Como Lidar com a Interrupção da Cadeia de Suprimentos?

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28 de março de 2020
Última modificação: 28 de março de 2020

Autor: Guilherme Mendes
Categorias: Blog, Lean

Introdução

Se pararmos para pensar na fabricação de um produto, existem diversas etapas que acontecem até que este chegue às mãos do consumidor final. Extração da matéria prima, transporte aos fornecedores, armazenamento e possíveis tratamentos para conservação desta matéria, transporte ao setor de manufatura (fábrica), transformações, acabamento, embalagem, transporte ao comércio (varejo), compra e, por fim, consumo final são etapas que, em geral um produto é submetido. Todas essas etapas estão inclusas em um mapeamento de fluxo de valor, onde é possível enxergar uma rede. Ao estudo que se refere a essa rede de processos, dá-se o nome de Supply Chain, ou Gestão da cadeia de Suprimentos. Vamos ver agora como lidar com a interrupção da cadeia de suprimentos.

Em um sistema e-commerce, por exemplo, realizar essa gestão, juntamente com a previsão de demanda, é de fundamental importância para que não ocorram faltas de produtos.

Acontece que, pelo fato de ser uma rede muito grande de processos, ela está sujeita a diversas interrupções. Se pensarmos em no contexto atual, onde o novo coronavírus vem comprometendo as cadeias produtivas, é necessário estar pronto para minimizar os efeitos das possíveis interrupções desta rede. Desta forma trouxemos nesta postagem dicas de como lidar com a interrupção da cadeia de suprimentos, mas antes vamos nos contextualizar sobre o que é a gestão desta cadeia (Supply Chain).

No que consiste a gestão da cadeia de suprimentos?

Um Supply Chain Management (SCM) é um conjunto de soluções que gerencia e supervisiona o fluxo de mercadorias, dados e finanças à medida que um produto ou serviço passa do ponto de origem para seu destino final (consumo). As atividades da cadeia de fornecimento englobam desde o desenvolvimento do produto até a logística, incluindo produção, fornecimento, transporte, estoque, gerenciamento de estoque e expedição.

Se deseja se aprofundar mais no conceito de Supply Chain, confira também:

Uma vez contextualizados sobre o que é a Gestão da Cadeia de Suprimentos, vamos conferir dicas para lidar com possíveis interrupções da mesma.

Interrupção da Cadeia de Suprimentos

A rápida disseminação do novo coronavírus (COVID-19) está prejudicando as cadeias de suprimentos em todo o mundo, com empresas anunciando atrasos no transporte e na fabricação. Outros eventos imprevistos causaram distúrbios na cadeia de suprimentos nas últimas décadas, incluindo o colapso nuclear de Fukushima, inundações de 2011 na Tailândia, pandemias de SARS e MERS e o furacão Katrina.

Mas é impreciso comparar o coronavírus a esses outros eventos, disse o especialiasta Yossi Sheffi, professor do MIT e diretor do Centro de Transportes e Logística da universidade, durante um seminário on-line em 16 de março. O COVID-19 está afetando a oferta e a demanda. E hoje a China, onde a pandemia começou e as fábricas foram afetadas por semanas, desempenha um papel muito maior na economia global do que nos desastres passados. As empresas também estão vendo uma redução na demanda global por causa do medo e do distanciamento on-line, disse ele, o que pode causar uma recessão grave.

Os efeitos da cadeia de suprimentos global estão se espalhando lentamente, mas afetarão as fábricas dos EUA e de todo o mundo dentro de semanas, já que os embarques da China não chegam. As interrupções na cadeia de suprimentos costumam ter um “efeito chicote”.

Mas o que é efeito de chicote?

O efeito chicote pode ser explicado como uma ocorrência detectada pela cadeia de suprimentos, na qual os pedidos enviados ao fabricante e fornecedor criam maior variação do que as vendas para o consumidor final.

Para o caso em questão ocorrem interrupções na cadeia de suprimentos. Elas começam com os varejistas e crescem em maior magnitude para distribuidores, produtores e depois fornecedores no primeiro, segundo e terceiro níveis. É provável que os fornecedores sejam severamente danificados.

“O segundo e o terceiro nível da cadeia de suprimentos geralmente são pequenos e não podem suportar o fluxo inicial de pedidos”, disse ele. “Isso pode ser um golpe mortal para pequenos fabricantes”. Yossi Sheffi

Mas toda empresa deve tomar medidas para se preparar para qualquer tipo de interrupção na cadeia de suprimentos, desta forma, vamos conferir algumas delas afim de minimizar esses efeitos.

Estabelecer um centro de gerenciamento de emergências

O processo de tomada de decisão deve ser feito com cautela, portanto centralizar as informações é crucial para que se tenham bons resultados.

No caso do coronavírus, a maior parte disso será feita virtualmente, acrescentou o especialista. Enquanto uma equipe se concentra no ecossistema de negócios, fazendo a interface com clientes e fornecedores, outra equipe deve se concentrar em cuidar das preocupações dos funcionários, como operações contínuas, lidar com assuntos de família e outros problemas frequentemente tratados por recursos humanos.

