A crise de 2021 e a recolocação profissional em 4 etapas

Recolocação Profissional
08 de janeiro de 2021
Última modificação: 22 de julho de 2021

Autor: Guilherme Mendes
Categorias: Blog, Carreira

A crise do novo coronavírus (COVID-19) não atingiu apenas a área da saúde, pois demissões em massa aconteceram nesse período e a preocupação pela recolocação profissional aumentou. Os setores econômicos do mundo inteiro estão sofrendo o maior choque desde a Segunda Guerra Mundial. Dessa forma, inicia-se uma reação em cadeia onde, na ponta dela, estão os trabalhadores, parte mais vulnerável dessa rede. Logo, começa uma nova jornada que pode ser curta, mas também pode ser longa.

Assim, foi crescente a suspensão/interrupção dos contratos de trabalho ou mesmo a redução das jornadas de trabalho. Assim sendo, muitas pessoas foram desligas de seus empregos, perdendo assim, a estabilidade financeira. Com a virada do ano e o fim dos programas do Benefício Emergencial (BEM) e  do Auxílio Emergencial Residual, muitos brasileiros se perguntam: “O que fazer agora?”

Neste sentido, trouxemos neste artigo como realizar sua recolocação profissional em 4 etapas:

1 – Revise seu orçamento

Ao ser desligado do emprego, o mais importante é manter a calma e tomar algumas decisões difíceis para alcançar a recolocação profissional. Assim, a primeira decisão deste tipo é a revisão do orçamento. Sei o quanto é complicado, mas precisamos fazer cortes para que as reservas financeiras não acabem rápido demais. Para isto, deixo aqui algumas dicas:

Liste todas as suas despesas recorrentes

Para facilitar esta tarefa, há inúmeros programas de computador e aplicativos que lhe ajudam nesta tarefa. Caso não os tenha, uma boa alternativa é utilizar o seu extrato bancário e do cartão de crédito. Deste modo, é fácil alimentar uma planilha Excel básica e localizar onde estão os maiores gastos. Uma boa ferramenta para lhe ajudar na economia é o Gráfico de Pareto;

Uma vez listados os gastos, questione-se sobre a possibilidade de eliminá-los

Aqui, coisas simples como aquisição de bens (roupas, bebidas, revistas e promoções compradas por impulso, podem ser facilmente cortados). Após mapear os gastos para aquisição de bens, volte-se para serviços que você contrata às vezes sem perceber, como diarista, salão de beleza, restaurantes, lavagem do veículo, tv a cabo, assinatura de sistemas, entre outros. Tais itens são custosos e eliminando estes gastos, não haverá impacto direto nos seus ativos.

Por último, verifique quais os financiamentos e “prestações” que está pagando.

Avalie se é melhor quitá-los ou até cancelá-los. Lembro-me de ter economizado bons recursos ao cancelar títulos de capitalização que o banco havia me vendido. Estas despesas financeiras pessoais são pouco contabilizadas e acabam refletindo uma série de gastos forçados.

Depois de cortar as despesas, você terá um horizonte maior para pensar. Se o custo mensal era de R$ 2.500,00, por meio destes cortes conseguirá reduzi-los para R$ 1.800,00 em média. É uma redução que permitirá estender sua tranquilidade por uns três meses, ao menos. E depois? O que fazer? Vamos aplicar o Kata da Melhoria para trabalhar o seu currículo.

2 – Revise o seu currículo para recolocação profissional

A primeira coisa é dar uma boa atualizada nele. Quando estou trabalhando, confesso que acabo por esquecer de mantê-lo atualizado. Por isto, depois de revisar seu planejamento financeiro, procure atualizar o CV. Analise-o por meio dos seguintes pontos:

  • Quais são os pontos principais?
  • Idiomas estrangeiros você domina ou tem conhecimento?
  • Formações específicas você possui? Quais especialidades você domina?
  • Experiência em uma atividade específica?
  • Cargos de destaque em empresas de grande prestígio?

Após listar estes pontos, conseguirá verificar se o seu currículo reflete o que você é hoje. Aproveite para conhecer o curso “Como estruturar um bom currículo” disponível na Assinatura FM2S. Deixamos abaixo uma videoaula do curso para você conferir!

Confira também:

3 – Avalie a fortaleza de suas competências

Com suas competências listadas, avalie o quão forte elas são, ou seja, quais competências você deverá destacar nas próximas entrevistas, pois são recursos valiosos. Para isto, sugerimos que se faça uma série de perguntas. Por exemplo, imagine que você tenha o recurso Formação Green Belt:

1. Lean Six Sigma é valioso para o empregador?

Sim, pois todas as organizações enfrentam desafios recorrentes e para alcançar seus resultados almejados, precisam de profissionais capacitados no método de resolução de problemas.

2. É raro?

A formação não, pois vários profissionais estão capacitando-se por meio de cursos Green Belts. Mas dominar o tema, é algo raro. Se conseguir mostrar suas competências por meio do relato de projetos que participou, certamente sairá na frente, pois muitos dos que entrevistei fazem o curso, mas meses depois não se recordam de mais nada. Além disto, uma grande gama se forma com professores mal preparados, afetando significativamente sua a qualidade do seu recurso no mercado.

apostila green belt

3. É difícil de imitar?

Para tornar-se um profissional Green Belt de destaque, você terá de dedicar-se bastante, mas há muitos meios de conseguir esta certificação atualmente. Com esforço e foco, é possível tornar-se Green Belt rapidamente.

4. É operacionalizável?

Pode ser que o emprego exija que você faça um projeto de melhoria complexo, e se não possuir conhecimento do método de melhoria e nem dos fundamentos estatísticos, não será operacionalizável.

Esta simples análise, demonstra que o domínio do Lean Six Sigma é um recurso profissional que ainda poderá alavancar sua recolocação, no contexto apresentado. Porém, conforme o tempo passa, ele está tornando-se quase um pré-requisito para conseguir uma vaga, semelhante ao que é o inglês hoje. Espera-se que no médio prazo, apenas Black Belt seja um diferencial para alavancar sua carreira.

Agora, aplique o mesmo questionário para suas demais competências e avalie-as. Caso não encontre nenhuma que atenda estas quatro características, não desanime. Isto é natural. E, currículo não registra alguns dos traços mais importantes no trabalho: vontade de aprender, resiliência, trabalho em equipe, senso de urgência, disciplina entre outras.

Para colocá-las em seu currículo, peça por recomendações e por indicações dos seus contatos próximos. 50% das vagas, segundo pesquisa do Gallup são preenchidas por meio de indicações e referências. Eu, sinto-me muito mais confortável contratando alguém que me fora recomendado, do que alguém apenas pelo currículo. Quando o currículo é bom e há uma carta de recomendação junto, melhor ainda. Como já mencionei estes assuntos em alguns blogs, deixo aqui os links.

4 – O lugar onde você quer estar/O cargo que deseja assumir

Depois do diagnóstico, devemos partir para pesquisarmos sobre a condição-alvo. Qual é a posição que você gostaria de se recolocar? É uma vaga de analista fiscal? Uma vaga de supervisor em Lean Manufacturing? Analista de melhoria de processos? Ou gerente de projetos?

“Depois e escolher a sua vaga desejada, procure pesquisar, por meio do LinkedIn, qual o perfil das pessoas que ocupam esta vaga nas empresas em que você gostaria de trabalhar.”

Isto é ótimo para ajudá-lo a traçar o cenário futuro. Não adianta, a meu ver, tentar encaixar suas competências no que aparecer. O ideal, é planejar onde você deseja estar. E quando estiver analisando o LinkedIn destes profissionais, procure responder as perguntas:

  • Quais são os pontos principais?
  • Os idiomas estrangeiros eles dominam?
  • Formações específicas eles cursaram?
  • As experiências acumuladas?
  • Como foram suas carreiras?

Em seguida, elabore uma planilha em que nas colunas você colocará suas competências e, nas linhas, as competências que precisa adquirir para conseguir a vaga que deseja. Por fim, identifique quais recursos são necessários aprimorar para aumentar suas chances de alcançar determinada vaga. E, crie um plano para melhorá-los.

Caso o maior problema que identificou é participar de projetos, procure resgatar alguns projetos e atualizá-los em seu CV. Se o problema é dominar algum assunto, estude-o e elabore apresentações (slideshare), vídeos, podcasts e artigos que irão deixar claro ao seu recrutador, que correu atrás para fechar aquele GAP.

Se é formação, há inúmeros cursos EAD grátis na internet que poderão ajudá-lo a alcançar a tão sonhada vaga. Caso disponha de recursos, pois os cortes orçamentários feitos irão lhe ajudar, faça um curso. E ao fazê-lo, seja um aluno de destaque, pois isto fará com que o seu professor o recomendo ou até o contrate.

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