O que é cross docking e como implementar essa estratégia de logística?

Cross Docking
03 de dezembro de 2017
Última modificação: 03 de dezembro de 2017

Autor: Virgilio Marques Dos Santos
Categorias: Blog

A velocidade e a produtividade de uma cadeia de suprimentos tornaram-se um importante fator de crescimento para as organizações. Nesse sentido, Cross docking é uma das estratégias que podem ser implementadas para ajudar a alcançar uma vantagem competitiva. Quando implementado adequadamente e nas condições corretas, o cross docking pode fornecer melhoras significativas na eficiência e eficácia e nos tempos de manuseio, garantindo maior agilidade na distribuição e entrega sem gastar espaço físico com estoque. Neste artigo você vai conferir o que é cross docking e seus benefícios, além de como implementar esse sistema na sua empresa.

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Cross docking: o que é?

Cross docking é um modelo logístico que otimiza a cadeia de suprimentos, eliminando ou reduzindo consideravelmente o tempo de armazenamento, pois as mercadorias não são armazenadas após o descarregamento, mas sim preparadas e enviadas quase que diretamente aos clientes. O ‘cross docking’ surgiu a partir do processo de recebimento de produtos por meio de docas navais de entrada e que, em seguida, eram transferidos para a doca de saída. Em sua tradução literal, “cross docking” significa “cruzar docas”.

Essencialmente, o cross-docking remove o elo de “armazenamento” da cadeia de suprimentos.

Uma operação especial de terminal de carga é o cross docking, uma estratégia de logística usada por empresas em diferentes setores para transferir remessas de produtos que chegam diretamente para veículos de saída, sem armazenar mercadorias significativamente entre eles. Reboques ou caminhões de entrada trazem produtos de fornecedores, que são descarregados, movidos pelo terminal e finalmente carregados em caminhões de saída, que saem imediatamente do terminal para entregar a carga aos seus destinos finais na rede de distribuição (Boysen & Fliedner, 2010).

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Quais os tipos de cross docking?

Há uma série de cenários de cross docking que estão disponíveis para o gerenciamento de armazém. As empresas usarão o tipo de cross docking que é aplicável ao tipo de produtos que eles estão enviando. São eles:

  • Manufacturing Cross Docking – Este procedimento envolve o recebimento de produtos comprados e recebidos que são exigidos pela fabricação. O armazém pode receber os produtos e preparar subconjuntos para as ordens de produção.
  • Distribuidor Cross Docking – Este processo consolida os produtos de entrada de diferentes fornecedores em um palete de produtos mistos, que é entregue ao cliente quando o item final é recebido. Por exemplo, distribuidores de peças de computador podem fornecer seus componentes de vários fornecedores e combiná-los em uma única remessa para o cliente.
  • Transporte Cross Docking – Esta operação combina embarques de vários operadores logísticos diferentes no frete rodoviário e pequenas embalagens para obter economias de escala.
  • Cross docking de varejo – Este processo envolve o recebimento de produtos de vários fornecedores e a triagem em caminhões de saída para várias lojas de varejo. Este método foi usado pelo Wal-Mart na década de 1980. Eles comprariam dois tipos de produtos, itens que eles vendem todos os dias do ano, chamados de estoque básico e grandes quantidades de produtos que são comprados uma vez e vendidos pelas lojas e que normalmente não são abastecidos novamente. Este segundo tipo de aquisição é chamado de frete direto e o Wal-Mart minimiza os custos operacionais de estoque com frete direto, usando cross docking e mantendo-o no armazém pelo menor tempo possível.
  • Cross docking oportunista – Isso pode ser usado em qualquer armazém, transferindo um produto diretamente da doca de recebimento de mercadorias para a doca de embarque de saída para atender a uma demanda conhecida, ou seja, uma ordem de venda do cliente.

Quando mudar minha estratégia para o cross docking?

Os maiores desafios em e-commerces se dão justamente após o cliente efetuar a compra. Esse desafio consiste em deixar o cliente feliz e satisfeito e isso é feito através da jornada do produto. Porém, mesmo sendo uma ótima alternativa aos métodos tradicionais de envio, a implementação de um cross docking demanda um bom investimento.

