Sistema organizacional: entropia, energia e sucesso

12 de janeiro de 2019
Última modificação: 14 de janeiro de 2022

Autor: Virgilio Marques Dos Santos
Categorias: Melhoria de Processos

Se você quiser entender como algo realmente funciona e o que o torna bem-sucedido, não é suficiente dividi-lo em seus componentes individuais. Em vez disso, você precisa ver como ele funciona como um sistema.

Por definição, é uma série de elementos interativos, inter-relacionados ou interdependentes que formam um todo complexo. E não há absolutamente nada em que você possa pensar que não seja um sistema.

Como sistemas têm sucesso para realizar trabalho?

Por exemplo, você é um sistema (especificamente, adaptativo ou vivo complexo). Você tem um corpo, que é um sistema físico composto de outros sistemas (imunológico, circulatório, digestivo, etc.). Se fôssemos olhar atentamente para qualquer um desses, veríamos que eles são compostos de sistemas ainda menores.

E, claro, seu sistema físico também é um elemento em um sistema maior. Você tem um sistema mental e emocional; você faz parte de um sistema familiar, de um sistema comunitário, de um sistema econômico, de um sistema governamental, de um sistema ecológico e planetário e assim por diante. Tudo é um sistema.

Então, quando se trata do estudo do que torna algo bem-sucedido, o que estamos realmente perguntando é o que faz com que um sistema adaptativo complexo falhe ou tenha sucesso. Sucesso significa simplesmente que o sistema (por exemplo, você, sua família, sua empresa ou o que você escolher para identificar como o sistema) atinge um objetivo desejado.

Falha significa que não. Ganhar o Brasileirão… ser feliz… ganhar um bilhão de dólares – contanto que você possa medi-lo quantitativa ou qualitativamente, é uma definição válida de sucesso. E como tudo, grande ou pequeno, é um sistema, podemos usar os mesmos princípios universais para entender se é provável que falhe ou seja bem-sucedido. Isso é bem legal.

O que realmente faz com que algum sistema falhe ou tenha sucesso? A resposta é o Gerenciamento de energia do sistema. Isso significa exatamente o que parece: O Gerenciamento de Energia do Sistema define como a energia se comporta dentro de um sistema.

Como as leis da termodinâmica ajudam a entender os sistemas?

Duas leis da física ditam como a energia é usada dentro de um sistema. Elas são chamadas de primeira e segunda lei da termodinâmica. Engenheiros usam as leis da termodinâmica para projetar tudo, desde prédios e pontes até microchips e naves espaciais.

Também podemos usar essas mesmas leis para entender como a energia se comporta dentro de uma organização.

Primeira Lei da Termodinâmica

A Primeira Lei da Termodinâmica determina, basicamente, que “a energia se conserva”. Isso quer dizer que nos processos físicos a energia não se perde, ela se converte de um tipo em outro.

Por exemplo, uma máquina utiliza energia para realizar trabalho e nesse processo a máquina aquece. Ou seja, a energia mecânica está sendo degradada em energia térmica. A energia térmica não se transforma novamente em energia mecânica (se isso acontecesse a máquina nunca deixaria de funcionar), portanto, o processo é irreversível.

Quer estejamos nos referindo à sua família ou à sua empresa, isso tem uma quantidade finita de energia utilizável disponível para ela. A fim de obter energia nova, o sistema deve adquiri-lo a partir do ambiente circundante – assim como você deve obter comida da geladeira ou sua empresa deve obter vendas de seus clientes.

Segunda Lei da Termodinâmica

Em termodinâmica, entropia é a medida de desordem das partículas em um sistema físico. Utiliza-se a letra S para representar esta grandeza. Comparando este conceito ao cotidiano, podemos pensar que, uma pessoa ao iniciar uma atividade tem seus objetos organizados, e a medida que ela vai os utilizando e desenvolvendo suas atividades, seus objetos tendem a ficar cada vez mais desorganizados.

Voltando ao contexto das partículas, como sabemos, ao sofrem mudança de temperatura, os corpos alteram o estado de agitação de suas moléculas. Então ao considerarmos essa agitação como a desordem, podemos concluir que:

  • quando recebe calor Q>0, sua entropia aumenta;
  • quando cede calor Q<0, sua entropia diminui;
  • se não troca calor Q=0, sua entropia permanece constante.

Segundo Rudolf Clausius, que utilizou a ideia de entropia pela primeira vez em 1865, para o estudo da entropia como grandeza física é mais útil conhecer sua variação do que seu valor absoluto.

Observando a natureza como um sistema, podemos dizer que o Universo está constantemente recebendo energia, mas não tem capacidade de cedê-la, concluindo então que a entropia do Universo está aumentando com o passar do tempo.

A segunda lei da termodinâmica é chamada “Entropia”. Isso nos diz que todo sistema se desfaz ao longo do tempo. Não importa o quanto tentemos, não há como escapar da força irresistível da entropia.

