Liderança Lean: O que é a Produção Lean? Realmente funciona?
Lean

08 de março de 2016

Última atualização: 25 de janeiro de 2023

Liderança Lean: O que é a Produção Lean? Realmente funciona?

A princípio, para falar sobre Liderança Lean é necessário relembrar que mudar uma cultura não tão fácil quanto instituir um programa de treinamento ou comunicação. Culturas evoluem lentamente, e conseguir transformá-las é algo que exige ainda mais tempo e paciência. A cultura da Toyota começou com seu fundador, Sakichi Toyoda, conhecido como o “rei dos inventores japoneses” e pai da revolução industrial japonesa.


No Japão, a cultura evoluiu com extrema naturalidade, graças à transmissão direta de conhecimentos de mestres para aprendizes. Ao globalizar-se, a empresa teve de se adaptar a culturas diferentes, contratando líderes com experiência em culturas de outras empresas. Houve, logicamente, altos e baixos, mas a cultura Toyota jamais deixou de investir pesadamente para desenvolver seu DNA.


Sua experiência no desenvolvimento da liderança Toyota nos EUA, seu maior mercado fora do Japão. Em alguns aspectos, esse foi o maior desafio até hoje enfrentado pela Toyota, em função das diferenças culturais existentes. Era o embate entre o forte coletivismo e o pensamento de longo prazo, típicos dos japoneses, e o individualismo radical e o pensamento de curto prazo reinantes entre os norte-americanos.



O que é produção Lean?


A “Produção Lean”, o sistema de gestão de processos derivado do Sistema Toyota de Produção (TPS), é hoje um movimento global, a exemplo do movimento pela qualidade total que tomou corpo na década de 80. O Seis Sigma, metodologia de qualidade derivada do gerenciamento pela qualidade total da Motorola e que ficou famosa pela GE, transformou-se em “Lean Seis Sigma”, inspirada pelo sucesso da Toyota.


Sendo assim, uma espécie de necessidade pelos conceitos e ferramentas para implementação do Lean tem impulsionado a venda de, milhões de livros centrados na Toyota e nos métodos Lean. Empresa de consultoria e entidades sem fins lucrativos realizam seminários sobre ferramentas para a eliminação do desperdício, um dos princípios-chave da filosofia STP/Lean.


Empresa do mundo todo ostentam os resultados que obtiveram com base em seus programas Lean. Mas, apesar de todos os projetos Lean implementados ao longo das últimas duas décadas, nenhuma empresa em qualquer setor industrial do mundo conseguiu atingir, em sua área de atuação, o mesmo nível de excelência operacional da Toyota.



E o que estaria faltando para que isto ocorra?


Cada organização possui um conjunto de processos aos quais recorre para oferecer a seus clientes um produto, informações ou serviços; quando conseguimos dar consistência a esses processos – isto é, reduzir a variabilidade e diminuir o tempo de entrega (lead time) -, conseguimos nos aproximar do ideal de dar aos clientes o que eles desejam, na quantidade que desejam e quando desejam. Assim, treinar alguns experts pelo Seis Sigma Lean para tirar proveito dessas ferramentas e acabar com a variabilidade e o desperdício que prolongam o tempo de entrega nos tornará bem-sucedidos, tanto para nossos clientes quanto para nossos negócios. O que poderia ser mais simples?


Infelizmente, décadas de tentativas mostram que esse método não funciona – não ao menos de uma forma sustentável no longo prazo. Medimos o processo e seus resultados com precisão, utilizando o Seis Sigma, e desenvolvemos uma solução ótima. Quando “enxugamos o processo”, mudamos para lotes menores, avançando passo a passo em conjunto e eliminando os maus passos, os principais indicadores de desempenho “enlouquecem”, mostrando melhorias que nunca imaginaríamos possíveis. É aí que chegam as más notícias.


À medida que o tempo passa, os processos parecem adquirir vida própria e degradam-se, com a variabilidade e o desperdício tornando a crescer. Como um mestre do Lean falou uma vez: “É como arrancar as ervas daninhas, mas deixar as raízes”.



Então, qual a solução na liderança?


Existem mesmo ferramentas de sustentabilidade? Precisamos recrutar ainda mais veteranos do Lean Seis Sigma e aumentar o treinamento nas primeiras etapas do processo? Será que precisamos de executivos seniores mais rígidos que estabeleçam metas agressivas e obriguem permanentemente os gerentes a produzir resultados, ou algo mais? Todos esses remédios já foram testados e funcionaram durante algum tempo, mas nenhum deles conseguiu produzir a excelência sustentada que desejamos.


