O que é e para que serve o Diagrama de Pareto?

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15 de maio de 2020
Última modificação: 27 de junho de 2022

Autor: FM2S
Categorias: Análise de dados

O Gráfico de Pareto, também chamado de “diagrama de Pareto”, é uma das 7 ferramentas básicas da qualidade que visa focalizar os esforços de melhoria. Ele é útil sempre que classificações gerais de problemas (erros, defeitos, feedback de clientes, etc.) puderem ser compilados na forma de valores para estudo e ações posteriores. Nessa ferramenta, as frequências de cada causa são representadas de forma semelhante a um histograma, porém em ordem decrescente por barras e o total acumulado é representado por uma linha.

O que é o Diagrama de Pareto?

A princípio, seu propósito não é identificar causas, visto que outras ferramentas, tais como diagrama de controle, diagrama de dispersãodiagrama de Ishikawa e experimentos planejados são mais específicos para essa tarefa. O nome da ferramenta partiu do princípio de Pareto. Este princípio, por sua vez, deriva seu nome de Vilfredo Pareto, um famoso economista italiano.

O princípio baseia-se em distribuições desiguais. É a lei das poucas causas significativas contra as muito triviais. As poucas causas significativas geralmente representam 80% do todo, enquanto as muito  triviais representam cerca de 20%. A fim de melhorar um processo, é importante concentrar esforços nas poucas causas significativas de um problemas.

Exemplos nos quais ele pode ser útil para classificar problemas:

  • Em casos onde há muitos problemas ou causas e você deseja se concentrar nas mais significativas;
  • Na análise de dados sobre a frequência de problemas ou causas em um processo;
  • Ao se comunicar com outras pessoas sobre seus dados;
  • Classificação dos vários tipos de problemas que os hóspedes experimentam em um hotel;
  • Uma peça que falha em um teste devido a um componente defeituoso;

Quem criou o Diagrama de Pareto?

O nome se originou do trabalho de Vilfredo Pareto (1848-1923), que foi pioneiro no esforço de enunciar uma lei de distribuição de rendimentos. Em essência, ele percebeu que 80% da riqueza de uma população estava concentrada em apenas 20% dela. A descoberta se tornou amplamente usada na indústria depois de sua proeminência nas Mesas Redondas de Gerenciamento, conduzidas na Universidade de Nova Iorque no início da década de 40.

Além disso, um dos pioneiros em trabalhos na área de QualidadeJoseph Juran, encontrou um padrão na distribuição dos tipos de defeitos de certo produto, semelhante ao encontrado por Pareto. Após diversas análises, ele chegou à conclusão de que, em grande parte das iniciativas de melhoria, poucos tipos de defeitos eram responsáveis pela maioria das rejeições, ou seja, 80% dos problemas de qualidade de uma peça tem como causa, apenas 20% dos tipos de defeitos.

Da relação entre esses dois trabalhos, criou-se o conceito de Pareto, famoso também pela frequência de “regra 80/20”, sendo o termo “Diagrama de Pareto” cunhado por Joseph Juran no início da década de 90.

O Diagrama de Pareto na Prática

Um exemplo claro de um gráfico de Pareto, é em uma equipe trabalhando no desempenho de entrega de seus fornecedores. Todavia, ao descobrir que os próprios fornecedores necessitavam fazer mudanças em seus sistemas para melhorar a entrega dentro do prazo, perceberam que seria necessário treinar cada um deles. No entanto, como contavam com 4.000 fornecedores, isso parecia uma tarefa impossível.

Para realizar a tarefa considerada a princípio impossível, a equipe focalizou seus esforços de melhoria nas poucas causas significativas. Ao invés de pensar a respeito de 4.000 fornecedores, cada agente de compras trabalhou com poucos fornecedores significativos (vitais) a cada mês, assim o desempenho de entrega no horário foi estabelecido como parte desse esforço focalizado.

Essa análise de Pareto é baseada em um ponto de vista de “cliente”, ou seja: quantas vezes o cliente sofreu inconveniências devido a uma entrega atrasada? (Observe que, do ponto de vista de um fornecedor, a porcentagem de entregas no horário seria uma medida mais apropriada).