Você, eu e tudo no universo estão finalmente desmoronando ao longo do tempo devido à entropia. Envelhecimento, desintegração, deterioração e desordem são sinônimos de entropia. Ele está constantemente corroendo um sistema por dentro.

Quando o sistema organizacional recebe calor, ou energia? Quando recebe recursos, sejam eles financeiros, gente, etc. Então, sempre que há um aporte na empresa ou a entrada de novos colaboradores, a desorganização aumenta. E quando o sistema perde calor, ou a empresa perde recursos (produtos acabados, pessoas, etc) a entropia diminui.

Mas qual o significado?

A “desordem” não deve ser compreendida como “bagunça” e sim como a forma de organização de sistema. O conceito de entropia às vezes é aplicado em outras áreas de conhecimento com esse sentido de desordem, que mais se aproxima do senso comum.

Por exemplo, vamos imaginar três potes, um com pequenas bolinhas azuis, outro com o mesmo tipo de bolinhas só que vermelhas e o terceiro vazio. Pegamos o pote vazio e colocamos por baixo todas as bolas azuis e por cima todas as bolas vermelhas. Dessa maneira, as bolas estão separadas e organizadas pela cor.

Ao balançar o pote, as bolinhas começaram a se misturar de forma que num dado momento não existe mais a separação inicial. Mesmo que continuemos a balançar o pote, dificilmente as bolinhas voltarão a ficar na mesma organização inicial. Ou seja, o ordenado (bolinhas separadas por cor) se tornou um sistema desordenado (bolinhas misturadas).

Para entender como as leis da termodinâmica se encaixam na teoria organizacional, lembre-se acima de tudo de que todo sistema tem uma quantidade finita de energia potencial e que todo sistema está desmoronando ao longo do tempo. Simples. Agora que você conhece essas duas leis, pode começar a usá-las para entender se sua organização provavelmente falhará ou terá sucesso.

Qual é a fórmula para o sucesso do sistema?

A princípio, a fórmula universal de sucesso mostra que o sucesso é apenas uma função de duas coisas: integração sobre a entropia. Mas vamos definir os termos e depois explicar como isso funciona. Como você já sabe, o sucesso é qualquer objetivo que você deseja atingir: ganhar muito dinheiro, se apaixonar, estar em forma e saudável, criar uma família, fazer negócios ou até mesmo ganhar o uma rodada de truco. Não importa como você define.

A integração é uma medida da quantidade de energia que o sistema está recebendo de seu ambiente. A energia, neste caso, é algo útil e desejável que possa ser produtivo na busca do sucesso (por exemplo, dinheiro, recursos, influência, etc.). Alta integração é boa. Baixa integração é ruim. Por quê?

Porque quando há alta integração entre um sistema e seu ambiente, alinhou suas capacidades com as oportunidades e está extraindo energia disponível. Pode usar essa energia para ser bem-sucedido. Se não houver integração, não haverá energia nova disponível para o sistema e ela falhará.

Mas e a Entropia?

Em suma, a entropia na fórmula indica a quantidade de energia necessária para mantê-lo organizado, tomar decisões e realizar o trabalho. Entropia baixa é boa. Entropia alta é ruim.

Por quê? Sabemos, a partir da primeira lei da termodinâmica, que, em qualquer dado momento, a quantidade de energia disponível utilizável para é finita. Dessa forma também sabemos, pela segunda lei da termodinâmica, que a força da entropia está constantemente consumindo um sistema.

E aqui é onde fica profundo: a energia disponível para deve sempre fluir primeiro para gerenciar suas necessidades de entropia. Somente depois que essas necessidades forem atendidas, e se alguma energia for deixada, ela será disponibilizada para integração.

Portanto, quanto maior o nível de entropia, menor o nível de sucesso. E se a entropia ficar muito alta, o sistema perecerá e falhará, pois sem organização, não é possível utilizar a energia dele para realizar trabalho.

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2 Comentários

  • Antonio Neto disse:

    Muito legal a sua analogia. Tenho percepção muito semelhante, mas infelizmente é quase impossível mostrar às pessoas, atualmente, que energia e trabalho geram movimento na direção planejada quando não há desperdício em cosméticos.
    É um desafio trabalhar com uma maioria de pessoas de desconhecimento predominante após 30 anos sem Educação Básica.
    Quase todo mundo tem pavor de Física e não se faz ideia das correlações entre Ciência e Sociedade.
    Termodinâmica soa como incompreensível. Entropia, então, só no inconsciente dominante. Já tentei usar como referência, mas ninguém vê ordem variável, além de uma fila ou sequência aritmética.
    Para piorar, destina-se mais recursos para iluminar o próprio ego do que na evolução do Sistema. Narciso manda na pós modernidade. A era do 24 h Online ilude as pessoas com o que Einstein considerava um perigo: “o pouquinho de conhecimento”.
    Tudo isso faz do pensamento real um lobo solitário. Ou não?

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