Existem inúmeros fatores que precisam ser considerados ao tomar uma decisão de implementar cross docking em uma organização. Toda organização tem suas prioridades em termos de custos, espaço de armazém, especificidades geográficas e tipos de produtos. Portanto, as vantagens e desvantagens de implementá-lo em sua cadeia de fornecimento precisam ser consideradas e ponderadas para tomar a decisão correta.

Logo, antes de realizar a mudança você precisa estar ciente de que sua empresa está preparada para executar essa estratégia. Isto é, ter contato com fornecedores bons e de confiança, além de possuir o espaço necessário para realizar o cross docking de fato, ou seja, o recebimento, preparo, carregamento e envio do produto de interesse.

Caso contrário será um grande desperdício de tempo e de dinheiro.

Mas então, quando o cross docking é usado?

O processo de cross docking não atenderá às necessidades de cada armazém, portanto, é importante tomar uma decisão embasada, ou seja, saber previamente se essa estratégia aumentará a produtividade, os custos e a satisfação do cliente para o seu negócio específico. Essa estratégia pode avançar na cadeia de suprimentos alcançando uma variedade de produtos específicos. Por um lado, itens não preservados ou controlados por temperatura, como alimentos que precisam ser transportados o mais rápido possível, podem ser beneficiados por esse processo. Além disso, os produtos já embalados e classificados, prontos para o transporte para um cliente específico, podem tornar o processo mais rápido e eficiente com o uso do cross docking.

Algumas das principais razões em que o cross docking é implementado são:

  • Fornecer um site central para produtos a serem classificados e produtos similares combinados para serem entregues a múltiplos destinos no método mais produtivo e mais rápido. Este processo pode ser descrito como “hub and spoke”
  • Combinar inúmeras cargas de produtos menores em um método de transporte para economizar nos custos de transporte. Este processo pode ser descrito como “acordos de consolidação”.
  • Quebrar grandes cargas de produtos em cargas menores para transporte, para criar um processo de entrega mais fácil para o cliente. Este processo pode ser descrito como “arranjos de desconsolidação”.

Quais as vantagens do cross docking?

São diversas as vantagens desse sistema logístico, entre elas destacam-se:

Redução de Estoques: Esta é a principal vantagem. Como você não precisará de um espaço para estocar produtos os seus gastos com gestão de estoques vão diminuir significativamente. Porém é necessário ter um espaço para fazer o manuseio dos produtos antes de fazer o envio.

Agilidade: O estoque é basicamente um centro de distribuição. Assim, seu único fim é o preparo e reenvio de mercadorias no menor tempo possível. Executando bem esses passos, a fidelização de um cliente é quase certa.

Além disso, uma série de outras vantagens são elencadas da estratégia de cross docking, como por exemplo:

  • Reduz o manuseio de materiais.
  • Redução dos custos trabalhistas (sem embalagem e armazenamento).
  • Tempo reduzido para entregar ao cliente final.
  • O transporte tem cargas mais completas para cada viagem, portanto, uma economia nos custos de transporte, além de ser mais ecológico.
  • Os produtos são movidos mais rapidamente através de uma doca cruzada.
  • Mais fácil de visualizar a qualidade do produto.
  • Eliminação de processos como ‘pick-location’ e ‘picking’.
  • Os terminais de cross docking são menos dispendiosos para construir do que um armazém médio.
  • Alta rotatividade de produtos com tudo se movendo rapidamente no terminal de cross docking. Os produtos geralmente gastam menos de 24 horas nele.
  • Os produtos destinados a um ponto final similar podem ser transportados como uma carga total, reduzindo o custo de distribuição geral.

Compreender as vantagens, como trabalhar com o cross docking e como ele se encaixa em sua organização é um passo importante para avaliar o processo da cadeia de suprimentos e decidir se o cross docking é ideal para sua organização. Certifique-se de entender os principais requisitos da sua organização. Por exemplo: volume de negócios de alto, giro rápido e produtos perecíveis são fatores que indicam um ajuste bem-sucedido para cross docking. Analise seus requisitos de fator chave e decida a partir daí. Se precisar de ajuda, contate a FM2S para ajudá-lo em seus projetos logísticos ou se preferir, conheça o curso de Supply Chain, disponível na Assinatura FM2S!