Como aplicar o Diagrama de Pareto?

Um dos objetivos centrais de um programa de qualidade é reduzir perdas provocadas por itens defeituosos que não atendem às especificações, visto que há muitos tipos de defeitos que invalidam o produto. Concentrar esforços no sentido de eliminar todos os tipos de defeitos não é uma política eficaz, assim devemos focar nos tipos de defeitos que são responsáveis pela maioria das rejeições, sendo mais eficaz atacar as causas desses poucos defeitos mais importantes, por isso a necessidade de utilizarmos o Diagrama de Pareto.

Uma empresa de embalagens precisava reduzir custos com peças defeituosas encontrados em sua produção. Como a empresa não sabia por onde começar, decidiu-se utilizar o conceito do Diagrama de Pareto para analisar quais defeitos ocorriam com maior frequência. Durante duas semanas, os dados foram coletados, resultando no diagrama a seguir:

Diagrama de Pareto

Gráfico de Pareto do tipo de defeito.

Note que é muito fácil observar no diagrama que trabalhar primeiro. Defeitos do tipo “não selagem” são responsáveis por mais de 80% de todos os defeitos, assim fica claro que a equipe de melhoria deve começar por essa seção. Se quiserem dar mais foco ainda, podem começar pelo defeito de “não selagem no topo”, pois apenas esse tipo de defeito é responsável por mais de 40% dos defeitos totais.

Como analisar o Diagrama de Pareto?

No exemplo anterior, no eixo vertical, utilizamos a frequência das ocorrências com que ocorriam os defeitos, porém pode-se utilizar outras funções.

Um cliente cujo negócio era a distribuição de sistemas de automação estava interessado em reduzir o quanto era gasto com cada fornecedor para trocar peças que apresentavam defeitos em campo. Portanto, eles coletaram durante um mês todos os sistemas que precisavam ser trocados e qual era o fornecedor desse sistema. Contudo, eles sabiam também que existia uma grande diferença entre os preços, com sistemas simples que custavam R$ 300,00 até sistemas complexos cujo custo era R$ 2.000,00.

Diagrama de Pareto

Gráfico de Pareto do custo com problemas de cada fornecedor.

Neste caso, cada defeito houve uma multiplicação, de fato, pelo custo do seu sistema (o que é uma estratégia comum na utilização de Diagrama de Pareto) e essa variável foi utilizada para a construção do Pareto. Com essa análise, foi possível focar no fornecedor D, uma conclusão bem diferente do que obteríamos se olhássemos apenas para a frequência.

Como fazer um Diagrama de Pareto?

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A construção de um Diagrama de Pareto segue as seguintes etapas, comentadas aqui para ajudar você e sua equipe de melhoria a fazer uma boa análise de dados.

Passo 1: Entenda o que você quer analisar com o diagrama.

Todo Diagrama de Pareto tem uma finalidade, por isso, entender o que você quer resolver com ele é fundamental para decidir qual dados é necessário coletar. Nos dois exemplos acima, foi ensinado como formular o problema, analisando o tipo de defeito mais frequente e o fornecedor mais custoso. Dessa forma, decidir qual dessas análises seguir é o passo inicial da construção do diagrama de Pareto.

Passo 2: Colete os dados

Só se faz um Pareto com dados. Para coletar bons dados, você pode se valer de outras ferramentas, como formulários de coleta de dados ou folhas de verificação. Complete um “Formulário de Planejamento para Coleta de Dados” . Essa etapa de planejamento é importante para construir um diagrama de Pareto porque leva a equipe a considerar eventualmente:

  • Questões a responder;
  • Informações a registrar;
  • Variáveis para estratificação;
  • Definições operacionais;
  • Duração e local para coleta de dados;
  • Administração.

Desenvolva uma lista de verificação simples que satisfaça as considerações assinaladas no passo 2. Os dados se classificam por tipo de: Problema ou defeito; Departamento; Local; Tempo; Tamanho; E outros. Uma vez que já está com os dados coletados suficientes (pelo menos 30 ocorrências), passe para o passo 3.

