O Método Científico na empresa

18 de novembro de 2016
Última modificação: 18 de novembro de 2016

Autor: Murilo Fms
Categorias: Seis Sigma

O que é o famoso método científico?

Neste post, vamos falar um pouquinho sobre o método científico, pois nós da FM2S acreditamos que esta é uma das mais importantes formas de se melhorar as coisas nas empresas.

Mas pera aí! O que o método científico tem a ver com empresas? Ele não é algo exclusivo da academia? Coisa de cientista?

É aí que você se engana!

O método científico é uma ferramenta de aprendizado. Entendendo como ele funciona, você poderá aprender melhor e mais rápido como realizar melhorias em sua empresa e no seu trabalho. A maioria das grandes filosofias aplicadas à melhoria de processos, como o Lean e o Seis Sigma, se baseiam na exatamente no “passo a passo” do método científico.

Nos próximos parágrafos, vamos explicar como se aplica o método, dando um exemplo prático. Se você quiser saber mais, pode se cadastrar em nosso curso grátis de White Belt, onde explicamos este passo a passo na forma de vídeo.

Como começou o método científico?

metodo cientifico

O método científico começa quando observamos um fato ou fenômeno de alguma forma. Em projetos de melhoria nas empresas, ele é normalmente representado por:

  • Um problema detectado no produto ou serviço;
  • Algumas (ou várias) reclamações de clientes;
  • Uma oportunidade de crescimento.

Em ciência, esse fato ou fenômeno pode ser a trajetória das estrelas no céu (que inspirou os astrônomos no desenvolvimento das mais importantes teorias), a manifestação de uma doença, um comportamento estranho em um conjunto de dados, etc.

Como criar uma hipótese?

metodo cientifico

Frente ao fato, começamos a analisá-lo e a tentar entendê-lo. Ao final desta análise, temos sempre uma teoria que explica o que está acontecendo. Na prática, em um projeto de melhoria esse desenvolvimento poderia acontecer da seguinte forma:

  • Pegamos uma peça metálica com problema;
  • Vemos que o problema é um risco grande e profundo que acontece apenas em um dos componentes da peça;
  • Analisamos que, no dia de produção do componente, a máquina responsável pela sua manufatura estava com uma sujeira em uma de suas partes;
  • Desenvolvemos a hipótese: o risco foi proveniente daquela sujeira.

Este é um exemplo relativamente simples. Dependendo da complexidade dos fatos apresentados, podemos usar ferramentas de análise complexas (como análises de regressão linear, análises de fenômeno, etc.). O que dita se vamos fazer uma análise simples ou sofisticada é o grau de conhecimento que temos sobre o fenômeno. Quanto
maior o conhecimento, provavelmente melhor será a complexidade da análise. Quanto menor, mais análises serão necessárias para construirmos o conhecimento suficiente para desenvolvermos boas mudanças.

Como extrapolar uma hipótese?

metodo cientifico

Com base na hipótese, elaboramos uma predição: por exemplo, como o processo vai se comportar após a mudança.

A extrapolação da hipótese, naturalmente, gera predições. Pensando no caso da nossa peça: uma vez que elaboramos uma teoria de que o risco é causado pela sujeira na máquina, intuitivamente pensamos em remover a sujeira. A predição é que, uma vez removida a sujeira, o risco não irá mais aparecer. É exatamente isso que fazemos no método científico: a partir de uma hipótese, elaboramos uma teoria e por meio dela, predições (ou palpites).

O bom é a teoria elaborada para fundamentar a hipótese, pode ser extrapolada e gerar predições em diferentes áreas, inclusive naquelas que não foram usadas para a formulação original. Em outras palavras, saber que sujeiras  provocaram o risco naquela peça, pode nos dar a predição de que a mesma máquina suja pode produzir outros tipos de peças defeituosas, ou que qualquer máquina que produza peças com riscos está suja.

Extrapolar a hipótese em predições interessantes é um exercício de curiosidade e criatividade. Temos que nos manter atentos e ávidos para identificar essas possibilidades. Entretanto, predições podem ou não ser reais. A predição é gerada por meio de uma teoria. Se a teoria não estiver correta, nossa predição também não estará. Por isso precisamos realizar um experimento para testar se a teoria está correta, comparando o resultado obtido com a predição.

