Como atua um diretor de melhoria contínua?

como se tornar diretor de melhoria contínua
05 de setembro de 2021
Última modificação: 10 de setembro de 2021

Autor: Ana Delforno
Categorias: Carreira

Projetos Lean Seis Sigma, se aplicados corretamente, diminuem desperdícios e podem gerar bilhões na economia de uma empresa. Dessa forma, muitos profissionais têm interesse na área, mas não sabem claramente como avançar na carreira e chegar ao cargo de diretor de melhoria contínua. 

Pensando nisso, o diretor de negócios da FM2S, Virgilio Ferreira, convidou Ari para uma conversa sobre como utilizar o Lean Seis Sigma na prática e engajar equipes. Nosso entrevistado conta como foi de um trabalhador em uma barraca de praia à Diretor Global (em Nova Iorque) de Lean Seis Sigma em uma das maiores multinacionais do mundo no ramo de bebidas.

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Como iniciar a carreira de diretor de melhoria contínua?

Primeiramente, Virgilio pediu para que Ari começasse contando um pouco sobre sua história e como iniciou sua jornada de trabalho.

“Eu sou baiano, sou formado em administração de empresas, lá em Salvador, minha primeira experiência corporativa foi numa barraca de praia, (…) eu era o caixa, responsável pelo atendimento e pela grana. Essa foi minha primeira experiência, depois eu fiz um estágio num banco também em Salvador (…). Naquela época ainda não existia as unidades de resposta audíveis. Então, era tudo, uma pessoa ali formando saldo e uma porção de coisas e depois entrei nessa grande empresa lá atrás. E passei quase vinte e três anos da minha vida trabalhando nessa mesma empresa, exercendo várias funções diferentes. Quinze, desses vinte e três anos na área comercial, vendas e trade marketing, e acabei parando lá em Nova Iorque nessa posição global de melhoria contínua. Acho que muito por um trabalho que a gente fez aqui no Brasil, num grande centro de serviços compartilhados dessa empresa” conta, Ari.

Melhoria contínua se aplica apenas na indústria?

Muitas pessoas concluem que Lean Seis Sigma pode ser aplicado apenas na indústria. Dessa forma, Virgilio perguntou como Ari enxerga a melhoria contínua no método em si e como ele aplicou na parte de vendas e de serviços.

“Depois de tanto, eu não consigo me imaginar ou imaginar uma grande companhia sem obviamente a implementação de um método. E pode ser o método A, B, C, quer dizer, o melhor método é aquele que você efetivamente consegue utilizar pra gerar resultados. (…) E essa história do método foi uma maneira que eu me encontrei nessa companhia que eu trabalhava, de tirar você da sua zona de conforto e te colocar numa área completamente diferente”, diz Ari.

Ele ainda comentou sobre os desafios que enfrentou ao assumir o cargo: “Imagina, eu saí do meu dia a dia de acompanhar volume de vendas da área comercial e parti para um centro com setecentas pessoas (…) primeiro dia que eu sentei nessa cadeira eu falei assim, cara, o que que eu vou fazer aqui? O que que eu posso agregar aqui? São duas coisas: eu posso agregar, obviamente, com a questão de gestão e com a questão de pessoas. (…) Eu não vejo uma empresa hoje (…) funcionando bem sem pessoas engajadas e sem uma gestão apropriada. E foram esses dois pilares que eu pude mais contribuir nessa minha gestão lá. Foi um resgate, um pouco da definição dos processos, de definição das rotinas e, obviamente, ter as pessoas corretas nas atividades corretas e pessoas engajadas”, comenta Ari.

Como manter todos os funcionários engajados?

Virgilio comentou que todos que trabalham com melhoria, em geral, são muito especialistas na área. Mas é muito importante também saber como liderar e engajar as pessoas para que caminhem juntas em um objetivo e cheguem ao resultado esperado. Dessa forma, perguntou ao Ari sobre como gerir pessoas.

