O que é um paradigma? O que ele representa?

31 de janeiro de 2020
Última modificação: 21 de julho de 2021

Autor: Guilherme Mendes
Categorias: Blog

O que é um paradigma?

Um paradigma é essencialmente uma visão particular do mundo. Ou seja, uma estrutura mental composta por metodologias, experiências e teorias utilizada para formação da realidade e seus acontecimentos no pensamento dos seres humanos.

Assim, pode ser comparado a uma lente, através da qual, você enxerga o mundo de uma determinada maneira, onde sem a lente adequada a imagem ficaria distorcida. Dessa forma, paradigmas emergem para fornecer uma estrutura geral para a compreensão de fenômenos específicos. Ele ganha aceitação enquanto comunidade de cientistas interessados ​​concordar que se encaixa na maioria dos dados observáveis.

Foi Thomas Kuhn (1922-1996) quem popularizou o conceito de “paradigma” em seu livro, The Structure of Scientific Revolutions (Estrutura das Revoluções Científicas) – 1962. Em suma, Kuhn argumentou que paradigmas são como teorias gerais que guiam áreas específicas da ciência normal. Por esse motivo, Khun acredita que paradigmas são compartilhados entre os indivíduos de uma determinada comunidade científica.

Em outras palavras, quando um conjunto de elementos, crenças, técnicas e/ou valores são aceitos por todos em um grupo de cientistas, ele se torna um paradigma. Ou seja, paradigma consiste em um padrão a ser seguido, porém mais complexo, ao contrário do que muitos utiliza o termo referindo-se a qualquer conceito geral.

Portanto paradigmas são essenciais para colocar fenômenos em ordem e nos situar na realidade.

Paradigmas são uma categoria de “ideias”

Ideias e conceitos (como perigo, grande, ansiedade, QI) são imagens mentais e não objetos – não são coisas observáveis no mundo real. Teorias e paradigmas unem vários conceitos e tentam aproximar o que é observável no mundo físico. Nesse sentido, todos os conceitos, embora possam ser muito úteis (como matemática, filosofia ou triângulo), são “ficções”. Ou seja, eles não existem no mundo real. Podemos encontrar objetos em forma de triângulos no mundo físico, mas não podemos encontrar “triângulo” no mundo físico.

Nesta visão, paradigmas, teorias científicas, filosofias e matemática nunca podem ser “verdadeiras”. Por quê? Porque eles são simplesmente modelos – aproximações construídas no mundo das ideias que fornecem uma maneira útil de interpretar o mundo físico real. Nós os consideramos úteis porque levam a aplicações úteis ou maneiras úteis de estruturar o conhecimento. Aqueles que não provam ser úteis (como a visão plana do mundo na Terra, a sangria como uma cura para a doença) acabam sendo descartados por todos.

Exemplos de Paradigmas

Existem diversos exemplos nas mais variadas áreas de conhecimentos onde existem paradigmas. Isso porque cada área possui suas referências e leis fundamentais, incluindo conflitos de diferentes perspectivas. Alguns exemplos de paradigmas atuais são:

  • Educação inclusiva;
  • Desenvolvimento Sustentável;
  • Crença em Deuses.

Esses paradigmas essencialmente, demonstram o caráter transitório no pensamento dos seres humanos. Seguimos com alguns exemplos:

Paradigma Científico

Paradigmas científicos podem ser entendidos como realizações científicas conhecidas universalmente. Essas realizações, por certo tempo servem um modelo de soluções para os cientistas.

Através deles, pesquisadores conseguem solucionar problemas teóricos e práticos, com a condição de que se comprometam com o método proposto. Dessa maneira o paradigma científico apresenta, ao mesmo tempo, as regras e soluções para um problema com processos bem definidos.

Em outras palavras, os paradigmas fornecem modelos nos quais “tradições coerentes particulares da pesquisa científica” se baseiam. Por exemplo:

  • O método científico: consiste em um paradigma ocidental, empírico, quantitativo e tradicional para estudar as coisas
  • Teoria da evolução. a evolução é a estrutura subjacente que melhor se ajusta às evidências observáveis ​​em campos tão diversos quanto a biologia (a evolução das espécies), a geologia (a evolução da terra) e a cosmologia (a evolução das estrelas, das galáxias e do universo).
  • Mecânica newtoniana: consiste no paradigma básico da física até que Einstein demonstrou que a relatividade melhor se adequava aos fatos disponíveis – uma melhor aproximação ao mundo real. Não é que a mecânica fosse “falsa” e a relatividade “verdadeira”. A mecânica newtoniana se encaixava na maioria dos dados disponíveis encontrados na existência cotidiana dos seres humanos, mas se decompunha em extremos de massa e velocidade. Mas como modelo, ainda era – e é –muito útil quando lida com a engenharia, construção, uso da tecnologia e artefatos que as pessoas usam na vida cotidiana. A mecânica newtoniana foi substituída como paradigma dominante na física, mas não é “falsa”, porque nunca foi “verdadeira”. É simplesmente um modelo de como as coisas funcionam e é útil para alguns propósitos, para outros não.