Como implementar o Cross Docking (Passo a Passo)

A implementação de um sistema cross docking deve passar por algumas etapas cruciais deste processo a fim de coordenar e sincronizar os esforços e ações da cadeia de suprimentos. Isso fará com que o seu cliente receba o produto dentro do prazo informado, garantindo assim a satisfação do mesmo. Confira neste passo a passo os principais pontos aos quais você dev se atentar em uma boa implementação deste sistema:

1. Software ERP: para um bom funcionamento do Cross Docking o fluxo de informações e mercadorias deve ter um controle rigoroso. Além disso, você e todos os colaboradores do seu time precisarão ter informações quentes das operações, isto é, saber quando e quanto será entregue de uma determinada mercadoria. Assim, um software de planejamento de recursos empresariais lhe ajudará a fazer toda a gestão dessas informações em tempo real integrando áreas como, financeiro, produção, logística e muitas outras.

Se você não sabe o que é um sistema ERP, confira também:

2. Treinamento e preparo da equipe: Sem uma equipe treinada e com os conhecimentos necessários (comunicação, organização, armazenamento, controle e distribuição) esse sistema não funcionará, além de prejudicar a qualidade do serviço e ocasionar a perda de tempo e dinheiro. Recomendo os cursos de Supply Chain e Lean Logistics ou mesmo entrar em contato com os consultores da FM2S.

3. Fornecedores: par que essa estratégia seja bem executada, ela depende de fornecedores de confiança para formalizar acordos. Assim, você conseguirá uma reserva de estoque para atendimento exclusivo a você com um tempo de reposição viável. Dessa forma, você garante ao seu comprador a disponibilidade do produto que ele precisa com um bom tempo de entrega.

4. Atendimento: tratar as reclamações frutos de imprevistos é crucial para manter a confiança dos seus clientes. Então seja atencioso e prepare um bom SAC, assim você transmite segurança ao seu cliente.

5. Tenha um Centro de Distribuição: seus produtos precisarão chegar em algum lugar para executar o serviço de identificação e carga. Caso você não tenha estrutura ou demanda suficiente, terceirizar o serviço (como uma estratégia 3PL) ou investir em um espaço próprio são algumas alternativas. Lembre-se de que como a ideia não é armazenar, você não precisará de um espaço tão grande. Esteja preparado para as oscilações de volume e de tamanho de mercadorias.

6. Desenvolva-se: quem não se atualiza fica pra trás. Pois bem, não deixe de pesquisar as novas tendências do setor, estudar novas estratégias e propor melhorias ao seu negócio. Assim você diminuirá ainda mais os custos e terá mais agilidade nas suas entregas. Uma boa opção é conhecer os cursos da FM2S através de nossa Assinatura EAD.

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Quais as aplicações típicas do cross docking?

Exemplo de cross-dock de varejo: usando cross-docking, o Wal-Mart conseguiu efetivamente alavancar seu volume logístico como uma competência estratégica central.

  • O Wal-Mart opera uma extensa rede de satélites de centros de distribuição atendidos por caminhões da empresa.
  • A rede de satélites do Wal-Mart envia dados do ponto de venda (PDV) diretamente para 4.000 vendedores.
  • Cada registro está diretamente conectado a um sistema de satélite que envia informações de vendas para a sede e os centros de distribuição da Wal-Mart.

Quais fatores podem influenciar no cross docking?

  • Cross docking depende da comunicação contínua entre fornecedores, centros de distribuição e todos os pontos de venda.
  • Geografia de clientes e fornecedores, particularmente quando um único cliente corporativo tem muitos ramos múltiplos ou pontos.
  • Custos de frete para as commodities que estão sendo transportadas.
  • Custo do inventário em trânsito.
  • Complexidade de cargas.
  • Métodos de manipulação.
  • Integração logística de software entre fornecedor (s) e expedidor.
  • Acompanhamento do inventário em trânsito.

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