O que é ISO? Origem e principais benefícios

o que é iso
07 de maio de 2017
Última modificação: 28 de julho de 2021

Autor: Virgilio Marques Dos Santos
Categorias: Blog, Seis Sigma

O que é a ISO?

A ISO como a conhecemos hoje originou-se da união de duas organizações – a ISO (Federação Internacional das Associações Nacionais de Normalização) e o UNSCC (Comitê de Coordenação de Padrões das Nações Unidas).

Em 1946, mais de 25 países se reuniram no Instituto de Engenheiros Civis de Londres para criar uma nova organização internacional, cujo objetivo era “facilitar a coordenação e unificação internacional dos padrões industriais”. A palavra ISO, por sua vez, é derivada do grego ISOS, que significa “igual”.

Como a Organização Internacional de Normalização teria uma tradução diferente em cada língua, decidiu-se que o nome abreviado da organização seria a ISO.

Hoje a ISO já cresceu para uma confederação de delegados de mais de 150 países e publicou mais de 16.500 padrões internacionais. Os delegados se reúnem regularmente para desenvolver padrões de gestão tanto novos quanto existentes.

Nesse mesmo sentido, em nossas certificações Lean Seis Sigma, sempre falamos da complementaridade da ISO frente a um Projeto Green Belt ou Black Belt. É importante notar, inclusive, que ISO e Lean são mais que fluxogramas e VSM.

O que é a certificação ISO?

A certificação ISO é um selo de aprovação emitido por um organismo terceiro que uma empresa recebe por dispor de algum dos sistemas de gestão internacionalmente reconhecidos pela ISO. Assim, a certificação pode ser usada pelas empresas como uma prova da credibilidade de sua gestão, ajudando inclusive a garantir que o cliente potencial confie que suas promessas serão mantidas.

introdução às normas ISO

A acreditação ISO e a certificação ISO

É importante entender que a certificação ISO e a certificação ISO acreditada são duas coisas diferentes. A certificação ISO ocorre quando uma empresa obteve a ISO e/ou uma norma BS por um organismo de certificação que é credenciado pela ONA (Organização Nacional de Acreditação) ou equivalente. Cada país tem sua própria versão do ONA e embora essas sejam organizações governamentais, agem como o corpo do governo para companhias de certificação.

Note-se que existe apenas um verdadeiro organismo de acreditação em cada país e que quaisquer outras formas de “organismos de acreditação” podem ser enganosas. No entanto, na maioria dos países a acreditação é uma escolha e não uma obrigação. Por isso o BSI, órgão de padrões do Reino Unido, assim como a própria Organização Internacional de Normalização, afirmam que “o fato de um organismo de certificação não ser acreditado não significa que não seja uma organização respeitável, por exemplo, um organismo de certificação que opera nacionalmente num setor altamente específico pode beneficiar-se de uma boa reputação”.

Diferenças entre Acreditação e Certificação

Quanto à certificação ISO e a certificação ISO acreditada, embora não haja como definir uma melhor que a outra, existem algumas diferenças importantes das quais vale a pena estar ciente. A principal delas é que um organismo de certificação acreditado é incapaz de implementar os sistemas no negócio durante o processo de certificação, da forma que qualquer outro organismo de certificação é capaz.

Além disso, só podem desempenhar as funções de um organismo de avaliação/auditoria, não devendo ter qualquer envolvimento com o processo de estabelecimento. Isso pode significar, portanto, ter que empregar uma empresa certificadora como um consultor para implementar o sistema e ter o organismo acreditado na hora de certificá-lo.

Dessa forma, não só se acrescenta despesa adicional para o cliente, mas também é possível que o tempo necessário para alcançar a certificação aumente. Por outro lado, um organismo de certificação pode agir não só como o consultor para implementar os sistemas na empresa, mas, após certificar a empresa uma vez cumprida a conformidade, podem também oferecer apoio e orientação ao longo do ano, de forma a garantir que a empresa mantenha a sua certificação.  E o mais importante: usa os sistemas em benefício da empresa em uma base contínua.

O que é a ISO 9001?

A ISO 9001 é um sistema de gestão da qualidade que pode ser integrado a qualquer negócio. Focado em garantir que o negócio forneça um nível consistente de qualidade aos seus clientes, oferece processos e procedimentos bem definidos e regularmente revistos. Por conseguinte, o sistema integra-se plenamente aos procedimentos de negócios existentes e torna-se parte da cultura dentro da organização. Eventualmente, uma empresa não irá realizar uma tarefa de conformidade com a ISO 9001, mas uma tarefa para o bem do negócio. A ISO 9001 abrange oito princípios essenciais de negócios, que são:

  • Foco no cliente;
  • Liderança;
  • Envolvimento de pessoas;
  • Processo de abordagem;
  • Abordagem do sistema à gestão;
  • Melhoria contínua;
  • Abordagem factual para a tomada de decisões;
  • Relações mutuamente benéficas com fornecedores.