Passo 3: Organize os dados para coleta

Compile os dados que você coletou. Em outras palavras, você pode já contar a frequência de cada item a analisar no diagrama de Pareto e montar uma tabela, ou então, caso esteja usando um software como o Minitab, pode compilar os dados no formato de banco de dados.

Passo 4: Desenhe barras com as frequências organizadas da maior para a menor (da esquerda para a direita)

Caso esteja usando o Excel, você pode criar esse diagrama de barras a partir da planilha de dados.Do mesmo modo no Minitab, esse passo e os próximos se realizam automaticamente. Para mais detalhes de como fazer isso no Excel, baixe nossa apostila de “Como fazer um Pareto no Excel”. Não esqueça de ajustar as escalas.

Passo 5: Insira um diagrama de linha com as porcentagens acumuladas de cada classificação

Para isso, você terá que calcular a porcentagem de frequência de cada “defeito” relativa ao número total de defeitos. Uma vez que essas porcentagens estão calculadas, você deverá traçar o diagrama de linha. (Consulte o manual do passo acima para saber como fazer isso no Excel). Ajuste as escalas para serem mostradas de 0 a 100%.

Passo 6: Análise seu Pareto

Uma vez finalizado o diagrama, veja se há alguma classificação se sobressaindo. Caso haja, podemos dizer que se aplica o princípio de Pareto nela? Monte seu plano de ação e comece as melhorias!

Como estratificar os dados no Diagrama de Pareto?

Algumas vezes, as classificações de dados podem ser sistematicamente subdivididas, ou estratificadas, por meio de técnicas de análise de Pareto, a fim de aprimorar a investigação sobre onde focalizar os esforços de melhoria. Por exemplo, em “Erros em Relatórios de Despesas”, uma questão poderia ser “Quanto que as áreas diferentes estão contribuindo para cada tipo de erro?” Essa pergunta, tem como reposta, usando qualquer um dos seguintes três métodos para estudar estratificação usando análise de Pareto:

  1. Mostre vários diagramas de Pareto colocando-os lado a lado;
  2. Subdivida dentro das barras. Use sombras ou hachuras para distinguir entre as subclassificações. Além disso, use o bom senso no que diz respeito a quantas subclassificações colocar dentro das barras – muitas barras tornam a interpretação difícil;
  3. Coloque as barras representando as subclassificações lado a lado dentro da classificação principal listada no eixo horizontal. Sobretudo, essa técnica é eficaz quando existem duas ou três subclassificações e quando a ordenação das classificações é a mesma para quase todas as classificações. As barras adjacentes representando as subclassificações devem se agrupar e contrastar por sombreamento.

O melhor método de estratificação depende de qual método permite que os dados sejam de uma forma mais fácil de interpretar.

Como o aproveitar o máximo possível?

Existem muitas opções para o eixo vertical nos diagrama de Pareto. A escala mais comum é a do número de ocorrências. Três alternativas importantes são:

  • Valor monetário;
  • Tempo;
  • Contribuição percentual de cada classificação para o total (tempo, ocorrências, dinheiro etc.).

A escala de tempo deve-se como objetivo a redução de tempo parado. Pois ao se decidir sobre onde focalizar os esforços de melhoria usando análise de Pareto, deve-se considerar cuidadosamente uma escala apropriada. Frequentemente, vários diagrama de Pareto devem ser preparados com escalas diferentes.

Além disso, não é novidade para ninguém que conhecimento nunca é demais. Portanto, para um uso maior otimização possível do Diagrama de Pareto e de quaisquer outras ferramentas de melhoria, conheça a Assinatura FM2S! Com ela, você tem acesso a dezenas de cursos exclusivos por um ano, aos quais se soma um novo curso mensalmente.

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Como a estabilidade o afeta?

Da mesma forma às outras ferramentas que tem a função de investigar e melhorar processos, como diagramas de frequência. Em síntese, Deve-se usar o diagrama de Pareto com o conhecimento prévio da estabilidade da característica medida. Se o processo for estável, o diagrama de Pareto mostra os importantes modos de falha ou classificações de problema produzidos pelo sistema de causas comuns.

