PDCA ou PDSA? Quais são as diferenças e semelhanças?

PDCA
02 de março de 2017
Última modificação: 02 de março de 2017

Autor: Virgilio F. M. dos Santos
Categorias: Análise de dados, Melhoria de Processos, Seis Sigma

PDCA ou PDSA? Quais as diferenças e semelhanças?

O surgimento do PDCA e do PDSA

Walter Shewhart, conhecido como o “pai do controle estatístico de qualidade”, foi o primeiro a introduzir o conceito através do livro Statistical Method From the Viewpoint of Quality Control, publicado em 1939. Inicialmente, ele criou uma linha reta com três passos: especificação, produção e inspeção. Depois, revisou sua ideia, transformando-a em um ciclo. Como justificativa, Shewhart afirmou que pode ser útil pensar nos três passos do processo de produção em massa como o método científico. Nesse sentido, especificação, produção e inspeção equivalem à geração da hipótese, à realização de um experimento e de um teste das hipóteses levantadas. Desse modo, os três passos constituíram um processo científico dinâmico de adquirir conhecimento.

O conceito do Shewhart evoluiu e deu origem ao conhecido Ciclo de Shewhart. William Edwards Deming, famoso no movimento de qualidade, tinha acesso privilegiado aos conhecimentos de Shewhart, pois, aos 39 anos, editou uma série de aulas dadas por este no Departamento de Agricultura dos EUA, que se tornaria a base para o livro de Shewhart lançado em 1939. Deming, ao estudar o tema, modificou o conceito do Ciclo de Shewhart, que foi apresentado em 1950 durante um seminário de 8 dias no Japão, patrocinado pela JUSE (União Japonesa de Cientistas e Engenheiros).

Em sua nova versão do ciclo, Deming reforçou a importância da interação constante entre os quatro passos: design, produção, vendas e pesquisa. Além disso, enfatizou que os passos deveriam ser repetidos constantemente a fim de alcançar a qualidade do produto ou do serviço. Essa nova versão do ciclo ficou como “Ciclo de Deming” ou “Círculo de Deming”.

A evolução da roda de Deming e a criação do PDSA

De acordo com Masaaki Imai, pai da filosofia Kaizen, em seu livro Kaizen: The Key To Japan’s Competitive Success (1987), executivos japoneses reformularam a roda de Deming apresentada na JUSE, em 1950, para o Ciclo PDCA. Imai, porém, não informa quais executivos foram responsáveis pela reformulação ou como a roda de Deming foi traduzida no ciclo PDCA. O que se sabe é que o resultado dessa modificação criou o famosos Ciclo de PDCA, que tem os seguintes tópicos:

  • Plan: definir o problema e gerar hipóteses para as causas e soluções;
  • Do: implementar a solução;
  • Check: avaliar os resultados;
  • Act: retornar a fase do plan, se os resultados não forem satisfatórios, ou padronizar a solução, se os resultados forem satisfatórios.

O Ciclo PDCA também enfatiza a prevenção da recorrência do erro estabelecendo padrões e quais normas devem ser modificadas para solucionar o problema. Mais uma vez, houve a revisão e melhoria do ciclo: Kaoru Ishikawa, engenheiro de controle de qualidade, redefiniu o ciclo PDCA para incluir algo a mais na etapa do planejamento: determinar os objetivos e metas, além de estabelecer os métodos para alcançá-las.

Ademais, Ishikawa afirmava que um bom controle significava uma revisão constante dos padrões para refletir a voz do consumidor e suas reclamações, assim como as demandas do próximo processo. Assim, o conceito por trás do termo controle (kanri) deveria ser desdobrado por meio da organização.

O Ciclo PDCA, com as atualizações e melhorias feitas por Ishikawa, chega até o Instituto de Tecnologia de Tokyo em 1959, juntamente com as sete ferramentas básicas (Folha de Verificação, Histograma, Gráfico de Pareto, Diagrama Espinha de Peixe, Gráficos de Tendência, Diagrama de Dispersão e Estratificação). Assim, tornam-se o princípio central da qualidade japonesa, fundando a melhoria (kaizen) no Japão, além de serem utilizadas até hoje.

PDSA: a evolução do ciclo

Mais de 30 anos após a primeira revisão do Ciclo de Shewhart, Deming reintroduziu o assunto durante seu seminário de 4 dias em 1986. Além disso, ele alertou seu público que a versão do PDCA é frequentemente imprecisa, pois a palavra inglesa “check” significa reter, em inglês, to hold back. Por isso, mais uma vez Deming modificou, em 1993, o Ciclo de Shewhart, chamando-o de “Ciclo de Shewhart para o Aprendizado e a Melhoria – Ciclo PDSA”, descrito como um meio para aprender e melhorar produtos ou processos através dos passos Plan – Do – Study – Act.

PDSA ou PDCA

Ao longo dos anos, Deming tinha fortes crenças sobre o Ciclo PDCA e queria distingui-lo claramente do Ciclo de Deming, ou PDSA. Por isso, em uma discussão sobre qualidade de produto no U.S. Government Accounting Office, ao ser questionado sobre como os dois ciclos estavam relacionados, Deming afirmou que não há relação entre eles. O Ciclo de Deming é um programa de controle da qualidade, um plano para a gestão que deve seguir quatro passos: desenvolver, construir, vender e testar o produto ou serviço e repetir constantemente essas etapas.

Em 1990, Deming escreveu uma carta para Ronald D. Moen comentando sobre seu livro e deixando claro que o ciclo deveria ser chamado de PDSA e não o corrompido PDCA. Outra vez, em resposta a uma carta recebida em 1991, Deming comentou sobre o plan-do-check-act. “O que vocês propõem não é o Ciclo de Deming”, escreveu Deming e continuou “Eu não conheço a fonte desse ciclo que você está propondo, pois eu não tenho ideia de como surgiu o tal do PDCA”.

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Como evolui o Ciclo PDSA de Deming?

Em 1991, Moen, Nolan e Provost, autores do Quality Improvement Through Planned Experimentation, acoplaram mais elementos ao estágio Plan do PDSA, colocando a obrigatoriedade da descrição das predições e da teoria associada para fundamentá-las. Antes de iniciar o ciclo, deve-se dar os seus palpites e formular uma teoria para defendê-los. Os autores disseram que comparar os dados obtidos com a predição é a base para o aprendizado, já que o ciclo dedutivo-indutivo é necessário para o aprendizado, assim como determinado no método científico.

Isso não é suficiente para determinar que uma mudança resultou em melhoria durante um teste em particular. Conforme o conhecimento é construído, você precisa estar apto a predizer se uma mudança resultará em melhoria sobre diferentes condições que encontrará no futuro.

Três anos depois, o trio adicionou três perguntas da melhoria nesse tempero e criou o famoso Modelo para Melhoria, que é um framework para desenvolvimento, teste e implementação de mudanças. A abordagem suporta uma grande gama de esforços de melhoria, indo de mudanças informais, como ver e agir, até as mais complexas, por exemplo, projetos Lean Six Sigma

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Fontes: Circling Back – Clearing up myths about the Deming cycle and seeing how it keeps evolving – Ronald D. Moen and Clifford L. Norman.

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