Criativo na crise, como conseguir? Capacitando-se

criativo na crise
12 de julho de 2015
Última modificação: 12 de julho de 2015

Autor: Virgilio F. M. dos Santos
Categorias: Blog

Qual a teoria para ser criativo na crise?

O método da provocação é um dos métodos aparentemente mais “exóticos” para produzir ideias e conceitos novos, ideia para ser criativo na crise. Conforme observado acima, sem algum meio para conseguir sair desses trilhos de percepção, apenas continuamos a voltar às mesmas velhas idéias e ficamos presos nas percepções existentes. As provocações procuram nos sacudir ou nos tirar fora desses padrões predominantes, de forma a podermos, então, aumentar a probabilidade de nos ligarmos a outros padrões para produzir novas idéias, conceitos e percepções.

Uma provocação é algo que perturba, incita ou estimula nosso pensamento. De Bono inventou a palavra “” para nomear o seu conceito de provocações. A sua definição de provocação é: “não há razão para dizer alguma coisa até depois que ela tenha sido dita”. O propósito de uma provocação é de chegar às idéias que não tivemos antes. De Bono descreveu diversos métodos para gerar provocações.

Um dos métodos para gerar deliberadamente essas provocações, quando necessário, é chamado fuga. Aqui produzimos deliberadamente uma provocação de fuga, primeiro listando as coisas que são assumidas como certas sobre a situação ou processo. Em seguida “escapamos” daquilo que foi assumido como certo, “deixando-o cair”, “cancelando-o” ou “pondo-o de lado”. Uma vez que a própria provocação (não a idéia resultante) é desenvolvida para ser arrojada, incomum e ilógica, ela produz um conceito ou situação altamente instável com os quais a mente tem que lidar.

Como o cerébro pode ser criativo na crise?

A mente, então, faz o que sabe melhor: tenta reestabilizar-se, fazendo ligação com outros padrões existentes num esforço para que a provocação faça algum sentido. Desta maneira, esta resistência natural da mente a formar padrões pode ser usada para aumentar amplamente as chances de produzir novas idéias e conceitos.

Por exemplo, alguém procurando novas idéias de melhoria para os computadores pessoais (PCs), iria primeiramente relacionar as coisas que são assumidas como certas sobre eles. Algumas das coisas geralmente assumidas como certas sobre os PCs podem incluir as suposições de que os PCs exigem que uma fonte de energia ou que os PCs devam ter algum dispositivo de exibição visual ou que eles tenham um teclado a ser usado para a entrada de dados. Da última suposição, alguém poderia formar a provocação de fuga, “os PCs não têm teclados”.

Alguns outros métodos de provocação incluem:

  • ReversãoIr reversamente ou na direção oposta à direção normal ou prevista (o avião aterrissa de cabeça para baixo, atende-se o telefone e, em seguida, ele toca).
  • Exagero Sugerir uma medida que cai fora da faixa normal (o hotel cobra $ 1,00 por um quarto, a mesa pesa um quilo).
  • DistorçãoPegar preparativos normais e alterá-los (os alunos dão aulas aos professores, a TV escolhe o que você assiste).
  • Pensamento desejávelDeclarar uma fantasia “impossível” (é fácil estacionar no centro da cidade, o lápis escreve sozinho).

Como ser criativo com a entrada aleatória?

A Entrada Aleatória é outra forma básica de técnica de provocação e criatividade. Ela é extremamente simples. A base deste método, ao invés de mover-se de alguma coisa que é presumida como certa e mudá-la para criar a provocação instável, é que alguma coisa aleatória (uma palavra aleatória) é usada para fornecer um ponto de partida totalmente novo, fora do padrão predominante.

Uma palavra totalmente desconectada do assunto é justaposta com o assunto e é feito um esforço para relacionar os dois de alguma maneira. Esta técnica aparentemente ilógica é na verdade bastante lógica quando vista sob o contexto de como o cérebro trabalha, na qualidade de um sistema auto-organizável de informações formador de padrões. Ele permite a mente avançar, e então, tentar ligar a palavra aleatória ao assunto. Essa conexão é a tendência natural da mente de formar padrões. Uma possível maneira de avançar para uma nova idéia é extrair um princípio ou uma direção ampla da combinação dos dois. O uso de uma associação simples pode também movê-lo da justaposição inicial para uma nova idéia ou conceito.

