Gráfico de tendência
Análise de dados

18 de maio de 2020

Última atualização: 04 de dezembro de 2023

Gráfico de tendência: o que é como elaborar

Um gráfico de tendência consiste em uma visualização de dados ou valores numéricos de forma geométrica, utilizado a fim de facilitar a compreensão de informações e a obtenção de insights.

Eles auxiliam na identificação de padrões, tendências e na comparação de medidas, em que cada um dos dados possui uma coordenada no eixo x (horizontal) e no eixo y (vertical).

Entre os tipos mais utilizados temos o gráfico de colunas, gráfico de pizza, gráfico de Gantt e gráfico de barra. Existem, portanto, uma variedade de tipos de gráficos, podendo-se escolher o que melhor representa seus dados.

O que é um gráfico?

Um gráfico é uma representação visual de dados ou informações, geralmente usado para ilustrar tendências, comparações ou distribuições. Existem vários tipos diferentes de gráficos, como gráficos de linha, barras, setores e dispersão. Eles são usados ​​em uma variedade de campos, incluindo estatísticas, ciência, negócios e jornalismo.

apostila minitab

Quais sãos os tipos de gráfico?

Existe uma gama enorme de gráficos, cada um mais apropriado para como se quer representar os dados e para que propósito. Listamos aqui alguns dos tipos mais comuns:

  • Gráfico de linhas: é criado conectando pontos de dados com uma linha e geralmente é usado para representar dados ao longo de um intervalo de tempo;
  • Gráfico de barras: os dados são representados por barras verticais ou horizontais. Usa-se para comparar diferentes conjuntos de dados;
  • Gráfico de pizza: é usado para mostrar a proporção de diferentes conjuntos de dados. Os dados são representados por fatias de pizza; cada fatia é proporcional à porcentagem que ela representa;
  • Gráfico de dispersão: os dados são representados por pontos em um plano cartesiano, para mostrar a relação entre duas variáveis;
  • Gráfico de área: os dados são representados por uma série de linhas empilhadas, formando uma área sombreada. Seu objetivo é mostrar a mudança de uma quantidade ao longo do tempo;
  • Gráfico de histograma: é usado para mostrar a distribuição de uma variável quantitativa. Os dados são agrupados em intervalos e representados por barras verticais.
Tipos de gráficos

O que precisa ter em um gráfico?

Para que um gráfico seja eficaz, ele deve incluir os seguintes elementos:

  • Título: O título do gráfico deve ser claro e descritivo, informando o que o gráfico está mostrando.
  • Eixos e rótulos: Os eixos devem ser claramente rotulados com as unidades de medida apropriadas e devem incluir marcas de escala e gridlines.
  • Legenda: A legenda deve identificar as séries de dados que estão sendo representadas no gráfico, usando cores ou símbolos apropriados.
  • Dados: Os dados devem ser precisos e representativos do que se deseja mostrar.
  • Escala: A escala deve ser adequada para os dados e deve ser consistente entre gráficos comparáveis.
  • Cores e design: As cores e o design do gráfico devem ser claros e fáceis de interpretar, e devem ser consistentes com as convenções de design geral.
  • Fonte: As fontes devem ser legíveis e devem ser usadas consistentemente em todo o gráfico.

Além disso, é importante ter cuidado para evitar distorções, como usar uma escala que faça um dado menor parecer muito menor do que realmente é, ou apresentar dados de forma equivocada.

Agora que passamos uma ideia geral sobre o que é e como montar um gráfico, vamos falar mais especificamente sobre gráficos de tendências neste artigo.

O que é um gráfico de tendência?

O Gráfico de Tendência é um gráfico de linhas que mostra como um determinado indicador se comporta ao longo do tempo. Assim, com ele pode-se identificar padrões no comportamento do indicador, como sazonalidade, tendência de aumento, queda ou ciclos.

Ele é também chamado de “gráfico de séries temporais“, sendo uma das ferramentas abordadas no curso de Green Belt. Esse gráfico é simplesmente um registro de uma medida ou característica ao longo do tempo.

Além disso, deve sempre fazer parte do estudo da variação em um processo ou sistema, concentrando-se na complexidade dinâmica (complexidade ao longo do tempo) assim como na complexidade de detalhe de medidas específicas.

A própria simplicidade do gráfico é o que o torna tão poderoso (Deming, 1986). Logo, todas as pessoas ligadas ao processo podem usar e entender um gráfico de tendência, sendo este comumente usado em documentos de negócios e econômicos.

Geralmente, usamos esse tipo de gráfico em situações em que os dados sobre uma variável são coletados ao longo do tempo.

Ele é obtido colocando no eixo vertical a variável sendo analisada, que pode ser uma média ou um valor individual e no eixo horizontal a variável relacionada com o tempo, como o mês, a semana, o dia ou o ciclo.

Como fazer um Gráfico de Tendência? (passo a passo)

Tendo o conhecimento do poder dessa ferramenta, acaba sendo um erro não incluir esse gráfico entre as ferramentas de gestão da qualidade do seu negócio.