“Para que a gente tenha os nossos clientes satisfeitos, os nossos serviços precisam ser de qualidade. Então, os nossos acordos que a gente fazia tinham que ser muito bem definidos, e a gente está preocupado em atender o cliente. Então assim, os nossos processos são importantes, os padrões são importantes, tudo isso é muito importante para a sobrevivência de um centro no longo prazo. Afinal de contas, a gente precisa dar sustentabilidade a isso. (…) Um dos desafios grandes que a gente teve foi saber qual a medida da flexibilização. Porque o cliente quer tudo pra ontem e tudo da melhor maneira possível. Você tem todo um processo a ser seguido. Processos esses que são inclusive processos legais. Que você não pode deixar de cumprir prazos em algumas áreas, ou pagar fornecedores, se não separar a empresa”, contextualizou Ari.

Em seguida, o convidado refletiu sobre como engajar os funcionários: “Então, assim, a primeira questão pra efetivamente colocar todo mundo numa mesma direção, que esse eu acho que é um dos principais pontos de uma liderança, é como você alinha a sua equipe, o seu time, a sua unidade, para trabalhar em linha com que é o direcionamento da empresa. E essa foi a maneira que a gente encontrou. E dizer o seguinte, a partir de hoje a gente vende um produto que é muito importante para um cliente muito exigente que é aqui a nossa empresa. Então, é criar essa mentalidade de ser o atendimento. Da gente precisar conquistar e reconquistar aquele cliente a cada dia”, reforçou Ari. 

Como implementar melhoria de processos na prática?

Virgilio perguntou como se deu o processo de implementação de melhoria de processos e se foi difícil para a equipe aceitar essa mudança.

“Eu acho que isso obviamente acontece com a medida que a gente vai entendendo um pouco mais o negócio, mas é assim, os incêndios existem e sempre vão existir. Então, uma coisa também que é muito importante é você se preocupar com as coisas que são efetivamente urgentes daquelas coisas que são importantes. Essa diferenciação coloca você numa linha do tempo e dá para você fazer um cronograma (…) obviamente que isso não aconteceu do dia pra noite, é uma dificuldade grande, mas você tem que ter isso mapeado, saber de que etapa, essa macro participa naquele processo e você enxergar o que você precisa modificar pra tornar aquilo sustentável. Que, enfim, eu saindo, você saindo, o cara que desenvolveu a macro saindo, que o processo continue rodando”, comentou Ari.

Como planejar uma carreira de diretor de melhoria contínua?

Muitas pessoas gostam de melhoria contínua e tem o sonho de trabalhar na área. Pensando nisso, Virgilio perguntou qual dica Ari daria para quem está começando e quais foram os passos fundamentais ao longo da sua carreira.  

“Eu acho que obviamente não tem uma trilha só. As pessoas podem chegar em vários lugares percorrendo caminhos bem diferentes. (…) Uma das coisas que eu acho que cada pessoa que está começando tem que saber, é a importância de que você não faz nada sozinho. Isso é uma é coisa que eu trago comigo desde sempre. (…) Eu acho que um verdadeiro líder é aquele que sabe que realiza as coisas através da equipe. E que tenta obviamente facilitar esse caminho. (…) Se você consegue pulverizar o seu conhecimento em quinze, dez, vinte, cem pessoas, com certeza você faz o seu o seu resultado crescer exponencialmente”, refletiu Ari. 

Qual é o papel de um diretor de melhoria contínua?

Virgilio comentou que, para um profissional de melhoria contínua, muitas vezes a motivação é o trabalho técnico. Mas para um diretor dessa área, os focos são diferentes e perguntou qual é seu papel na equipe. 

“É gente trabalhando junto com você, não porque tem um salário no final do mês pra receber, é porque está ali fazendo parte de um sonho, está engajado efetivamente com aquele objetivo. Quer saber que isso faz parte da sua carreira, da sua promoção e que vai deixar uma realidade melhor do que aquela que você assumiu, para que a pessoa que chegue depois, continue nesse processo de melhoria. (…) O bom gestor é aquele que sabe que gente dá trabalho. (…) e gente boa dá mais trabalho ainda, porque você vai ser questionado, a pessoa vai questionar o porquê que faz isso daquele jeito, o porquê que não faz de outro jeito. Você tem que ter a paciência para explicar, pra convencer ou pra reconhecer que ela tem razão e modificar as coisas” comentou Ari.

