Seis Sigma

31/07/2018

Última atualização: 12/11/2025

Lean Six Sigma: você sabe o que é?

Lean Six Sigma é uma abordagem que combina duas metodologias: o Lean, voltado para a eliminação de desperdícios, e o Six Sigma, focado na redução de variações nos processos. Juntas, essas práticas formam uma estratégia robusta para melhorar a qualidade, aumentar a eficiência e gerar resultados sustentáveis nas organizações.

Nos tópicos a seguir, você vai entender o que é Six Sigma, como o Lean complementa essa abordagem e por que tantas empresas escolhem o Lean Six Sigma para alcançar a excelência operacional.

O que é Six Sigma?

O Six Sigma, ou seis sigma, é uma metodologia voltada à melhoria da qualidade, com foco na redução de variações e defeitos nos processos. Ela surgiu na Motorola, nos anos 1980, e se popularizou após ser adotada pela General Electric. Sua aplicação envolve o uso de dados e estatísticas para identificar falhas, entender suas causas e propor melhorias sustentáveis.

Diferente de abordagens mais intuitivas, o Six Sigma opera com base no rigor analítico. Seu objetivo é alcançar um nível de desempenho em que o processo gere, no máximo, 3,4 defeitos por milhão de oportunidades, o que corresponde a seis desvios-padrão entre a média e o limite de especificação mais próximo.

Por exemplo, isso poderia significar 3,4 lâmpadas quebradas em um milhão produzidas correspondendo um processo com 99,9997% livre de defeitos.

Qual a metodologia utilizada no Six Sigma?

A metodologia DMAIC — Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar — estrutura o ciclo de melhoria contínua no Six Sigma. Profissionais são treinados em diferentes níveis (White, Yellow, Green, Black e Master Black Belt) para liderar e executar projetos com base nesse roteiro.

Então o que é Lean?

O Lean (também conhecido como Lean Methods ou Lean Speed) é um conjunto de ferramentas desenvolvidas para reduzir o desperdício associado ao fluxo de materiais e informações em um processo do começo ao fim. O objetivo do Lean é identificar e eliminar etapas não essenciais e sem valor agregado no processo de negócios. O intuito final é simplificar a produção, melhorar a qualidade e conquistar a lealdade do cliente.

Métodos Lean podem ser empregados na estrutura DMAIC para aumentar as ferramentas Seis Sigma quando o foco do projeto é melhorar a velocidade e a eficiência do processo. Dessa forma, essa metodologia melhora a eficiência, reduz o desperdício e aumenta a produtividade. Os benefícios, portanto, são múltiplos: maior qualidade do produto, maior eficiência e melhor gestão de recursos.

Quer entender mais sobre a metodologia Lean? Com o nosso curso gratuito de Introdução ao Lean você entenderá mais sobre os conceitos e como aplicá-los.

Como tudo isso se tornou Lean Six Sigma?

O Lean Six Sigma, ou lean seis sigma, nasceu da necessidade de combinar velocidade com precisão. Empresas que aplicavam Lean percebiam que, embora eliminassem desperdícios, ainda lidavam com variabilidade nos processos. Já aquelas que usavam Six Sigma reduziam defeitos, mas com projetos muitas vezes lentos e complexos.

Nos anos 2000, essa integração se tornou prática comum em grandes organizações que buscavam entregar valor com consistência e agilidade. A junção dos dois métodos permitiu ampliar os resultados: reduzir tempo de ciclo, cortar custos, aumentar a satisfação do cliente e manter controle estatístico sobre o que realmente importa.

O Lean Six Sigma consolidou-se como uma estratégia robusta para resolver problemas crônicos de desempenho. Sua lógica é clara: remover o que não agrega valor e, ao mesmo tempo, estabilizar o que gera valor.

Essa união também exigiu a formação de profissionais com visão sistêmica, capazes de aplicar ferramentas estatísticas sem perder de vista o fluxo de valor — daí o surgimento dos cinturões (belts) com treinamentos padronizados.

O que e quais são os "belts"?

Um "belt" significa experiência. Em outras palavras, os praticantes recebem um título de "Belt" (faixa preta, faixa verde, faixa amarela) que corresponde ao nível de experiência. É uma ideia similar à da hierarquia em artes marciais, com cintos coloridos mais escuros indicando mais experiência (mais treinamento, mais conhecimento e habilidades).

