OKR: para que serve e como alavanca a sua carreira

OKR
17 de setembro de 2021
Última modificação: 30 de setembro de 2021

Autor: Victor Gabry
Categorias: Carreira

Uma ferramenta de gestão que promete agilidade e resultados, o OKR é o novo must no ambiente corporativo. Com uma história robusta de resultados e adeptos de peso no mercado, vem conhecer um pouco mais desse conceito.

O que é OKR?

OKR: Objective and Key-Results (Objetivos e Resultados-Chave) é uma ferramenta de gestão de crescimento e comunicação de objetivos em organizações. São mais famosos por terem sustentado o crescimento do Google, que usou a metodologia para crescer continuamente nos últimos 20 anos e virar o monstro do Vale do Silício que é hoje.

A história por trás do OKR se entrelaça com a Google: John Doerr, ex-CEO da Intel e então um dos investidores da startup reuniu os funcionários da empresa e apresentou o modelo. Ali ele já apresentava um dos fundamentos do OKR: a agilidade e a transparência dos objetivos entre colaboradores. Anos depois, aqueles 40 funcionários se tornariam 85 mil.

Uma pequena curiosidade: quem criou o OKR foi Andy Grove, CEO da Intel e colega de empresa de John Doerr. O próprio Grove, no entanto, ressalta que foi uma criação crowdsourced, isto é, criada a muitas mãos, justamente por se adequar a cultura de cada empresa.

Doerr indica uma fórmula de OKR: “Eu vou (insira meta), medindo o resultado por (insira métrica)”. Simples de decorar como a fórmula de Bhaskara, o propósito do OKR é transmitir objetivos claros e mensuráveis.

Qual o objetivo dos OKRs?

Os OKRs servem para focar a sua equipe em cumprir metas mensuráveis em um intervalo de tempo. Eles visam o crescimento, seja na quantidade, seja na qualidade do seu negócio, e clarificam o que você e seu time precisam fazer para chegar lá.

Podemos revisar um exemplo com uma corretora de investimentos, usando a fórmula acima: eu vou aumentar minha reputação no mercado (meta), através de mais tempo de leitura de minhas publicações (métrica um), mais entrevistas dadas a veículos de mídia (métrica dois) e mais menções espontâneas pelos pares (métrica três).

Logo, quando usar os OKRs fica claro: quando se precisa centralizar o seu time em torno de um objetivo que envolva crescimento. 

Quem pode usar os OKRs?

Todos. O OKR como uma ferramenta de gestão não está restrita a uma área de atuação ou a um perfil de segmento profissional. Administração, arquitetura, marketing, saúde, hotelaria, gestão, RH, financeiro, vendas, até mesmo a gestão pessoal pode ser melhorada aplicando-se o método OKR.

Isso ocorre pela flexibilidade do método em se adequar a diferentes perfis de indústrias (e o que você é se não o seu melhor empreendimento?). Ao prezar pela clareza, pelos resultados e pela mensurabilidade, a capacidade de mensurar quão longe ou quão perto se está de alcançá-los, ele pode ser aplicado a tantos contextos.

Imagine que você está mirando em um emprego novo, mais desafiador, em uma nova empresa. Para isso, reconhece que precisa tirar o currículo da gaveta e dar uma polida no seu LinkedIn. Sua meta está clara: conseguir o cargo na empresa maior. O que você precisa fazer (atualizar currículo, atualizar LinkedIn, estudar a cultura da empresa) serão seus objetivos, com fácil mensuração (um parágrafo do currículo por dia, duas publicações no LinkedIn na semana, ler três artigos sobre a empresa na semana…). E pronto: contratado.

Mas quem disse que é necessário sair? De olho em um cargo de gerência, você usa seus conhecimentos de OKR para impulsionar seus resultados. A natureza mensurável dos Resultados Chave já são um perfeito argumento para convencer o diretor que você merece o cargo. Você atinge sua meta de vendas, aumenta a margem de leads, e enfim, o convite para a sala nova.

Como funciona na prática?

A recomendação é que se trabalhe sempre com 3 a 5 objetivos, cada um com pelo menos 3 resultados-chave mensuráveis. Esses números não são por acaso, mas estão alinhados a um dos valores do OKR: o foco. Objetivos demais desmotivam a equipe – objetivos de menos não te colocam na zona de crescimento. Parece fácil, certo? Errado.

Temos a mania de confundir complexo com difícil e simples com fácil. Com o OKR acontece algo similar: o modo de pensar é simples, com uma fórmula que não ocupa mais de uma linha. Mas a aplicação já mexe em outros quesitos.

