o Fordismo foram importantes para o crescimento da economia industrial no início do século XX. Aumentaram a eficiência e a produtividade, o que permitiu às empresas produzir mais bens em menos tempo e a um custo menor, o que por sua vez impulsionou o crescimento econômico.

Mudanças nas relações de trabalho

O Taylorismo e o Fordismo também tiveram um impacto significativo nas relações de trabalho. Enfatizavam a especialização de tarefas e a divisão do trabalho, o que significava que muitos trabalhadores passavam a realizar tarefas repetitivas e monótonas. Além disso, o treinamento e a supervisão rigorosas e a remuneração baseada em desempenho poderiam ser vistos como restritivos e desumanos.

Impacto na qualidade de vida

Embora o Taylorismo e o Fordismo tenham aumentado a eficiência e a produtividade e tenham sido importantes para o crescimento econômico, eles também tiveram um impacto negativo na qualidade de vida de muitos trabalhadores. As tarefas repetitivas e monótonas, juntamente das condições de trabalho rigorosas, podem levar a problemas de saúde física e mental.

As críticas ao Taylorismo e Fordismo

Despersonalização do trabalho

O enfoque no aumento da eficiência e da produção em massa levou à despersonalização do trabalho, com os trabalhadores sendo vistos como peças de uma máquina em vez de indivíduos. Isso pode levar a uma sensação de alienação e falta de satisfação no trabalho.

Redução da criatividade

O enfoque no aumento da eficiência pode levar à redução da criatividade e da inovação, já que os trabalhadores são incentivados a seguir estritamente as rotinas estabelecidas.

Competição entre os trabalhadores

A remuneração baseada em desempenho pode levar a uma competição acirrada entre os trabalhadores, o que pode prejudicar a colaboração e o trabalho em equipe.

Exaustão física e mental

O ritmo intenso de trabalho imposto pelo Taylorismo e pelo Fordismo pode ser exaustivo tanto fisicamente quanto mentalmente, levando a problemas de saúde e ao esgotamento dos trabalhadores.

Desigualdade social

Embora o Taylorismo e o Fordismo tenham trazido melhorias para alguns, eles também ampliaram a desigualdade social, já que os trabalhadores mais pobres eram submetidos a condições de trabalho precárias e mal remuneradas.

A crise do Fordismo e Taylorismo

Taylorismo e Fordismo tiveram o seu ápice, mas o modelo produtivo não se sustentou por muito tempo e isso se deve a diversas razões.  Na década de 70 houve fatores econômicos que levaram esses dois modelos praticamente à extinção. Veja quais foram os gatilhos para a crise:

Estoques lotados

Dentre os motivos mais marcantes, temos a própria consequência do modelo do Taylorismo e Fordismo.  Como seu objetivo era produção em massa e alto volume de estoque, não houve demanda suficiente para atender tudo isso. Ou seja, os produtos ficaram parados. Havia produção, mas não havia venda.

Necessidade de produtos diversificados

Outra característica do Taylorismo e Fordismo era justamente a padronização da produção.  Entretanto, com a expansão do mercado e a globalização houve a necessidade de coisas diversificadas, algo que esses sistemas não conseguiam atender.

Desenvolvimento tecnológico

O desenvolvimento tecnológico de outros meios de produção, como é o caso do próprio Toyotismo, fez com que o Fordismo perdesse lugar no mercado.

Maior pressão sindical

Ambos os sistemas eram extremamente exploratórios. A classe proletária do século XIX trabalhava em péssimas condições. Os operários começaram a se unir e pressionar as indústrias por melhores condições. 

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Augusto Fontoura

Augusto Fontoura

Estudante de Engenharia de materiais na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), atua no setor de marketing da FM2S