Lean Six Sigma Black Belt

Lean Six Sigma Black Belt é o profissional responsável por liderar projetos de melhoria que exigem conhecimento técnico, visão analítica e capacidade de articulação com diferentes áreas da empresa. Seu foco está na aplicação de ferramentas estatísticas, nos princípios do Lean e na condução de times para alcançar metas de desempenho.

Além de liderar iniciativas, o Black Belt também participa do desenvolvimento interno da equipe, formando e acompanhando Green Belts e Yellow Belts em suas atividades.

A formação exige entre 140 e 180 horas de treinamento, com conteúdo voltado à análise de dados, experimentos planejados, gestão de projetos e tomada de decisão baseada em evidências. A FM2S possui o curso Black Belt reconhecido pelo The Council for Six Sigma Certification, com certificado válido internacionalmente.

Lean Six Sigma Green Belt

O Lean Six Sigma Green Belt possui conhecimento consistente na metodologia DMAIC e nos princípios Lean, com foco em análise de dados, mapeamento de processos e solução de problemas. Embora não domine ferramentas estatísticas mais avançadas, como DOE (Design of Experiments), é capaz de conduzir projetos de menor complexidade.

Pode atuar como líder em iniciativas locais ou como apoio técnico em projetos conduzidos por Black Belts, contribuindo na coleta de dados, análise de causas e implementação de soluções.

A formação costuma ter carga horária inferior a 100 horas, com ênfase em técnicas de resolução estruturada de problemas, estatística aplicada e trabalho em equipe. 

Lean Six Sigma Yellow Belt

O Lean Six Sigma Yellow Belt é treinado nos conceitos fundamentais da metodologia e nas ferramentas básicas utilizadas em projetos de melhoria. Seu papel, na maioria das vezes, está ligado à coleta de dados, participação em análises iniciais e apoio às equipes lideradas por Green ou Black Belts.

Empresas que adotam Lean Six Sigma podem designar como Yellow Belts os profissionais que participam de projetos, após um treinamento introdutório. A definição do conteúdo varia entre organizações. Em alguns casos, o foco está na compreensão da linguagem comum e de cada etapa do ciclo DMAIC. Em outros, o treinamento inclui o uso prático de ferramentas simples, como Pareto, Ishikawa e 5 Porquês.

A formação costuma ter entre 15 e 25 horas, sendo suficiente para que o Yellow Belt compreenda seu papel no processo e contribua com informações relevantes durante a execução dos projetos. A FM2S oferece o curso gratuito de Yellow Belt, não perca essa oportunidade!

Lean Six Sigma White Belt

A maioria dos White Belts são executivos ou funcionários que precisam conhecer os fundamentos básicos da melhoria de processos. Ou seja, utiliza-se o treinamento White Belt  para auxiliar o gerenciamento de mudança. Mas também se preocupa com a adesão cultural de profissionais que não usam as ferramentas, mas podem ser impactados por projetos.

E o que é Design for Six Sigma (DFSS)?

Lean Six Sigma atua sobre processos que já existem, tentando corrigir falhas e reduzir variações. Mas e quando o desafio é criar algo novo? Design for Six Sigma (DFSS) é uma abordagem usada para projetar produtos ou processos desde o início, com o objetivo de atingir o nível de qualidade esperado do Six Sigma.

Seu foco é atender aos requisitos do cliente (CTQs) antes mesmo da implementação. Ao projetar certo desde o começo, o DFSS busca entregar alta performance logo no lançamento, reduzindo retrabalho e custos futuros. O lema é acertar de primeira, não melhorar depois.

Quando o Lean se junta ao DFSS, a abordagem passa a ser chamada de DFLSS (Design for Lean Six Sigma). Nesse caso, as ferramentas de velocidade e eliminação de desperdícios do Lean são integradas ao rigor de projeto do Six Sigma. Muitas empresas já adotam essa combinação para criar soluções mais eficientes, enxutas e sustentáveis.