Fale com uma só voz

Em tempos de crise é de fundamental importância ser transparente com os clientes e fornecedores. Renegociar valores e adiar prazos de entrega e/ou pagamentos, pode ser o melhor a se fazer nesta situação.

A comunicação durante uma crise é fundamental enquanto houver interrupções na cadeia de suprimentos e as empresas devem estar preparadas para se comunicar com todos os stakeholders: funcionários, clientes, fornecedores, mídia, acionistas, analistas e comunidade, daí vem a importância de centralizar as informações.

A chave é falar com uma só voz. Nomear uma pessoa que compartilhará informações precisas sobre a crise e o que a empresa está fazendo. Uma única voz tem que dizer a todos exatamente o que está acontecendo. Não tente enganar ou culpar outras pessoas.

Tomada de Decisão

Como que um médico poderia opinar na quantidade de concreto que será utilizada para se construir uma ponte? Isso não faria sentido algum, não é mesmo?

As decisões devem ser tomadas pelas pessoas apropriadas na empresa. Durante o auge do terremoto de Fukushima e do colapso nuclear em 2011, a General Motors no Japão não tinha acesso aos módulos necessários para fazer assentos de carro aquecidos (prática muito comum no exterior). Um vice-presidente da empresa decidiu construir veículos sem assentos aquecidos, o que resultou em vários problemas, incluindo componentes de couro que ficaram presos na cadeia de suprimentos.

Com a variedade de peças e fornecedores que podem compor uma cadeia de suprimentos, decisões como a que a General Motors enfrentou precisam ser tomadas por pessoas que sabem o que estão fazendo, o que não foi o caso do vice-presidente da GM na época.

“Se você é um engenheiro que lida com assentos, sabe o que pode e o que não pode ser feito”, disse Sheffi. Uma das questões mais importantes nesse caso é manter o C-suite, o CEO e outros, longe de tomar decisões. Eles devem conversar com a mídia, estar totalmente informados o tempo todo, mas não devem tomar as pequenas decisões.

Aproveite para conferir também: O que é um CEO? Qual o seu papel na empresa?

Mapeie sua cadeia de suprimentos e fique de olho nos produtos

Sobreviver a uma interrupção na cadeia de suprimentos significa garantir que você ainda tenha fornecedores e um fluxo constante de peças e materiais, para isso de fundamental importância estar de olho no Mapeamento de Fluxo de Valores.  Este mapeamento é fundamental para descobrir como sua cadeia de suprimentos funciona. Isso inclui locais da fábrica (a sede pode estar em outro lugar), o que cada fábrica produz e a criticidade de diferentes partes de um produto (peças). Uma questão importante é: existem outros fornecedores dessa peça em outro lugar? Outras coisas a saber incluem o status operacional de cada planta e o nível de estoque. Tudo isso requer visibilidade da cadeia de suprimentos.

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 À medida que os fornecedores pressionam, grandes problemas podem surgir, como degradação da qualidade nos produtos e entregas atrasadas. As falsificações também são outro grande problema quando os suprimentos são escassos enquanto as empresas buscam fornecedores alternativos.

Você também deve conhecer a saúde financeira dos fornecedores dos quais depende e estar preparado para apoiá-los, se necessário. Pode ser um bom momento para investir neles e estender seus termos de crédito. Verifique se os fornecedores críticos não saem do negócio, porque, caso isso ocorra, você também ficará de fora desta jogada.

Prepare-se para gerenciar a demanda do cliente

As empresas devem planejar com antecedência como lidarão com a demanda dos clientes durante a interrupção da cadeia de suprimentos. Existem várias opções:

Alocação ou triagem do produto

As considerações incluem contribuições financeiras, importância do cliente (neste caso é válido analisar o histórico e o relacionamento), imparcialidade e necessidade. Aqui cabe realizar um atuo questionamento: quais clientes poderiam acarretar no fechamento do seu negócio? As empresas devem decidir um plano com antecedência, em vez de fazê-lo durante uma crise.

Leilão

Algumas empresas leiloaram produtos pelo melhor lance. Embora isso pareça um método justo, isso pode ser visto como lucro e acarretar no afastamento de clientes.

Substituição ou modelagem de demanda.

Se uma empresa tiver alguns produtos em falta e estoque suficiente de outros produtos similares, poderá aumentar o preço do produto mais escasso e diminuir o preço de outros para moldar a demanda do cliente.

Planejar recuperação

As empresas devem pensar além da interrupção de curto prazo e da sobrevivência da empresa a longo prazo. Isso significa manter os funcionários através da continuidade do pagamento, cuidando das famílias e permitindo trabalho em meio período ou até mesmo o home office, quando possível. Isso é criticamente importante, principalmente na retomada dos negócios pós-crise.

A interrupção também é uma oportunidade para decisões de negócios difíceis, como uma reorganização desejada há muito tempo ou o corte de produtos e clientes com desempenho insatisfatório e a aproximação de clientes e fornecedores de confiança. Aqui está a chave para se manter durante este período.

Confira também:

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Referência: BROWN, S. – 6 Steps to Handle Supply Chain Disruption – MIT Management Sloan School

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