Markup: como usar no preço de venda do seu produto
Gestão Financeira

02 de janeiro de 2026

Markup: como usar no preço de venda do seu produto

Definir o preço de um produto ou serviço nem sempre é simples. Em empresas com muitos itens no portfólio ou alta rotatividade, essa tarefa precisa ser rápida, mas não pode ser feita no improviso.

É nesse cenário que o markup ganha relevância. Ele oferece um caminho para transformar custos em preços de venda, considerando despesas e a margem que o negócio precisa manter.

Neste conteúdo, vamos mostrar como o markup funciona, quando usar, como calcular e quais os cuidados mais comuns. Se o seu desafio envolve ganhar agilidade sem perder controle financeiro, essa leitura vai ajudar.

O que é markup?

Markup é um índice usado para calcular o preço de venda a partir do custo de um produto ou serviço. Ele mostra quanto precisa ser acrescentado ao custo para cobrir despesas da empresa e gerar lucro.

Esse método ajuda a manter o controle sobre a precificação. Em vez de depender apenas de comparações com a concorrência ou de achismos, o markup oferece uma base objetiva. O cálculo leva em conta gastos fixos, variáveis e a margem desejada, o que torna a formação do preço mais previsível.

Definição técnica do termo

Markup é um fator multiplicador aplicado sobre o custo unitário. Ele transforma esse valor no preço final de venda. Quando uma empresa define seu markup, está decidindo quanto precisa cobrar para manter as contas em dia e ainda lucrar.

É um índice utilizado em rotinas comerciais porque simplifica o processo e pode ser padronizado por categoria de produto ou serviço. Isso permite decisões mais rápidas e com menos margem para erro.

Diferença entre markup e margem de lucro

Markup e margem de lucro não significam a mesma coisa. O markup é usado para formar o preço, enquanto a margem mostra o quanto foi obtido de lucro sobre esse preço.

Por exemplo: um produto com custo de R$ 100 e markup de 50% será vendido por R$ 150. A margem de lucro, nesse caso, será de R$ 50 sobre R$ 150 — o que equivale a cerca de 33%, e não 50%. Confundir os dois pode levar a decisões erradas sobre precificação ou metas de faturamento.

Como calcular o markup corretamente

Calcular o markup é um passo direto, mas que exige atenção. O índice só funciona bem quando os custos são bem definidos e a margem desejada está alinhada com a estratégia da empresa. Sem isso, o preço pode parecer competitivo, mas comprometer o caixa.

Antes de aplicar qualquer fórmula, o primeiro passo é saber quais dados entram no cálculo. Deixar despesas de fora distorce o resultado e afeta o caixa.

Fórmula básica do markup

A fórmula usada para encontrar o markup costuma ser:

Markup = 100 / [100 – (despesas fixas + despesas variáveis + margem de lucro)]

Esse cálculo mostra quanto o custo precisa ser multiplicado para cobrir os gastos e gerar o lucro planejado. O resultado é um fator e não um percentual.

Por exemplo, se as despesas somam 60% e a margem desejada é 20%, o markup será:

Markup = 100 / (100 – 80) = 100 / 20 = 5

Nesse caso, o preço de venda será cinco vezes maior que o custo do produto.

Quais dados são necessários para o cálculo

Para que o markup funcione como ferramenta de precificação, três dados precisam estar bem definidos:

  • Despesas fixas: são os custos que permanecem mesmo quando não há vendas (salários, aluguel, sistemas, energia etc.).
  • Despesas variáveis: mudam conforme o volume vendido (comissões, embalagem, taxas de pagamento, frete, impostos sobre venda).
  • Margem de lucro desejada: é o percentual que a empresa espera obter acima dos custos.

Se um desses elementos for subestimado, o markup ficará distorcido. Isso compromete o resultado do negócio, principalmente em operações com margens menores.

Exemplo: do custo ao preço final

Imagine que uma empresa vende camisetas e quer precificar um modelo que custa R$ 20 por unidade. Após análise, definiu os seguintes percentuais:

  • Despesas fixas: 25%
  • Despesas variáveis: 15%
  • Margem de lucro: 20%

Somando: 25 + 15 + 20 = 60%

Markup = 100 / (100 – 60) = 2,5

Aplicando o markup de 2,5 ao custo de R$ 20:

Preço de venda = R$ 20 x 2,5 = R$ 50

Nesse caso, o preço cobre os custos e entrega a margem planejada. Esse modelo pode ser replicado para todos os produtos, desde que os percentuais sejam atualizados com frequência.

Quando usar markup na sua estratégia de preços

O markup funciona melhor quando a empresa precisa de agilidade para definir preços e tem controle sobre os custos envolvidos. Ele é útil em contextos onde a padronização facilita a operação, mas exige atenção quando o mercado é mais competitivo ou os produtos variam muito.

Negócios com muitos produtos ou serviços padronizados

O markup é uma boa escolha para empresas que trabalham com grande volume de itens semelhantes, como lojas de vestuário, papelarias, comércios de peças e serviços recorrentes. Nestes casos, os custos costumam seguir padrões e as variações entre produtos são pequenas.

Ao aplicar um índice fixo por categoria, a empresa ganha tempo, padroniza os preços e reduz a chance de erro. Isso é útil em operações com muitas unidades ou prazos curtos para atualizar os valores.

Mesmo assim, é importante revisar os percentuais com frequência. Custos logísticos, impostos e comissões mudam, e o markup precisa refletir essas alterações para manter os preços alinhados com a estratégia da empresa.

Vantagens em relação a outros métodos de precificação

Comparado a outros modelos, como precificação baseada em valor ou análise de concorrência, o markup é mais simples de aplicar. Ele não depende de pesquisas externas e pode ser calculado com dados internos.

Outra vantagem é a previsibilidade. Como o índice parte do custo, é possível saber de antemão qual será o lucro por unidade. Isso ajuda no planejamento financeiro e na definição de metas.

Além disso, o markup permite agilidade em empresas com rotatividade alta ou que lançam produtos com frequência. A lógica é direta e pode ser replicada sem depender de avaliações subjetivas.

Limitações do modelo em mercados com alta concorrência

Em mercados com concorrência intensa, o uso exclusivo do markup pode levar a preços fora do padrão do setor. Como ele parte do custo interno da empresa, o valor final pode ficar acima ou abaixo dos preços praticados por concorrentes diretos.

Se os custos forem mais altos que a média do mercado, o preço gerado pelo markup pode afastar clientes. Por outro lado, se a margem for muito ajustada para competir, o negócio pode operar com retorno insuficiente.

Nesses cenários, o markup ainda pode ser usado como referência, mas deve ser combinado com outros métodos. A comparação com preços de mercado e o entendimento do comportamento do cliente ganham peso na decisão.

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