Como enxergar melhor o futuro olhando para o passado?

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06 de dezembro de 2017
Última modificação: 06 de dezembro de 2017

Autor: Virgilio Marques Dos Santos
Categorias: Blog

Como enxergar o futuro olhando para o passado?

A fixação da humanidade e da Ciência em geral é olhar o futuro. Tudo que ouço, versa sobre as mudanças que acontecem e acontecerão no mundo, dia após dia. Ao ouvir isso, penso: “concordo, pois o mundo está mudando. Mas será que tudo muda mesmo? Será que como a sociedade se relaciona e como as empresas são geridas é alto tão mutável assim? Ou será que o que muda são as ferramentas e um ou outra necessidade?

Para responder a essas provocações solitárias e internas, recorro muito a leitura. Para mim, ler um grande mestre é entrar em contato como uma forma de ver as coisas que está totalmente estruturada. Para escrever, em tese, deve-se estruturar o conhecimento. E, um conhecimento estruturado, é muito mais fácil de absorver do que a percepção líquida sobre como as coisas acontecem.

Procurando defender esse ponto de vista, recorrei ao Deming hoje. Um discurso não tão difundindo, mas que está em seu último livro. É um discurso proferido na Comissão Interestadual do Comércio, no 23 de agosto de 1990. É um discurso com 27 anos, mas que mesmo assim, se prestar atenção, verá que se faz muito atual.

O que Deming falou?

Não é necessária nenhuma documentação para mostrar que a posição dos Estados Unidos nos mercados mundiais diminuiu. O crescente desafio econômico de fora é muito real e não está prestes a desaparecer.

Como eu vejo, a questão é a qualidade. Da qualidade do produto, a qualidade do serviço, a qualidade do ambiente de trabalho e a qualidade da cooperação entre o governo e a indústria. Esta nação está em uma encruzilhada em termos de nossa determinação de reconhecer o desafio. A transformação é necessária. A transformação não será espontânea.

Eu fui associado à indústria a motor por mais de 35 anos, e vejo sua diminuição da saúde econômica com crescente preocupação. Pode ser que este declínio possa, em grande parte, ser atribuído à ênfase da Comissão na concorrência pelo preço, acima de tudo?

As agências de tarifas fornecem um fórum para discussão entre os transportadores e operadoras envolvidos. Quaisquer taxas coletivamente feitas estão sujeitas ao protesto do expedidor e revisão pela Comissão. Quanto a essas taxas, estou confiante de que as operadoras de automóveis estão atentas às minhas advertências de que eles deveriam estabelecer preços coletivos para otimizar o sistema inteiro – transportadores, carregadores, comunidades – eles só se enganam por lucro e privam as comunidades que eles servem, seus funcionários e o meio ambiente, dos benefícios de um compromisso sincero com a qualidade e um serviço econômico. Praticar preços mais elevados ao invés de otimizar o sistema inteiro transformariam os clientes em outros meios de transporte.

O transporte eficiente não deve ser julgado pelo preço sozinho. Mais barato nem sempre é melhor. Muito mais importante para o usuário do serviço de transporte é confiabilidade e dependência. Isso inclui uma variação mais estreita no tempo de entrega. Isso também significa uma variação mais estreita no tempo de trânsito. Significa custos mais baixos no longo prazo.

As amplas variações no tempo de entrega exigem que o cliente armazene em grandes estoques para manter a produção estável, apesar da entrega atrasada. Entregas antecipadas são dispendiosas. O cliente deve encontrar espaço de armazenagem até que os bens sejam necessários. Um tempo de distribuição mais estreito deve ser um objetivo.

Para alcançar tais objetivos, o transportador deve manter o equipamento em boa ordem. Ele não pode conduzir as unidades e seus funcionários para exaustão. A melhoria real da qualidade do serviço exige que as operadoras possam funcionar consistentemente de um ponto para outro sem quebrar o equipamento ou prejudicar a eficiência dos funcionários.

Chegou a hora de entender e gerenciar o transporte como um sistema. O sistema aqui é composto por vários componentes – os transportadores, os carregadores que eles atendem, os funcionários de ambos, as comunidades em que vivem, o meio ambiente, a nação como um todo e as agências governamentais envolvidas. Esses componentes são interdependentes.

