A produção de uma vacina contra o novo coronavírus

Vacina coronavírus
26 de agosto de 2020
Última modificação: 26 de agosto de 2020

Autor: Guilherme Mendes
Categorias: Blog

Introdução

Os sintomas do novo coronavírus (COVID-19) já atingiram a todos de alguma forma. Há quem perdeu o emprego, ou teve jornadas de trabalho reduzidas e as empresas que conseguiram se manter no mercado, além reinventar as formas de se trabalhar se seguram, enquanto o Brasil caminha para a maior crise econômica de sua história. Depois da marca de 3,61 milhões de casos e 100 mil mortes por coronavírus no Brasil, a esperança por uma vacina fica ainda maior. Porém muito se tem falado a respeito dos insumos necessários para a fabricação desta. Neste artigo você vai conferir quais os problemas que o Brasil irá enfrentar na produção de uma vacina contra o novo coronavírus.

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Em um cenário delicado como o atual, a produção de uma vacina contra o novo coronavírus é uma grande esperança para o Brasil. Acontece que para que essa produção seja possível, muitos entraves terão de ser enfrentados, uma vez que o novo coronavírus expôs a fragilidade de diversos setores.

Economia

No setor econômico, as empresas que apostavam em superprodução utilizando grandes estoques estão pagando caro com a rescisão econômica. Neste sentido, metodologias como o Lean Manufacturing tem se mostrado cada vez mais importantes. A relação da produção puxada com a redução de desperdícios colaborou para que muitas empresas conseguissem sobreviver durante este difícil cenário econômico.

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Política

Do ponto de vista político, a instabilidade agrava ainda mais a pandemia. A falta de uma liderança que renuncie às diferenças de pensamentos e invista na ciência prejudica o estabelecimento de harmonia e união entre líderes para agir em uníssono no combate ao COVID-19.

Saúde

No entanto, o setor que mais sofreu com coronavírus no mundo inteiro foi a saúde. Em primeiro lugar devido à alta demanda de enfermos que esgotaram as capacidades de enfermarias, leitos clínicos e leitos de UTI. Em segundo lugar porque essa alta demanda exigiu muito das cadeias de suprimentos através da produção de equipamentos como respiradores – para auxiliar a manutenção dos pacientes durante o tratamento – EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e remédios de uso geral. Agora o foco caminha em direção da produção de uma vacina contra o novo coronavírus, mas quais são os entraves que devem ser superados para que isso seja possível?

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Por que não podemos ser otimistas com a produção da vacina?

A compra de ao menos 220 milhões de doses de duas vacinas contra o novo coronavírus em fase de teste pelo Brasil injetaram ânimo nos cidadãos durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. O que não vem à tona são as dificuldades que ainda estão por vir.

Adaptação de capacidade

As doses que já foram garantidas pelo Brasil ainda terão que passar pelo processo de envasamento. Assim, o primeiro grande entrave que o Brasil irá enfrentar no que diz respeito a vacina do novo coronavírus é a capacidade das fábricas, não somente quanto ao envase, porém ainda mais quanto sua produção.

A Fiocruz já anunciou que irá iniciar uma reforma nos seus laboratórios, ampliando sua capacidade para viabilizar a nova vacina. A empresa anunciou que já está trabalhando com sua capacidade máxima em função da produção de outras vacinas como a de rotavírus, febre amarela e sarampo, que aumentaram devido aos surtos recentes. Ao final da reforma, ela terá a capacidade de produzir 40 milhões de doses por mês da vacina de Oxford, sem que haja prejuízo em nenhum de seus outros projetos.

Outro laboratório que tem sido muito falado é o instituto Butantã, localizado em São Paulo. Neste caso, a adaptação da fábrica para o envase da vacina chinesa (Sinovac) é um pouco mais simples uma vez que sua produção utiliza uma tecnologia já dominada pelo instituto.

Matérias-primas

Diversos estudos em diferentes fases estão em andamento para provar a efetividade de uma vacina contra o novo coronavírus, mas o que acontece depois que a vacina for aprovada? Exatamente, problemas nas cadeias de suprimentos.

Bem como aconteceram com as máscaras, materiais hospitalares e remédios, as matérias primas necessárias para fabricar o princípio ativo da vacina serão os primeiros recursos a entrarem em falta no mercado devido a sua alta procura.

Além disso, existem outros insumos que são essenciais para que a vacina seja distribuída como os frascos, seringas e agulhas, que foram alvos de alertas por parte de uma associação de fabricantes de produtos hospitalares.

Transferência de Tecnologia

O Instituto Butantã firmou acordo para produção da vacina da gripe em 1999, porém ele só foi concluído em 2013 em detrimento da demora para a transferência e domínio de uma nova tecnologia. Do mesmo modo pode acontecer para a vacina da COVID-19. Seu processamento pode ser tão complexo quanto o desenvolvimento de sua matéria-prima. A promessa é que em 1 ano, tanto a Fiocruz quanto o Instituto Butantã já tenham o domínio de toda a tecnologia.

No caso da vacina chinesa Sinovac, ela utiliza uma tecnologia de vírus inativado, muito semelhante a outras vacinas produzidas pelo instituto Butantã, o que pode ser uma vantagem produtiva. Já a vacina de Oxford utiliza uma tecnologia inovadora jamais utilizada de forma comercial, o que pode representar um desafio maior.

Número de doses

Eis outro fator que agrava ainda mais toda a parte de insumos e matérias primas utilizadas no processo de produção. Nos resultados da vacina de Oxford concluíram que duas doses é o suficiente para a produção dos anticorpos contra o novo coronavírus. Mas quanto tempo irão durar esses anticorpos no organismo? Será necessário vacinar a população com qual frequência para garantir essa imunidade? Todas estas são questões a serem respondidas ao final dos testes clínicos e que influenciarão toda a cadeia produtiva da vacina.

Conclusão

Os entraves de capacidade, produção/fornecimento matérias primas e insumos, tempo de transferência de tecnologia e número de doses são classificados como gargalos previstos na produção de uma vacina contra o novo coronavírus. Gargalo é o recurso, equipamento ou centro de trabalho mais sobrecarregado. Ele é responsável pela etapa mais lenta do processo produtivo limitando a produção à capacidade ou velocidade do gargalo.

Se quiser saber mais sobre gargalos, acesse já:

O que é um Gargalo? Como eliminar gargalos dos processos?

Ou seja, mesmo que aprovada a produção da vacina hoje, teríamos ainda que lidar com esses gargalos, que por sua vez iriam atrasar a toda a produção. Portanto, saber como eliminá-los pode representar um grande avanço na corrida para produzir uma vacina contra o novo coronavírus. Essa análise e eliminação de gargalos é extremamente utilizada na linha Lean Seis Sigma e é abordada nos cursos de Lean, Black Belt e Green Belt.

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