O assunto demanda maior profundidade, mas primeiro, temos que pensar que os OKRs são reproduzíveis em macroescala e em microescala. Assim, a corporação como um todo pode ter seus OKRs, que vão se refletir em OKRs distintos para cada time e cada colaborador, em um efeito cascata que torna mais transparente quais engrenagens giram em qual direção.

Exemplo de aplicação

Vamos exemplificar. Uma fábrica de laticínios no sudeste desenhou seus objetivos (O): expandir para o sul, aumentar a produtividade em 50% e baratear o custo de logística. Para isso pensou em alguns resultados-chave:

Para o objetivo de expandir para o sul, alguns resultados-chave seriam: abertura de uma fábrica, aluguel de dois galpões de distribuição e uma ação de marketing.

Três times estão diretamente envolvidos com esses resultados: o time de Administração, o Financeiro e o time de Marketing. Cada um dos resultados-chave será para esses times um objetivo. Vamos ver o time de marketing: para eles, o objetivo é uma ação de marketing que divulgue a marca.

Os resultados-chave que eles (marketing) vão observar serão: o sentimento majoritário em rede social após a campanha, o volume de menções espontâneas à marca em pesquisa de opinião e a geração de leads para uma página específica. É dessa forma que os OKRs da organização são escaláveis.

Erros comuns com OKR

A primeira e mais comum confusão quando se fala em OKR é uma relação de dualidade com KPIs. Já falamos dele em outros texto, mas o principal problema é ver ambos como opostos, quando não é o caso: Os KPIs, na verdade, serão seus aliados na hora de pensar um OKR.

Enquanto os OKRs são objetivos cujo alcance é mensurável, os KPIs, ou Indicadores-Chave de Desempenho (Key Performance Indicator) serão aquilo que você vai observar para ver se os resultados-chave (Key Results) estão sendo alcançados.

Um indicador-chave será uma métrica – conversões em um site, dias para entrega, volume de produtos fabricados. O resultado-chave será a distância entre essa métrica e o seu objetivo. Tratar os dois como antagonistas é o que chamamos de rookie mistakes: erro de principiante.

Outro erro comum é a não transparência. Para que o OKR funcione inteiramente, isso é, agregue valor e foque o seu time, é necessário que haja certa transparência ao longo da sua empresa. Inclusive se recomenda que os OKRs funcionem de maneira bottom-up – que os times tenham peso na hora de decidir seus objetivos de crescimento – mas isso varia de negócio a negócio.

Ferramentas para OKR

Ferramentas de gestão do tempo e organização no ambiente de trabalho são impulsionadores de produtividade. Algumas vão funcionar melhor com a lógica do OKR, seja pelo seu design intuitivo, seja pela própria flexibilidade do modelo. Abaixo listamos alguns softwares bem populares no mercado.

Indicamos: o Trello, dada a possibilidade de adequar metas, prazos, e a transparência em se saber no que cada time está dedicado. Sua interface é amigável e fácil de se adequar a diferentes empresas. Ser gratuito é um bônus a mais.

Contraindicado: Excel ou Google Sheets. Não recomendamos (de imediato). Embora tenham uma riqueza de recursos, esses formatos são mais complexos e podem prejudicar justamente a transparência da operação. Como os OKRs visam a simplicidade, é fácil de se enrolar.

Se puder… Existem ainda programas pagos como o Weekdone’s, Perdoo e 15five. Se puder bancá-los, ótimo. Os recursos costumam ser bem intuitivos e podem ser a adequação perfeita para que seu time comece a se aproximar do conceito de OKR.

OKR no currículo

Como dissemos, o OKR é simples, mas não é fácil. Sua aplicação deve ser feita com cuidado, correndo o risco de atrapalhar mais do que ajudar se for feito de qualquer jeito. Ter no currículo um curso de implementação e gestão de OKR pode fazer a diferença na hora de conseguir aquela promoção ou uma vaga tão desejada.

Para escolher um bom curso, verifique alguns quesitos: a existência de estudos de caso próximos do seu cotidiano, o uso de ferramentas usadas no mercado e a participação de professores qualificados para te orientar. 

Essa trinca já vale ouro, (30/09) será lançado o curso da FM2S sobre OKR – além dos conceitos, você vai ver como adequá-lo ao raciocínio do Lean Six Sigma, pegando aquele diferencial do mercado.

Leia mais no blog:

Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *