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Empresarial e negócios

10/12/2025

Lego: a marca que transformou o jeito de brincar

O Lego começou a ser desenvolvido em 1932, quando Ole Kirk Christiansen, um carpinteiro da pequena cidade de Billund, na Dinamarca, passou a produzir brinquedos de madeira. 

A mudança de ofício veio em resposta à crise econômica da época, que reduziu a demanda por móveis. Para manter a empresa ativa, Christiansen decidiu fabricar objetos menores e acessíveis, voltados para o público infantil.

Os primeiros produtos tinham formas simples, eram caminhões, animais e casas. A fabricação era manual e o foco estava em oferecer brinquedos resistentes, reutilizáveis e que despertassem algum tipo de interação. 

Ainda não havia ali o conceito de blocos encaixáveis, mas já se via a intenção de criar brinquedos que não fossem descartados depois de pouco uso.

Essa transição, motivada por necessidade, acabou servindo de base para o modelo que a Lego viria a desenvolver nos anos seguintes.

O significado por trás do nome Lego

A marca foi batizada em 1934. "Lego" vem da expressão dinamarquesa “leg godt”, que significa “brinque bem”. A escolha do nome seguiu a lógica interna da empresa, curta, fácil de lembrar e ligada ao propósito do produto.

Anos depois, descobriu-se que “lego” também existe no latim, podendo ser traduzido como “eu junto” ou “eu coleto”. A coincidência nunca foi parte do planejamento, mas acabou reforçando a identidade do brinquedo.

Ao longo das décadas, a Lego manteve esse nome inalterado. Em um mercado onde mudanças de marca são comuns, essa continuidade ajudou a construir familiaridade com o público. O nome passou a ser reconhecido não apenas como uma marca, mas como sinônimo do próprio brinquedo de montar.

A escolha do plástico como virada de chave

Foi em 1947 que a empresa decidiu investir em moldagem por injeção de plástico, algo incomum na época. A escolha não agradou de imediato. 

O plástico era visto como material inferior à madeira. Ainda assim, a Lego apostou na novidade e introduziu os Automatic Binding Bricks, precursores dos blocos atuais.

Essa mudança permitiu uma padronização que a madeira não oferecia. As peças se encaixavam com precisão, e isso transformou a experiência de brincar. O produto ficou mais versátil e escalável. A resistência inicial ao material foi superada pela funcionalidade que ele oferecia.

A aposta no plástico não apenas viabilizou a produção em larga escala, como também criou a base para um sistema de construção reutilizável e expansível, algo que nenhuma outra marca havia feito com a mesma consistência até então.

Como o Lego se tornou um fenômeno mundial

Nas décadas seguintes à padronização das peças, a Lego deixou de ser apenas uma fabricante de brinquedos e passou a operar como uma marca global. 

Esse crescimento veio da combinação entre um sistema de montagem replicáveluma identidade visual forteuma série de decisões ligadas ao entretenimento e à cultura pop.

A seguir, vamos entender como essas escolhas consolidaram o Lego como referência mundial.

A padronização que criou um universo compatível

A peça atual da Lego, com encaixe por pinos e tubos, foi registrada em 1958. A partir daí, todo o sistema foi construído com base em um único padrão técnico. 

Isso permitiu que qualquer nova coleção fosse compatível com conjuntos antigos, o que eliminou a obsolescência comum no setor de brinquedos.

Esse padrão não se limitou à forma física das peças. Ele se transformou em uma lógica de produto que valorizava a continuidade, crianças podiam criar livremente, reaproveitar blocos de outras coleções e montar estruturas cada vez mais complexas. O resultado foi um universo interconectado, onde o novo não substitui o antigo.

O papel da cultura pop na expansão da marca

Nos anos 1990, a Lego enfrentou uma queda nas vendas e passou a buscar novas formas de se manter relevante. Uma das respostas veio por meio da cultura pop. 

A primeira grande parceria foi com a franquia Star Wars, em 1999. A ideia era unir o sistema de montagem da Lego a personagens e cenários conhecidos pelo público.

Essa união trouxe novos consumidores, inclusive adultos que haviam deixado de comprar brinquedos, mas mantinham vínculo afetivo com os filmes. 

A cultura pop funcionou como ponto de entrada para uma nova fase da empresa, que passou a equilibrar originalidade com reconhecimento.

Parcerias da Lego com franquias que marcaram gerações

A expansão global da Lego ganhou força a partir do momento em que a marca começou a associar seus blocos a universos já estabelecidos no entretenimento. Com isso, não apenas ampliou seu alcance, como também diversificou seu público. 

