DRE – Demonstração do Resultado do Exercício

DRE
07 de junho de 2020
Última modificação: 07 de junho de 2020

Autor: Guilherme Mendes
Categorias: Blog, Gestão Financeira

DRE

Dentre as diversas obrigações contábeis de uma empresa, a DRE (Demonstrativo de Resultados do Exercício) é uma das mais importantes e consiste em um dos instrumentos mais simples e poderosos que há disponível para analisar os resultados de uma companhia, além de indispensável. Em geral é realizado por profissionais da área de finanças ou controladoria e é um índice aliado ao empreendedor, por isso, saber usá-lo é de extrema importância.

Em linhas mais diretas, o DRE basicamente confronta os dados de receitas e despesas de um negócio, mostrando o resultado líquido do desempenho de uma empresa em valores monetários. Vamos conferir agora, o que é um DRE no detalhe, para que serve e um passo a passo de como realizá-lo além de seus benefícios.

O que é DRE?

A Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) é um documento que tem como objetivo fornecer, de uma maneira pré determinada, os resultados (lucro ou prejuízo) de uma empresa em determinado exercício social que são enviados para contas de patrimônio líquido. O lucro ou prejuízo resulta de despesas e receitas da empresa em um determinado período.

Essa demonstração é feita em uma sequência de vários elementos determinada por uma legislação e resulta no status financeiro de uma empresa. A partir do DRE é possível retirar informações importantes como o custo das despesas gerais de uma organização, valor total de vendas de produtos/serviços prestados, incidência de impostos sobre produtos/serviços, níveis de endividamento e muitos outros.

Os dados e análises do DRE também não estão restritos a operações legais ou fiscais, também sendo utilizados para uma boa governança corporativa, visões estratégicas do negócio e questões jurídicas. Vamos conferir um pouco da estrutura do DRE e seus significados.

Receita bruta e líquida de vendas/serviços

A Receita Bruta refere-se ao valor nominal total das vendas de bens ou dos serviços prestados pela empresa, no exercício social considerado, antes de qualquer desconto/dedução. Da receita bruta devem ser deduzidos diversos valores que efetivamente não pertencem à empresa, tais como impostos indiretos (IPI, ICMS, etc.), descontos e abatimentos, entre outros. Com isso se obtém a receita líquida de vendas e serviços, ou seja, temos a seguinte situação:

(+) Receitas de Vendas
(-) Deduções de impostos
(=) Receita Líquida

Custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados

Representam todos os custos oriundos do processo de fabricação, venda ou prestação de serviços. Esse custo assume diferentes nomes de acordo com a natureza da atividade empresarial. Nas indústrias é chamado de CPV – Custo do Produto Vendido, no comércio a nomenclatura é CMV – Custo da Mercadoria Vendida. Após a dedução destes valores da receita líquida, obtemos o Lucro Bruto.

O Lucro Bruto é calculado pela diferença entre as Receitas Líquidas de Venda e os CPV’s/CMV’s. No caso de uma empresa prestadora de serviços, esse lucro fica sendo a diferença entre a Receita Líquida e o Custo dos Serviços Prestados, como visto na estrutura abaixo:

(=) Receita Líquida
(-) CPV’s/CMV’s
(=) LUCRO BRUTO

A partir disso o lucro bruto é usado para pagar despesas que vão desde despesas operacionais, impostos (imposto de renda) e remuneração dos proprietários pelo lucro gerado.

Despesas de Vendas e Administrativas

Aqui são inclusas as despesas recorrentes da distribuição e venda e também da gestão de seus negócios. São despesas denominadas como operacionais e que se dividem em despesas de vendas e administrativas.

As despesas operacionais são compostas por:

  • Despesas com vendas;
  • Despesas gerais e administrativas;
  • Despesas Financeiras Líquidas de Receitas Financeiras;
  • Outras Receitas e Despesas Operacionais.

Assim adicionamos à estrutura:

(-) Despesas/Receitas Operacionais
(-) Despesas Gerais e Administrativas
(-) Despesas com Vendas

Despesas Financeiras Líquidas

A lei que envolve as empresas de capital aberto, ou seja, S.A. entendeu por considerar despesas financeiras e também as receitas, como itens operacionais, apresentando estas por seu valor líquido. Desta forma, do montante das despesas financeiras incorridas pela empresa no período são deduzidas as receitas financeiras auferidas. Obviamente que, caso as receitas superem as despesas, teremos receitas líquidas financeira, assim como a título de ilustração vou considerar adicionar à estrutura ambos os casos:

(+) Receitas Financeiras
(-) Despesas Financeiras

Outras receitas/despesas operacionais

São compostas de itens que não se enquadram como despesas de vendas, administrativas e financeiras. No sentido restrito, podem ainda não ser identificadas como operacionais. Nesse grupo estão inclusos dividendos recebidos, variações nos investimentos avaliados por equivalência patrimonial, entre outros, adicionando a nossa estrutura os seguintes tópicos:

(-) Outras Receitas Operacionais
(-) Outras Despesas Operacionais
(=) Resultado Operacional

Resultado líquido antes de participações e contribuições

Consiste no lucro após os descontos de IR e contribuições sociais e, como o próprio nome diz, em seguida existem os descontos de participações e contribuições e as receitas reversas dos juros sobre o Capital Próprio, culminando no resultado, chamado lucro ou prejuízo ou também denominado Resultado Líquido do Exercício. Desta forma a estrutura completa fica conforme colocado abaixo.

Estrutura para Demonstração do Resultado do Exercício – DRE

RECEITA BRUTA DE VENDAS/SERVIÇOS

(+) Receitas de Vendas
(-) Deduções de impostos
(=) RECEITA LÍQUIDA
(-) CPV’s/CMV’s
(=) LUCRO BRUTO
(-) Despesas/Receitas Operacionais
(-) Despesas Gerais e Administrativas
(-) Despesas com Vendas
(+) Receitas Financeiras
(-) Despesas Financeiras
(-) Outras Receitas Operacionais
(-) Outras Despesas Operacionais
(=) RESULTADO OPERACIONAL
(-) IR e Contribuição Social
(=) RESULTADO LÍQUIDO ANTES DE PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES
(-) Participações
(-) Contribuições
(+) Reversão dos Juros sobre o Capital Próprio

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

O resultado líquido é de fundamental relevância para tomadas de decisão. No caso de realizar financiamentos próprios, investimentos ou ser dividido entre sócios, acionistas e funcionários este índice deve ser avaliado. O Resultado Líquido do Exercício de empresas geralmente é divulgado e isso pode comprometer parcerias pois, este é um critério importante de análise.

Aprender a realizar a leitura e cálculo da sua DRE ajuda a visualizar o quão saudável está  seu negócio. Nele é possível enxergar de onde vem as maiores despesas, quais são os clientes mais importantes e a partir disso traçar algumas estratégias para maximizar o seu lucro. Desta forma você possui dados confiáveis para a tomada de decisão. É importante também determinar uma margem vulnerável de investimentos que em momentos de crise está sujeita a cortes sem que isso traga grandes prejuízos ao seu negócio.

Aconselhamos manter um bom serviço de contabilidade para que seja mantido atualizado todos estes processos e que possa melhor lhe aconselhar sobre as decisões a serem tomadas.

Este e muitos outros cálculo de uma empresa são feitos através de planilhas. Se você deseja se especializar em cálculos como este, não deixe de conferir o FM2S Planilhas e saia na frente!

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