Se o processo for instável, haverá de ter uma estratificação dos dados para separar os dados obtidos quando causas especiais estavam presentes dos dados que se advém por causas mais comuns. Assim, a análise de Pareto pode ser feita para as duas situações.

Uma escala percentual usualmente é apropriada para comparar os estratos, uma vez que o número de observações em cada grupo pode ser drasticamente diferente. Além disso, Diagramas de Pareto são excelentes para mostrar o efeito de uma mudança em um processo ao usar dados tanto de antes quanto de depois da implementação da mudança.

O que é o Diagrama de Pareto das Causas?

Podemos questionar se as classificações escolhidas apresentam as informações mais úteis e podemos questionar a precisão das contagens, mas se estivermos confiantes nesses dois pontos o diagrama de Pareto tem um significado definido para todos os membros da equipe.

Outro uso do diagrama de Pareto é o de resumir dados a respeito das “causas” de um dado efeito, apesar de diagramas de Pareto para “causas” serem usados comumente, é preciso tomar alguns cuidados especiais. Como exatamente podemos interpretar esse diagrama?

Portanto , a determinação de “causas” requer o julgamento de um perito, algumas vezes usando ferramentas de qualidade tais como diagramas de controle, diagramas de dispersão ou planejamento de experimentos. Dessa forma, sempre que declararmos que sabemos a “causa” de algo devemos considerar qual é o grau de nossa crença. Ele é alto, baixo ou algo no meio?

Quais dados e quais análises estamos usando para apoiar nossa crença sobre o sistema de causa?

Portanto, deve-se notar que entender “causas” é uma coisa bem diferente de simplesmente colocar uma observação em uma de várias categorias que nós mesmos fornecemos. Grandes desperdícios e perdas podem resultar de pensar que sabemos o sistema de causas quando, de fato, tudo que tínhamos era uma opinião pobremente fundamentada, tornada ainda mais perigosa por sua apresentação “autorizada” como dados em um diagrama.

Além disso, outro problema surge quando tentamos usar a análise de Pareto para resumir nosso conhecimento do sistema de causas. Com frequência não existe uma causa única ou dominante. Por exemplo, um produto pode ter ficado com defeito devido a uma combinação de matéria prima ruim, ferramentas desgastadas e técnicas operacionais ruins. Mesmo que suponha que somos capazes de produzir uma estimativa razoável para a contribuição de cada um desses fatores, como relataremos isso em nosso diagrama de Pareto?

Uma contagem em cada categoria? Uma contagem de um terço em cada categoria? Frequentemente, um efeito terá como causa uma interação de causas. Por exemplo, um processo pode ser capaz de produzir um bom produto com matérias primas de qualidade inferior ou com uma ferramenta já meio gasta, mas o processo produzirá defeitos quando ambos estiverem presentes ao mesmo tempo.

Como listaríamos as causas desse efeito? Essas são questões a considerar cuidadosamente antes de se usar um diagrama de Pareto para resumir conhecimentos sobre o sistema de causa.

O que você deve saber sobre o Diagrama de Pareto?

  • Utiliza-se um diagrama de Pareto para priorizar esforços de melhoria. Porque sempre que uma equipe não estiver certa sobre onde focalizar os esforços de melhoria deve usar uma análise de Pareto.
  • A ferramenta é aprimorada pela consideração cuidadosa das oportunidades de estratificação e de valores significativos para a escala vertical.
  • O conhecimento relacionado à estabilidade do processo também torna o diagrama de Pareto uma ferramenta mais valiosa.
  • Se um diagrama de Pareto for usado para estudar “causas” de um efeito, o(s) método(s) para que se determine as causas devem os indicar como parte do diagrama.

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2 Comentários

  • Erika Bernardo disse:

    Não entendi a parte A ferramenta é aprimorada pela consideração cuidadosa das oportunidades de estratificação e de valores significativos para a escala vertical.

    • Paula Louzada disse:

      Olá Erika, como consta no item “Como estratificar os dados no Diagrama de Pareto?: Algumas vezes, as classificações de dados podem ser sistematicamente subdivididas, ou estratificadas, por meio de técnicas de análise de Pareto, a fim de aprimorar a investigação sobre onde focalizar os esforços de melhoria.”

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