Essa estratégia aproximou diferentes gerações e transformou o Lego em algo que circula com naturalidade entre brinquedos, cultura pop e produtos de colecionador.

Lego e Harry Potter: bruxaria e nostalgia

A parceria com a saga Harry Potter começou no início dos anos 2000, pouco depois do sucesso com Star Wars. 

A série de livros e filmes já era um fenômeno, e a Lego traduziu esse universo em construções que permitiam recriar Hogwarts, Hogsmeade e cenas clássicas da história.

Os conjuntos uniam o sistema modular da marca com elementos reconhecíveis do enredo: o Chapéu Seletor, a sala de poções, o Expresso de Hogwarts. Isso fez com que a linha atingisse tanto o público infantil quanto os fãs adultos que cresceram com os livros.

Lego Minecraft: do digital para o físico

Com o crescimento de Minecraft entre crianças e adolescentes, a empresa encontrou um terreno fértil para inovação. A parceria formalizada em 2012 resultou em conjuntos que permitiam trazer para o mundo físico as estruturas feitas no ambiente virtual.

Foi uma união direta entre dois formatos de criação. Enquanto Minecraft oferece liberdade digital, o Lego oferece o toque físico. A marca conseguiu, assim, se manter presente entre novos públicos, mesmo em uma era dominada por telas.

Lego Stranger Things: entre blocos e mistério

Em 2019, a Lego lançou uma linha inspirada na série Stranger Things, da Netflix. O conjunto mais emblemático reproduzia a casa da família Byers em duas versões: o mundo “normal” e o “mundo invertido”. O projeto era voltado ao público adulto, com maior complexidade e foco em detalhes narrativos.

A estratégia aqui não era apenas vender um brinquedo, mas oferecer uma peça de colecionador, conectada a uma narrativa atual e com forte apelo nostálgico. A presença da série na plataforma de streaming garantiu visibilidade, e a Lego aproveitou o momento para reforçar sua atuação entre jovens adultos.

O modelo de negócios por trás do sucesso

Ao longo das últimas décadas, a Lego deixou de ser apenas uma fabricante de brinquedos e passou a operar como uma marca com estrutura multinacional. 

Esse crescimento sustentado não foi consequência de um único produto ou campanha de marketing, mas da forma como a empresa organizou seu modelo de negócios para manter relevância, escala e margem, mesmo em um setor que muda rápido e enfrenta concorrência constante.

A seguir, veja como isso foi possível.

Licenciamento, franquias e presença global

Grande parte do faturamento da Lego hoje vem de linhas licenciadas, como Star Wars, Harry Potter e Super Mario, acordos que ampliam o catálogo sem exigir criação do zero.

Essas parcerias garantem produtos com apelo imediato e atingem fãs que não necessariamente estavam interessados no sistema de blocos.

Ao mesmo tempo, a Lego reforçou sua presença em diferentes países com lojas próprias, parques temáticos (os Legolands) e canais de distribuição exclusivos. Em vez de apenas vender brinquedos, passou a oferecer experiências.

Essa estrutura permitiu que a empresa operasse com força local, mas com estratégia centralizada, mantendo padrão de qualidade e narrativa de marca.

A gestão da marca como ativo intangível

A Lego trata sua marca como parte central do negócio. Mais do que o produto físico, ela administra o valor simbólico que acumulou ao longo do tempo. O conceito de “construir brincando” está presente em tudo o que a empresa comunica, de campanhas publicitárias até parcerias com escolas.

Esse posicionamento consistente ajuda a manter a confiança do público. Mesmo com novas marcas disputando espaço, a Lego conserva um reconhecimento que vai além da peça: representa uma forma de brincar associada à criatividade, organização e permanência.

Para manter essa percepção, a empresa cuida de cada ponto de contato com o consumidor. Define como a marca deve ser apresentada, escolhe parceiros com base em alinhamento e evita movimentos que distorçam seu propósito.

Por que a Lego continua lucrando mesmo com a concorrência

O mercado de brinquedos é altamente competitivo e sensível a modismos. Mesmo assim, a Lego manteve crescimento estável. Isso acontece porque ela soube transformar produto em sistema, consumidor em comunidade e marca em plataforma.

A empresa também equilibra tradição e inovação. Mantém o formato básico das peças desde 1958, mas investe em robótica, realidade aumentada, plataformas de construção digital e novas licenças.

Enquanto concorrentes tentam capturar atenção com novidades passageiras, a empresa foca em continuidade, compatibilidade e experiência, três pilares que sustentam sua lucratividade, mesmo em momentos de instabilidade no setor.

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