As 10 principais ferramentas do Lean Six Sigma

A aplicação integrada das técnicas do Lean e do Six Sigma permite identificar e eliminar desperdícios, reduzir variações e promover a melhoria contínua dos processos. Para alcançar esses objetivos, o Lean Six Sigma dispõe de um conjunto de ferramentas que auxiliam na análise, no diagnóstico e na resolução de problemas. Confira a seguir as principais:

1. 5S

Essa ferramenta organiza o ambiente de trabalho por meio de cinco etapas – Seiri (Senso de Utilização), Seiton (Senso de Ordenação), Seiso (Senso de Limpeza), Seiketsu (Senso de Padronização) e Shitsuke (Senso de Disciplina). O 5S contribui para a eliminação de desperdícios e cria um espaço mais produtivo e seguro.

2. Kaizen

Focada na melhoria contínua, a metodologia Kaizen propõe pequenas mudanças diárias que, acumuladas, geram grandes resultados. Essa abordagem incentiva a participação de todos os colaboradores na identificação de oportunidades de melhoria, consolidando uma cultura de eficiência e qualidade.

3. Mapeamento do Fluxo de Valor (VSM)

O VSM é uma ferramenta visual que mapeia todas as etapas de um processo, permitindo identificar atividades que não agregam valor e que podem ser eliminadas. Com essa visão, é possível reestruturar o fluxo de trabalho, tornando-o mais ágil e eficiente.

4. Diagrama de Espinha de Peixe (Ishikawa)

Utilizado para a análise de causa e efeito, esse diagrama auxilia na identificação e categorização dos fatores que influenciam a ocorrência de um problema. Ao apontar as causas raízes, a equipe consegue direcionar esforços para soluções mais efetivas.

5. Análise de Pareto

Baseada no princípio 80/20, essa técnica permite identificar quais problemas ou causas estão gerando a maior parte dos defeitos ou desperdícios. Dessa forma, as ações de melhoria podem ser priorizadas para ter um impacto mais significativo.

6. Ciclo DMAIC

Embora seja um framework, o DMAIC (Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar) reúne diversas ferramentas e técnicas que guiam os projetos de melhoria. Essa metodologia estruturada garante que as ações implementadas sejam sustentáveis e alinhadas aos objetivos estratégicos.

7. Controle Estatístico de Processos (CEP)

O CEP utiliza gráficos e métodos estatísticos para monitorar a performance dos processos e identificar variações que possam indicar desvios ou oportunidades de melhoria. Assim, é possível manter a estabilidade e a confiabilidade dos resultados.

8. FMEA (Análise dos Modos de Falha e Efeitos)

Com a FMEA, é possível identificar potenciais falhas em um processo ou produto e avaliar seus impactos. Essa ferramenta permite priorizar os riscos e implementar ações preventivas, evitando que problemas se concretizem e gerem custos desnecessários.

9. SIPOC

Essa ferramenta mapeia os principais elementos de um processo, destacando Fornecedores (Suppliers), Entradas (Inputs), Processo (Process), Saídas (Outputs) e Clientes (Customers). O SIPOC é útil nas fases iniciais de projetos Lean Six Sigma, oferecendo uma visão geral que ajuda a alinhar expectativas e compreender o escopo.

Ao organizar essas informações, fica mais fácil identificar onde estão os gargalos e quais fatores externos podem impactar os resultados. É uma base valiosa para a construção de fluxos mais eficientes e direcionamento das análises subsequentes.

10. Poka-Yoke

O Poka-Yoke, ou “à prova de erro”, é uma técnica do Lean que busca eliminar a possibilidade de falhas humanas nos processos. A ideia é implementar dispositivos ou métodos simples que previnam erros antes que eles ocorram ou que os detectem imediatamente.

Um exemplo é o conector USB, que só encaixa de um lado. No ambiente organizacional, o Poka-Yoke pode ser aplicado por meio de checklists, sensores ou ajustes no layout, evitando retrabalho e perdas. Essa abordagem fortalece a qualidade e a confiabilidade nas entregas, especialmente em processos repetitivos ou críticos.

A combinação dessas ferramentas proporciona uma abordagem robusta para otimizar processos, reduzir desperdícios e aumentar a qualidade dos produtos e serviços, consolidando os ganhos que o Lean Six Sigma pode oferecer às organizações.

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