O que é a ISO 14001?

A ISO 14001 é um sistema de gestão ambiental que pode ser integrado a qualquer negócio. O foco principal de um sistema de gestão ambiental é reduzir custos, reutilizar recursos e, não sendo possível reutilizá-los, reciclar o máximo possível. A norma força a empresa a estar ciente e controlar os aspectos do negócio que têm um impacto ambiental. Esse sistema pode até destacar áreas dentro da empresa com alto consumo e/ou desperdício, portanto, conduz à economia de custos e, em determinadas indústrias, garante a manutenção dos requisitos legais e regulamentares.

Contudo, como é quase impossível esperar que uma empresa seja 100% amiga do ambiente, o sistema concentra-se em encorajar a redução do uso de matérias-primas ou, se não for possível, em manter o uso desses materiais em uma base contínua. Assim a ISO 14001 permite que a empresa defina seus próprios objetivos, possibilitando que você crie objetivos viáveis sem comprometer as atividades gerais do dia a dia do negócio.

Como a norma ISO é desenvolvida?

Como uma sinfonia, é preciso muita gente trabalhando em conjunto para desenvolver um padrão: o papel da ISO é semelhante ao de um maestro, enquanto a orquestra é composta de técnicos independentes nomeados pelos seus membros.

Os peritos, por sua vez, formam um comitê técnico que é responsável por uma área específica. Eles começam o processo com o desenvolvimento de um projeto que atenda a uma necessidade específica do mercado, que em seguida é compartilhado para comentários e discussão adicional.

O processo de votação é a chave para o consenso. Havendo acordo, então o projeto está se encaminhando para se tornar um padrão ISO. Se o acordo não for alcançado, o projeto será modificado e votado novamente. Com efeito, da primeira proposta à publicação final, o desenvolvimento de um padrão geralmente leva cerca de 3 anos.

Quais são os princípios chave para o desenvolvimento da ISO?

As normas ISO respondem a uma necessidade no mercado

A ISO não decide quando desenvolver uma nova norma, mas responde a uma solicitação da indústria ou de outras partes interessadas, como grupos de consumidores. Normalmente, um setor ou grupo de indústria comunica a necessidade de um padrão para seu membro nacional e este entra em contato com a ISO.

As normas ISO baseiam-se na opinião de peritos globais

As normas ISO são desenvolvidas por grupos de especialistas de todo o mundo, os quais fazem parte de grupos maiores, chamados comitês técnicos. Esses especialistas negociam todos os aspectos da norma, incluindo seu escopo, definições e conteúdo chave. Os detalhes podem ser encontrados na lista de comitês técnicos.

São desenvolvidas por meio de um processo multistakeholder

Os comitês técnicos são compostos por especialistas da indústria pertinente, assim como de associações de consumidores, universidades, ONGs e governo.

As normas ISO baseiam-se em consenso

O desenvolvimento de normas ISO trata-se de uma abordagem baseada em consenso, portanto levam-se em conta os comentários de todas as partes interessadas.

Qual o melhor jeito de fazer alguma coisa?

Tendo começado com coisas óbvias, como pesos e medidas, ao longo dos últimos 50 anos a ISO se desenvolveu em uma família de padrões que cobrem praticamente tudo, desde os sapatos que estamos usando até as redes Wi-Fi, que nos conectam invisivelmente uns aos outros.

Preocupadas com todos esses âmbitos, as Normas Internacionais asseguram aos consumidores que seus produtos são seguros, confiáveis e de boa qualidade. Enquanto as normas sobre segurança rodoviária, segurança dos brinquedos e embalagens médicas seguras são apenas algumas das que ajudam a tornar o mundo um lugar mais seguro.

Em suma, reguladores e governos contam com os padrões ISO para ajudar a desenvolver uma melhor regulamentação, sabendo que eles têm uma base sólida, graças ao envolvimento de especialistas globalmente estabelecidos.

ISO serve para pequenas empresas?

Os padrões internacionais da ISO ajudam empresas de qualquer tamanho e setor a reduzir custos, aumentar a produtividade e acessar novos mercados.

Para as pequenas e médias empresas (PME), as normas podem ajudar a:

  • Criar no cliente a confiança de que seus produtos são seguros e confiáveis;
  • Cumprir os requisitos regulamentares, a um custo inferior;
  • Reduzir custos em todos os aspectos do negócio;
  • Obter acesso ao mercado em todo o mundo.

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