Qual a importância do gerenciamento de riscos na cadeia de suprimentos?

18 de maio de 2017
Última modificação: 18 de maio de 2017

Autor: Virgilio F. M. dos Santos
Categorias: Blog, Melhoria de Processos

Qual a importância do gerenciamento de riscos na cadeia de suprimentos? Um caso prático

Muitas pessoas se perguntam se é realmente necessário investir tempo em entender o perfil de riscos na cadeia de suprimentos. Então, para remover as dúvidas, vamos começar esse post de uma forma diferente, com um estudo de caso prático, para então passar ao post propriamente dito.

O caso é contado no artigo de Sunil Chopra e ManMohan Sodhi, Management Risk To Avoid Supply-Chain Breakdown, (em tradução livre: Gerenciamento de Riscos para Prevenir Quebra da Cadeia de Suprimentos), publicado na revista MIT Sloan Management Review (Cambridge, v.46, n.1, p.53-61, 2004). Como contam os pesquisadores, em março de 2000, um raio atingiu uma linha de força na cidade de Albuquerque, no estado de Novo México, nos Estados Unidos (para os mais íntimos, a mesma cidade onde se passa a série Breaking Bad, mas isto não é assunto para este humilde post…), e isto causou uma enorme sobrecarga em toda a rede elétrica.

Um dos locais servidos pela rede era uma fábrica de microchips da Royal Philips Electronics, e a sobrecarga elétrica provocou um incêndio que danificou milhões de microchips. O maior cliente desta planta da Philips, a Nokia, possuía um sistema logístico integrado, com diversas opções de fornecedores de reserva, e rapidamente substituiu seus pedidos de compra para outras plantas da Philips e para outros fornecedores japoneses e norte-americanos. Graças a esta estratégia de múltiplos fornecedores e à elevada responsividade de sua cadeia de suprimentos – tema extensivamente abordado em nosso curso Lean Logistics – a produção da Nokia praticamente não sofreu prejuízos durante este momento de crise.

Por outro lado, a Ericsson, outro cliente da fábrica da Philips, adotava a política de ter apenas um fornecedor. Como consequência, o incêndio na fábrica deixou a Ericsson sem fornecimento de matéria-prima para sua fabricação de celulares, causando a interrupção de sua produção por vários meses. Isto levou a empresa a um prejuízo estimado em 400 milhões de dólares, e à adoção de uma estratégia de gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos.

Uma possibilidade de prejuízo milionário, ou no caso de uma empresa de pequeno a médio porte a possibilidade real de falência, mais que justifica a adoção de uma estratégia de contenção de riscos. Sendo assim, vamos analisar agora o tema propriamente dito.

Como surgem os problemas e os riscos à cadeia de suprimentos?

A cadeia de suprimentos pode ser afetada, e até mesmo interrompida, em caso de possuir gargalos ou processos unilaterais, pelas mais diversas razões: desastres naturais (imagine que um terremoto pode danificar todos os itens contidos em um armazém, ou veja o exemplo acima), disputas e questões trabalhistas, bancarrota de fornecedores importantes, guerras e ações terroristas, crises do sistema financeiro, além de várias outras.

Tais incidentes possuem o potencial de interromper ou atrasar os fluxos de materiais, informações, ou fluxos de caixa. Assim, os riscos à cadeia de suprimentos podem ser majoritariamente divididos entre:

  • Atrasos;
  • Interrupções;
  • Imprecisões nas previsões e estimativas realizadas;
  • Falhas generalizadas do sistema;
  • Disputas de propriedade intelectual;
  • Problemas com inventário;
  • Problemas de capacidade de estocagem.

Cada um destes possui suas próprias origens e algumas estratégias específicas para sua mitigação. Porém, uma ferramenta de caráter geral e que fornece resultados significativos é a ferramenta FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), que pode ser aplicada tanto ao Lean quanto à Logística, e é relativamente simples. Clicando aqui, você pode baixar nosso Ebook gratuito com um guia de como aplicar o FMEA à logística.