Comentou ainda sobre como deve ser o papel do diretor: “Uma das principais características que o líder deve ter é abrir caminho, facilitar a vida do seu time pra que as pessoas possam efetivamente trabalhar. Eu via nesses momentos de interação onde eu sentava mesmo para entender desde a atividade mais operacional quanto a mais complexa, me dedicava um pouco a isso, mas era pra entender o quê? Quais são os gargalos aqui? O que que está impedindo produzir mais? O que está impedindo essa equipe aqui de chegar numa solução? (…) Essa minha capacidade ali, naquela posição que eu exercia de facilitar a vida das pessoas tirando algumas catracas, quebrando alguns muros pra que as pessoas pudessem deslanchar e produzir melhor”, comentou Ari.

Como manter a ordem da equipe?

Virgilio comentou que muitos líderes são um amplificador de ansiedade, que acabam gritando e não sabem como lidar com os subordinados. Mas que Ari era o contrário, era um filtro de ansiedade. Dessa forma, perguntou a ele como fazia para gerir a equipe.

“O método e a gestão é o que me ajudavam muito nessa questão da ansiedade. Separar a gravidade do problema, da situação. Na medida que você sabe, qual o meu objetivo principal, quais são as metas e eu tenho certeza que as minhas metas estão alinhadas com a meta da companhia como um todo. Esse incêndio que está aqui, vai realmente impactar nisso? Se vai impactar, merece um determinado tratamento. Se não vai impactar, eu não deixo nem esse fogo chegar. Eu já apago ele ali, a vida que toca, depois eu assumo a responsabilidade com quem me pediu aquilo. O que me ajudou muito nessa questão das ansiedades e da gritaria,  nesse processo de filtrar, foi método, rotina, os processos, quer dizer, foi entender realmente o que é que é relevante. Ou o que é só um ruído passageiro”, afirmou Ari.

Como criar uma cultura de melhoria contínua?

Virgilio comentou que na maioria das empresas o processo de melhoria fica muito restrito a especialistas, mas que no setor em que Ari geria todas as pessoas comentavam sobre o assunto, falavam sobre PDSA, auditoria de processo, etc. Então perguntou como promover essa cultura.

“Eu acho que a gente conseguiu naquele momento que as pessoas conseguissem enxergar realmente o valor. A gente sabe que método, rotina, gestão não é uma coisa que acontece da noite da noite pro dia. (…) Às vezes as pessoas até confundem, acham que o é que vai fazer a sua gestão acontecer ou seu processo acontecer, mas na verdade, não. Na verdade, você tem que ter a gestão, tem que ter o processo e vai avaliar a implementação de um sistema pra fortalecer isso. Se você fizer o contrário, grande chance de dar errado, porque o sistema por si só não vai fazer nada por você”, comentou Ari.

O que é preciso saber para se tornar um diretor de melhoria contínua?

Por fim, Virgilio pediu qual dica ou opinião Ari deixaria para quem gosta de melhoria, quer implementar, ou que quer ser um líder.

“Cara, eu acho assim, a dica é assim, se não tá dando certo, tem duas possibilidades. Uma talvez você esteja querendo colher resultado muito antes da hora ou alguma coisinha precisa ser ajustada, mas método, gestão e pessoas pra mim é a receita básica pra qualquer coisa efetivamente dar certo. Noventa e cinco por cento das coisas acontece com muita transpiração. E a grande dica que eu dou é: não desista. Se você está fazendo o certo, se você está seguindo um método, uma gestão com a visão clara do que é o objetivo principal da sua empresa, se suas metas estão levando para esse objetivo, insista na gestão da rotina bem feita, porque eu não tenho dúvida alguma de que isso dá resultado”, afirmou Ari. 

Se interessou pelo assunto? 

Você pode assistir o vídeo na íntegra no nosso canal da FM2S no YouTube! Confira a primeira parte da entrevista:

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