Paradigmas segundo a Pesquisa Científica

Já no campo das pesquisas científicas, os paradigmas têm o objetivo de fornecer problemas e soluções-modelo para cada projeto, orientando cientistas através de ferramentas, conceitos, teorias e metodologias. Logo, o paradigma é essencial para indicar os rumos da pesquisa. Dessa maneira, os paradigmas mais utilizados no ramo da pesquisa científica são:

  • Fenomenologia: consiste em um método ou um modo de pensamento filosófico que resgata a importância dos fenômenos, os quais devem ser estudados em si mesmos, onde tudo que podemos saber do mundo e de nós próprios resume-se a esses fenômenos. Ou seja, o cientista parte de um mundo socialmente interpretável, utilizando dados qualitativos;
  • Positivismo: por outro lado, o paradigma positivista enxerga somente a existência de fatos, ou seja, pensa em um mundo objetivo em sua totalidade. Possui tendência em trabalhar com dados quantitativos.

Paradigma segundo as Ciências Humanas

Segundo às Ciências Humanas, o paradigma funciona como um abrigo de várias teorias, ao invés de uma única concepção. Ele é conceituado como uma parte do real, onde está hospedado o princípio das coisas.

Em outras palavra, considera-se como uma chave do mundo que oferece para a humanidade, um modelo para conhecer o que é real.

Paradigma segundo a Filosofia

Paradigmas Segundo a Filosofia

Na Filosofia, foi Platão quem reconheceu este conceito, através da Teoria das Ideias. Em sua visão, Platão reconhecia paradigmas como arquétipos, ou seja, um modelo original idealizado que representava as coisas concretas do nosso mundo.

Paradigma segundo a Linguística

Ferdinand de Sassure, também conhecido como o “Pai da Linguística” definiu este conceito. Segundo ele, paradigma consiste nos diversos elementos associados em nossa memória e que formam novas combinações para desvendar significados.

Em paralelo com as línguas, Sassure compreende a linguagem em dois movimentos:

  • Sintagmático: movimento horizontal que dá sequencia para a formação de uma frase;
  • Paradigmático: opera verticalmente, exibindo todas as possíveis palavras que se encaixariam em um determinado contexto.

Perceba que existem semelhanças entre todos os conceitos de paradigmas, independente da escola que baseou a fundamentação deste conceito.

Paradigma social, nos negócios e na vida pessoal

O termo “paradigma” popularizou-se nos últimos 20 anos. Algumas tendências muito menores, como mudanças nas preferências dos consumidores por música, roupas ou refrigerante, foram apontadas como mudanças de paradigma. Em vez de ser purista e se recusar a reconhecer que a linguagem dos paradigmas foi cooptada pelos negócios e pela indústria para tendências menores, vamos ao que interessa. Encontram-se exemplos dentro das empresas, do governo ou da educação de mudanças tão profundas que, pelo menos dentro desses campos específicos, elas merecem o título de “mudança de paradigma”.

Você consegue pensar em vários paradigmas como bons exemplos? Vamos pensar em alguns campos específicos em que, se você considerar os desenvolvimentos nessa área, provavelmente poderá pensar em uma ou mais mudanças de paradigma que ocorreram nos últimos 100 anos, por exemplo a telefonia ou até mesmo a própria arte.

O que é uma mudança ou quebra de paradigma?

Uma mudança de paradigma consiste numa grande mudança nos conceitos e práticas de como algo funciona ou é realizado. Uma mudança de paradigma pode acontecer em uma ampla variedade de contextos. Muitas vezes acontecem quando se introduz uma nova tecnologia que altera radicalmente o processo de produção de um bem ou serviço. E vejam só como isso se relaciona com os meios de produção, se pensarmos em como ele era e como é hoje. Há alguns anos acreditava-se que fordismo era um ótimo sistema de produção, o que de fato foi, mas apenas por um tempo. Hoje o sistema Just-in-time tomou este lugar. As linhas de montagem criaram uma mudança substancial de paradigma, não apenas na indústria automobilística, mas em todas as outras áreas da manufatura.

Isso deu espaço para um novo paradigma, novos pensamentos e para o desenvolvimento de novas metodologias. Quer mais que o Lean Manufacturing ou a metodologia Seis Sigma? Ambas são medidas de qualidade que revolucionaram os meios de produção com redução de desperdícios e introduziram a padronização. E o mesmo vale para outras metodologias como a gestão ágil, WCM (World Class Manufacturing) e muitas outras. Conheça todas elas com na Assinatura FM2S!

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Paradigma nos dias de hoje

Mas a noção de paradigmas que moldam nossa visão de mundo expandiu-se além da ciência para a vida cotidiana. O foco original de Kuhn estava na criação, teste e substituição das principais teorias científicas por melhores teorias – aproximações mais próximas dos dados observáveis. Hoje, o termo foi popularizado para se referir a coisas tão simples quanto crenças, atitudes e gostos.

Nesse sentido, um paradigma é análogo a um conjunto de óculos que se coloca. Se as lentes são amarelas, vemos o mundo como amarelo. Depois de um tempo, esquecemos que decidimos olhar o mundo através de lentes amarelas – simplesmente acreditamos que o mundo é amarelo. Na discussão a seguir, irei me referir algumas vezes ao significado científico dos paradigmas (principais visões mundiais da ciência) e às vezes ao popular (uma abordagem particular a uma questão específica).

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