Para prevenir a ocorrência de um prejuízo grave como o que a Ericsson sofreu, os gestores devem realizar um balanço e otimização delicado de seus recursos, de modo a manter o inventário, a capacidade e outros elementos dentro de níveis apropriados ao longo de toda a cadeia de suprimentos, dentro de um ambiente dinâmico e de rápidas mudanças. Alguns dos benchmarks do setor, com cadeias de suprimentos reconhecidamente responsivas e adaptáveis são a Dell, a Toyota e a Motorola, empresas que adotam múltiplas estratégias de mitigação de riscos para os diversos gargalos mapeados em suas respectivas cadeias de suprimentos.

Quais dificuldades podem surgir ao tentar mitigar riscos individuais?

Como visto acima, uma grande variedade de riscos pode ser identificada e, em geral, estes riscos estão interconectados. Isto significa que mitigar um deles pode, ao mesmo tempo, aumentar o impacto de um outro risco, e será necessária uma estratégia mais agressiva para mitigar, eliminar ou controlar este risco aumentado.

Um exemplo disto: a redução de estoques reduz o risco de perdas por depreciação e por demandas mais baixas que o previsto, ao mesmo tempo aumenta o impacto que um rompimento da cadeia de suprimentos pode causar. Além disso, as decisões tomadas por qualquer empresa que faça parte da cadeia de suprimentos podem afetar os demais membros da cadeia. Problemas como este, com várias soluções e estratégias possíveis, sujeitos a várias restrições, físicas, humanas e financeiras, são problemas onde podem ser utilizadas as mais diversas ferramentas e metodologias de otimização.

Dentro da metodologia de Logística Lean, uma das estratégias comumente adotadas é a utilização de um estoque dimensionado com um excesso que é calculado para atender a picos de demanda, mas que não provoque um sobre-estoque recorrente e desnecessário. Aqui na FM2S temos disponível uma planilha que realiza estes cálculos para você, com base no método Kanban de dimensionamento de estoques.

Assim, da mesma forma como agentes financeiros se protegem de problemas cambiais acumulando reservas, uma das formas de as empresas se protegerem de riscos na cadeia de suprimentos, em especial aqueles que envolvem os processos Inbound de recebimento de matéria-prima de seus fornecedores, é acumulando reservas de cadeia de suprimentos, o que pode ser feito por meio de excesso de inventário, excesso de capacidade e existência de múltiplos fornecedores.

O grande desafio para os gestores é essencialmente um problema de otimização de recursos: mitigar os riscos por meio do posicionamento inteligente dos “hubs” da cadeia de suprimentos e pelo dimensionamento das reservas da cadeia de suprimentos que permita obter o mínimo possível de estoques sem sofrer riscos de excesso de demanda ou falha de um dos pontos da cadeia de suprimentos.

Lembre-se de nunca perder de vista um dos pontos centrais da Logística Lean: enquanto que a manutenção de estoques diminui o risco de falha da cadeia de suprimentos ou excesso da demanda, construir reservas de forma indisciplinada ou sem uma metodologia clara como o Kanban aumenta muito os custos operacionais da empresa e prejudica os processos finais da cadeia de suprimentos, aqueles que vão conduzir o produto ao cliente.

Como este tema é bastante vasto, nos próximos dias escreveremos sobre tipos de riscos encontrados na cadeia de suprimentos e estratégias para identificação destes riscos. Até breve!

Se interessou pelo tema?

A gestão de estoques e a melhoria contínua da cadeia de suprimentos são de suma importância para manter o dinamismo e competitividade de seu negócio, especialmente em tempos de crise econômica, que necessitam do uso mais racional possível dos recursos disponíveis.

Para entender mais sobre este tema, não deixe de conferir nosso curso de Lean Logistics, onde você será apresentado aos princípios da gestão enxuta e eficiente tanto de estoques quanto da cadeia de suprimentos, além de aprender sobre diversas técnicas e indicadores, bem como sua gestão, de forma prática e aplicada! Também abordamos o assunto na Certificação Green Belt e na Black Belt e em diversos posts do Blog, bem como em ebooks que você pode baixar gratuitamente aqui no site.

por: Marco César Prado Soares – consultor associado FM2S e instrutor dos cursos EAD Lean Logistics e Excel

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