Exemplo de entrada aleatória

Por exemplo, uma cadeia de hotéis está procurando novas maneiras de garantir uma alta taxa de feedback do cliente, sobre as acomodações e a qualidade do serviço. Se a palavra aleatória “radar” fosse colocada, as seguintes idéias poderiam surgir:

Radar sugere o princípio do reflexo (de feixe de rádio) que faz lembrar os reflexos de um espelho. Os espelhos são quase sempre um ponto de foco. Se alguém fosse colocar os formulários típicos de feedback do cliente sobre o espelho de alguma maneira, muito mais provavelmente eles poderiam ser notados, e menos provavelmente removidos de cima da mesa, onde são tipicamente encontrados. Os banheiros dos hotéis são também lugares típicos para espelhos que poderiam oferecer a vantagem adicional de alcançar o hóspede, num momento/lugar oportunos, para o preenchimento de um formulário de feedback.

Radar também leva à associação de um prato como um prato de radar. O prato poderia levar à idéia de um prato de comida. Isto poderia levar à idéia de que os hóspedes receberiam um desconto numa refeição (prato) no restaurante do hotel (ou bebida grátis no bar do hotel) se participassem de um programa de feedback do cliente. Um programa assim poderia realmente servir também para impulsionar as vendas do restaurante e do bar ao mesmo tempo. Todo o conceito de participação nos programas de feedback para acentuar não somente os futuros serviços do hotel, mas também as vendas atuais, poderia ser uma saída (resultado) para uma maior exploração por uma equipe de melhorias.

Quais os cuidados da entrada aleatória?

Deve-se tomar cuidado ao usar este método, para não “selecionar” a palavra de alguma maneira – ela deve ser totalmente aleatória. Se não for totalmente aleatória, haverá uma forte tendência de alguém “selecionar” uma palavra, porque tem alguma idéia ou conceito (consciente ou subconscientemente) que sente que possa fazer alguma conexão. Se este for o caso, a idéia simplesmente deveria ser expressada.

A criação de provocações pode ser um exercício criativo útil.

Apesar de ser um produto inovador no qual acreditamos muito, é difícil encontrar uma maneira efetiva de comunicarmos seus benefícios ao mercado. Deste modo, a dificuldade acaba se refletindo no fraco desempenho de vendas deste produto.

Diante de situações como está à única solução é ser criativo e inovador no marketing, ou seja, como comunicamos nosso produto ao mercado. Para isto, lançamos mão de uma das técnicas que trabalhamos em nossa oficina: a palavra aleatória.

Criativo na Crise 1

Reunimos nossa equipe e aplicamos a técnica. A primeira palavra que utilizamos foi sapo. Sapo? Sim, sapo. Você deve estar pensando: mas, o que sapo tem a ver com um programa de treinamento continuado para empresas? À primeira vista nada, mas ao final do exercício todos ficamos surpresos com as ideias que surgiram.

Um sapo pode se, beijado por uma princesa, transformar-se num príncipe, assim como nosso produto. Neste caso precisamos achar a princesa certa para beijá-lo. Com este comentário tivemos a ideia de formalizarmos uma parceria com um cliente chave, que será o nosso case. Ao beijar nosso sapo, esta empresa irá transformar suas operações e reduzir seus custos, mostrando que na verdade nosso sapo é um belo príncipe.

Criativo na Crise 2

Outra ideia interessante: o sapo, assim como nosso produto sofre metamorfose. Nosso produto foi desenvolvido numa estrutura de menu. Cada cliente nosso terá acesso à treinamentos e coaching naquilo que realmente necessita. Para algumas empresas nosso produto pode ser um girino, começando pelos conceitos básicos de gestão dos processos, ou nosso produto pode ser um sapo adulto, plenamente desenvolvido que irá ajudar nossos clientes a consolidarem e controlarem seus sistemas complexos.

Por último, vale mencionar que o sapo é figurinha carimbada em fábulas, que são histórias contadas de geração para geração. As fábulas sempre possuem o objetivo de transmitir um conceito importante para os que a ouvem. Este conceito, na fábula, é chamado de moral da história. Esta ideia nos fez relembrar do antigo conceito de Storytelling, muito útil para vender uma ideia. Com isto, criamos uma história para contar como nosso produto poderá ajudar os nossos clientes.

Além destas, outras ideias também foram geradas e conceitos importantes foram extraídos. Com isto, nossa equipe conseguiu escapar dos seus modelos mentais e a encarar a divulgação do produto de outra maneira. De repente, nosso produto terá um case, uma história por trás do case e ficará claro a todos os clientes que ele é extremamente flexível e adequa-se as necessidades. Ao final, um sapo e um programa de treinamento empresarial mostraram que tem tudo a ver.

Quer mais dicas sobre criatividade?

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Sem Comentários

  • Ozélio disse:

    Bela analogia! Sou suspeito a falar por ser Biólogo, mas agradeço pela publicação deste artigo, que, com certeza me será muito útil para aplicação nas minhas reuniões.
    Obrigado.

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