Porém, a fim de comprovar a sua efetividade é necessário montá-lo da maneira correta.

Assim, acompanhe o nosso guia passo a passo de como fazer um gráfico de tendência na prática.

Passo 1: Determine ou estime o intervalo de tempo dos dados(do menor para o maior valor)

Primeiramente, a principal funcionalidade desse gráfico é determinar como um indicador se comporta ao longo do tempo.

Portanto, defina qual será o intervalo de tempo a ser analisado, podendo ser diário, semanal, mensal, anual etc.

Em seguida, use esse intervalo para desenvolver uma escala vertical para o gráfico. O intervalo de dados deve incluir cerca de 60% a 80% da escala.

Inclua valores significativos de referência, tais como uma meta, uma especificação ou mesmo o próprio zero na escala.

Passo 2: Defina o processo a ser analisado

Para definir o processo, em primeiro lugar, é conveniente escolher os agentes de maior peso na tomada de decisão e de acompanhamento mais próximo.

Escolha esses agentes com cautela, pois de nada adianta realizar uma análise de vendas de natal no mês de março, por exemplo.

De início, pode parecer difícil dispor as informações no gráfico, porém com o tempo e consequente aumento da demanda você ganha prática e passará a utilizar vários gráficos de tendência ao mesmo tempo.

Passo 3: Desenvolva incrementos de tempo para os dados

Incrementos de tempo, nada mais são do que subdivisões do tempo que podem ser minutos, horas, dias, ordem de produção, ordem de teste etc.

Eles lhe ajudarão a ter uma análise mais precisa para a obtenção de insight ou tomada de decisão.

Passo 4: Disponha os dados por ordem de tempo

A visualização de um gráfico de tendência ajuda na interpretação de uma medida em qualquer instante, ao colocar a variação do período anterior em uma perspectiva histórica.

Assim, estudar um gráfico de tendência pode, com frequência, reduzir a interpretação exagerada ou a interferência com o processo.

O gráfico de tendência também oferece uma primeira imagem de uma característica de um processo antes que um gráfico de controle seja desenvolvido.

Como analisar os resultados do Gráfico de Tendência?

Após concluir a construção do seu gráfico de tendência, é hora de extrair a inteligência dos dados.

Embora causas especiais de variação sejam praticamente imprevisíveis, a ocorrência delas é facilmente identificável se técnicas apropriadas forem utilizadas.

Em geral, temos algumas regras que nos ajudam buscar por essas causas:

  • Um ponto muito afastado do outro: indica uma queda ou subida brusca, portanto deve-se atentar para os fatores que ocasionaram isso;
  • Dois pontos ou mais juntos: indica um período linear, isto é, de baixa variação. Esse período é considerado ideal para início de novos projetos ou processos;
  • Variação regular de pequena diferença entre um e outro ponto: indica um fator específico mudando de maneira alternada constantemente. Neste caso vale a pena entender o que está motivando essa variação alternada.

Esses comportamentos podem indicar diversos aspectos do seu negócio, entre eles estão variações de estoques, matérias primas ou até mesmo erros de produção. Portanto, considere todos os setores que podem ter impactado as medidas indicadas no gráfico. 

Às vezes não é fácil identificar essas causas especiais no gráfico de tendência. Uma variação interessante dele é o Gráfico de Controle, em que colocamos uma linha média e limites para saber quando um ponto está muito afastado dos demais. 

Como estratificar os dados do Gráfico de Tendência?

O conceito de estratificação pode ser usado com um gráfico de tendência. Símbolos diferentes podem ser usados para representar diferentes variáveis no processo ou agrupamento de dados.

O conceito de estratificação em um gráfico de tendência pode estender-se de modo a incluir o estudo de variáveis múltiplas no processo.

Essa técnica foi chamada de “Multi-Vari” (Seder, 1950).

Ao se usar a técnica multi-vari, realizam-se medidas múltiplas no processo em um momento qualquer.

Essas medidas podem ser medidas repetidas de uma amostra ou peça, medidas de locais diferentes, medidas de partes múltiplas ou amostras ou quaisquer combinações dessas medidas.

Os pontos plotados em um gráfico multi-vari conectam-se para enfatizar as relações.

Quando usar o Gráfico de Tendência?

Utiliza-se o Gráfico de Tendência a fim de:

  • Identificar problemas/oportunidades (no exemplo dado, a tendência de aumento é um problema, enquanto que os pontos abaixo do esperado são oportunidades);
  • Determinar potenciais causas de problemas;
  • Acompanhar resultados;
  • Identificar ciclos e efeitos sazonais;
  • Verificar o impacto de mudanças no processo.

As vantagens do Gráfico de Tendência são:

  • Simplicidade;
  • Facilidade na construção, utilização e entendimento;
  • Apresenta os valores dos pontos de dados ao longo do tempo;
  • Aponta momentos de problemas no processo;
  • Mostra o quão longe se está das metas ou objetivos.