Como voltar à realidade?

metodo cientifico

O quarto passo do método científico é a experimentação. Nesta etapa, verificamos se as nossas predições são reais ou não. Para isto, criamos um ambiente controlado e realizamos mudanças para observar o resultado.

Em nosso exemplo, tínhamos a predição: “se limparmos a máquina, o risco irá sumir”. Um bom experimento para verificar isso seria selecionar uma máquina semelhante, limpá-la de uma maneira padronizada (esse padrão poderá, inclusive, ser usado depois, caso o experimento seja bem-sucedido), e observar, após uma amostragem de 1000 peças, se há alguma com risco semelhante ao previamente reportado.

Se não houver, aumentamos o grau de convicção de que a nossa teoria era boa, portanto podemos extrapolá-la (levar para outras máquinas, etc.). Caso ainda apareçam riscos, temos que rever a hipótese e as condições do experimento (será que o risco não tem nada a ver com a sujeira ou será que apenas o nosso procedimento de limpeza não era
adequado?). De qualquer maneira (se o experimento der certo ou errado) ganhamos conhecimento específico e sólido sobre o que estamos trabalhando.

Notem que um bom experimento testa mais de uma predição ao mesmo tempo. No caso acima, testamos duas: a de que o risco era causado pela sujeira e de que o procedimento de limpeza iria remover a sujeira. Se vamos testar mais de uma predição, em geral precisamos coletar mais de um dado, por isso é bom deixar claro todos os dados que iremos coletar durante a condução do experimento. Experimentos custam, por isso temos que explorá-los ao máximo.

Como reformular a hipótese?

metodo cientifico
Realizado o experimento, analisamos novamente os dados obtidos e reformulamos a teoria. Todos os experimentos geram uma nova rodada de dados. A partir desses dados, reformulamos nossa teoria.

Em nosso exemplo com a peça, após o experimento podemos ter os seguintes fatos:

  • O risco não sumiu, mas apareceu menos vezes.
  • As peças com defeito apareceram apenas na segunda metade do experimento.
  • A máquina antes do experimento estava limpa.
  • A máquina ao final das corridas estava suja.

Esses fatos indicam que:

  • O defeito pode ainda estar relacionado com a sujeira.
  • O procedimento é capaz de limpar a máquina.
  • A máquina está sujando ao longo da produção.

Com isso, temos uma nova hipótese: a sujeira é gerada ao longo das rodadas e está relacionada com o defeito.

Para testar essa hipótese, podemos pensar em um novo procedimento que limpe a máquina ao longo de seu funcionamento. Podemos também direcionar a nossa análise para tentar entender “Por que a sujeira se forma? ”. Essa pergunta, irá gerar outras hipóteses bem sofisticadas e novas predições. Em geral, predições são formuladas por
meio de perguntas bem-feitas.

E a ciranda gira…

metodo cientifico

O método científico consiste em repetir esses passos de observação, análise, elaboração de hipótese, predição, experimento até que formamos uma teoria sólida. Sempre podemos contestar a hipótese vigente. Isso, em ciência, acontece todos os dias e em projetos de melhoria, também. Quando elaboramos uma cultura de contestar o status
quo dos processos por meio do ganho de conhecimento específico, temos o que chamamos de melhoria contínua.

Devemos lembrar, entretanto, que projetos de melhoria usualmente possuem começo meio e fim. Portanto, normalmente paramos as ações intensivas uma vez que encontramos a solução para o problema inicial, ou uma boa estratégia para abraçar a oportunidade inicial. Isso também não nos impede de passar o “espírito” da melhoria por meio da geração de conhecimento específico (PDSA) para as pessoas permanentemente envolvidas naquele processo. Se eles souberem aplicar o método científico, irão melhorar mais e mais o processo, possivelmente gerando inovações radicais na maneira como as coisas são feitas. Tal modelo obteve imenso sucesso ao ser utilizado e  propagado pela Toyota.

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