Um sistema requer um objetivo. Sem um objetivo, não há sistema. O objetivo é o julgamento de valor. Sugiro o seguinte como o objetivo do nosso sistema de transporte:

  • Melhor serviço – isto é, entrega mais confiável. Melhoria contínua no prazo de entrega.
  • Custo mais baixo para o transportador.
  • Melhor qualidade de vida para funcionários de transportadores e carregadores.
  • Proteção do meio ambiente.

Ao se concentrar em um sistema de qualidade, todos ganham. Este objetivo não é uma fantasia selvagem. Pode ser realizado. Os transportadores, os carregadores, seus empregados, devem trabalhar juntos para a otimização do sistema. Deixados a si mesmos, os componentes individuais não alcançarão o objetivo. Em vez disso, derrotarão, e todos perderão no longo prazo.

Um sistema deve ser gerenciado. Deve ser conduzido.

A concorrência deve ser direcionada para a expansão do mercado e atender às necessidades ainda não atendidas. Dado o foco do sistema, os operadores se encaixam na busca pela qualidade e otimização. A cooperação entre carregadores e transportadores e entre transportadores como componentes no transporte é necessária.

A comissão está em posição única para reconhecer o crescente desafio da concorrência mundial e a necessidade de transformação no transporte para ajudar os produtores dos EUA a enfrentar esse desafio. Essa transformação não será espontânea. Não será realizado simplesmente jogando um operador contra outro para conseguir preços mais baixos.

A comissão deve reconhecer que a competição com base na premissa de um jogo de soma zero se autodestruirá, não será um sistema de transporte saudável. Os lucros devem existir, e a indústria deve trabalhar como uma equipe na qual todos os participantes, grandes e pequenos, sobrevivem e prosperam.

O negócio americano enfrenta um desafio competitivo cada vez mais vigoroso da indústria em todo o mundo. Somente por meio de um firme compromisso com a cooperação, para a otimização do todo, e por meio da resolução de todas as facetas do negócio americano, grande e pequeno, para melhorar, esse desafio pode ser cumprido. Os carregadores e transportadores exigem orientação e orientação.

A chave é um compromisso profundo com a qualidade em todo o sistema de transporte. Exorto o I.C.C. assumir o papel de liderança para promover a cooperação entre os diversos componentes do transporte e a capacidade de resposta à necessidade de cooperação. O objetivo seria a melhoria contínua do serviço aos carregadores, a melhoria contínua da qualidade do serviço e a estabilidade na indústria do frete a motor. Parece-me que a responsabilidade pela liderança requerida recai sobre o I.C.C. Quem mais poderia?

O que aprendemos com esse texto?

Na minha percepção, muita coisa. A primeira delas é a necessidade de enxergarmos o todo. Precisamos enxergar como os agentes do sistema devem interagir para melhorar o desempenho do sistema como um todo. No Brasil de hoje, em que se discute reformas fundamentais para o sistema manter-se vivo, cada um quer o melhor para si. Ninguém permite-se perder nenhuma vantagem adquirida e, ainda briga fortemente por mais.

Ninguém olha de modo a enxergar o caos que o Brasil e seus Estados estão se tornando. Olha-se apenas para um aumento de salário ou para que o governo faça investimentos em seu bairro. Há pessoas, que recebem pensões de suas mães ou maridos durante uma vida mais. Há pessoas que nunca contribuíram com a previdência e mesmo assim, recebem. É caótico.

Outro ponto de Deming, é o papel das comissões do governo no equilíbrio das relações entre as empresas. O governo, no alto de seu poder, deveria filtrar as demandas que não fazem sentido das empresas e atender o que é relevante. É o que o governo do Brasil está fazendo?

Como, num mundo em que as metas de carbono estão ficando cada vez mais apertadas, o governo cede a pressão de montadoras e as isenta de IPI? Como ele faz o mesmo para indústria do petróleo? Como ele fomenta a inovação por meio de equipes de pesquisadores sem viés prático?

Por isso, espero que esse texto os faça pensar. Em seguida, avalie o poder que textos com mais de 30 anos tem ainda hoje no entendimento dar realidade.

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