A própria simplicidade do gráfico é o que o torna tão poderoso. Todas as pessoas ligadas ao processo podem usar e entender um gráfico de tendência.

Um exemplo de gráfico de tendência

Exemplo: Vinte e oito pedidos foram processados por uma empresa e o tempo de processamento de cada pedido foi medido. Os dados estão na tabela abaixo.

Vamos fazer um gráfico de tendência para entender melhor o que está acontecendo.

ordem1234567891011121314
tempo2723282626272422272629272725
ordem1516171819202122232425262728
tempo2931272829262924212831283228
exemplo gráfico de tendência

Gráfico de Tendência do indicador ilustrado na tabela.

Nesse gráfico podemos ver de maneira muito mais clara o comportamento do indicador. Podemos ver que o tempo, que é a variável sob análise aqui, aparentemente apresenta uma tendência de aumento.

Isso significa que, conforme o tempo vai passando, demora-se mais para se realizar essa tarefa. Também observa-se pontos nos quais o tempo é muito menor do que o normal.

Devemos estudar esses pontos para reduzir o tempo total do processo.

Como localizar as causas comuns e as causas especiais?

Caso não existam causas especiais de variação atuando no sistema, o padrão do Gráfico de Tendência é de pontos dispersos sem padrão identificável, com a linha média e a quantidade de variação praticamente constante ao longo do tempo.

Qualquer padrão identificável é uma indicação de ocorrência de causa especial.

Um padrão identificável é algo que ocorre com baixa probabilidade se o processo só tem causas comuns de variação.

A ocorrência de um sinal indica apenas que uma possível causa especial se fez presente, mas não diz qual é a causa.

Além das medidas de desempenho, é preciso reunir outros dados sobre o processo como mudança de matéria prima, reparo de máquinas, troca de operadores, queda de energia e outras ocorrências que auxiliem na análise da causa especial para que seja possível trabalhar na sua remoção ou prevenção.

  • Durante a coleta de dados históricos, define-se o intervalo de tempo a ser usado. É necessário reunir dados suficientes para exibir o comportamento do processo a longo prazo. Um total de 25 a 30 pontos de dados costuma ser suficiente para estabelecer para que se formem padrões que sirvam como referência para o desempenho do processo;
  • Nem toda causa especial é ruim. Muitas vezes ela indica uma melhora no processo. Nesse caso devemos buscar sua causa para possivelmente incorpora-la;
  • Gráfico de Tendência é uma ferramenta adequada para avaliar se mudanças em um processo resultam em melhoria;
  • É importante identificar a presença de tendências ou deslocamentos. Elas significam que não temos um único processo presente, o que pode invalidar o uso de outras técnicas estatísticas;
  • Muitas vezes o objetivo ao se utilizar um gráfico de tendência é identificar ciclos, tendências temporais e efeitos sazonais. Nesses casos é mais comum denominar o Gráfico de Tendência de Série Temporal.

O Gráfico de Tendência em Projetos de Melhoria e Green Belt

Em projetos de melhoria, um gráfico de tendência é uma ferramenta útil para analisar e visualizar o desempenho ao longo do tempo. Ele permite identificar padrões, tendências e variações nos dados coletados, auxiliando na tomada de decisões informadas e no monitoramento do progresso do projeto.

Um gráfico de tendência geralmente representa uma variável específica ao longo de um período de tempo, mostrando a direção em que os dados estão se movendo. Pode ser usado para analisar métricas de desempenho chave, como tempo de ciclo, taxa de defeitos, satisfação do cliente, eficiência de processos, entre outros.

O Green Belt é responsável por liderar projetos de melhoria de tamanho médio ou atuar como membro da equipe em projetos de maior escala. Quando relacionamos o gráfico de tendência com um Green Belt, podemos observar como essa ferramenta pode ser aplicada no contexto do Lean Six Sigma:

  • Identificação de tendências: O Green Belt pode utilizar o gráfico de tendência para analisar dados históricos e identificar tendências ao longo do tempo. Isso permite compreender se o desempenho está melhorando, piorando ou se mantendo estável. Com base nessas informações, o Green Belt pode tomar decisões informadas sobre as ações a serem tomadas no projeto de melhoria.
  • Análise de dados de desempenho: O gráfico de tendência ajuda o Green Belt a visualizar a variação nos dados de desempenho ao longo do tempo. Isso facilita a identificação de pontos fora do padrão, anomalias ou problemas persistentes. Com essa análise, o Green Belt pode focar nas áreas que requerem intervenção e aplicar as ferramentas e metodologias adequadas do Lean Six Sigma para melhorar o desempenho.
  • Monitoramento do progresso: Ao utilizar o gráfico de tendência, o Green Belt pode monitorar o progresso do projeto de melhoria ao longo do tempo. A visualização clara dos dados ajuda a acompanhar as mudanças e verificar se as ações implementadas estão trazendo os resultados esperados. Caso haja desvios, o Green Belt pode ajustar as abordagens e implementar contramedidas para manter o projeto na direção correta.

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