Conclusão geral: a sustentabilidade das melhorias requer uma combinação de comprometimento pleno do primeiro escalão com uma cultura de melhoria contínua. Precisamos mudar a cultura para que deixe de ser aquela em que as pessoas limitam-se a cumprir suas funções para fazer seus resultados parecerem bons e passe a ter gente focada horizontalmente no cliente e na melhoria das correntes de valor que entregam valor por meio das diversas funções.


O Prêmio Shingo, foi concedido durante mais de uma década a fábricas que seguiam os princípios do Sistema Toyota, mas mais tarde, foi remodelado para agregar módulos de avaliação de liderança e cultura indispensáveis para conduzir essa estranha mistura que dá sustentação ao Lean. A mudança foi implementada depois que, ao acompanhar o desempenho de ganhadores anteriores do prêmio, constatou-se que poucas mantinham a excelência Lean que parecia evidente quando a comissão de avaliação original visitou suas fábricas.



Como as crianças nos dão lições sobre liderança?


No artigo de hoje, dia 12 de outubro, queria falar sobre a vontade de aprender e o sentimento que nada é impossível, tão comum nas crianças e tão em falta nos adultos. O objetivo dessas reflexões é nos ajudar a melhorar nossa capacidade de liderança.


Quando converso com uma criança, fico impressionado com a quantidade de perguntas que elas me fazem. Por que tenho que andar na cadeirinha,  escovar os dentes ou até mesmo por que o avião voa de cabeça para baixo? E por que ele voa? E por aí vai...


Depois, para dar uma pausa, pergunto: o que você quer ser quando crescer? Ninguém me responde que quer ser invejoso, encostado, preguiçoso ou aquele que conta os dias para se aposentar. O que eu ouço são crianças sonhando grande, dizendo-me que desejam ser astros de rock, astros de futebol, pilotos de corridas, grandes empresários ou fazendeiros e coisas do gênero. Quando ouço isto fico contente e me lembro da natureza linda do ser humano: a busca por aprendizado e transformação. Não podemos nos esquecer dessa característica uma vez que assumirmos posições de liderança.


Todos os projetos de melhoria que fiz e que a empresa teve ótimos resultados, tinham liderança com este espírito. Lembro-me de 600 mil que economizamos num único curso de Green Belt ou Black Belt. Estava lá ministrando o curso e ia começar a utilizar uma “fábrica virtual” para treinar os colaboradores. Quando comecei a explicar, o diretor, que também estava presente no treinamento falou: Por que utilizar a fabrica no computador se temos 200 milhões em máquinas lá embaixo? Por que aprendermos a ganhar um joguinho de computador se podemos resolver reclamações reais que recebemos de nossos clientes?



Liderança lean para resultados funciona?


Vamos colocar uma meta: economizarmos 500 mil reais com os projetos deste curso. Quando ouvi isto, adorei. Pela primeira vez, tinha encontrado um líder que gostava do desconhecido. E por isto, dividi os alunos em 4 grupos e começamos 8 projetos diferentes. A cada fase do DMAIC, fazíamos novas descobertas. Arrumamos a configuração das injetoras, aprendemos sobre os motivos que rasgavam os tecidos e até começamos a refazer o projeto de um produto. Foi muito bom.


Neste projeto, ficou claro o espírito jovem que os colaboradores possuíam. Ninguém ficou reclamando de que era impossível economizarmos 500 mil reais. Equipes excelentes são assim. Agora, se a equipe começar a pensar que a meta não é possível, que aprender coisas novas é chato e que pesquisar é maçante, melhor procurar outra profissão, pois deste jeito o resultado não virá.


Hoje, vendemos vários tipos de projetos, indo de desdobramento de kpis até a criação de Centros de Serviços Compartilhados, passando por projetos de redução de custos, capacitação de equipes de fábrica, serviços de resolução de problemas (issue resolution), implantação de programas de excelência como WCM, e diversos tipos de treinamentos. Apesar da diversidade, todos eles têm uma coisa em comum: se não houver este espírito desbravador, o resultado não vem.



Como a Liderança de projetos ajuda na crise?


Portanto, neste ano, escolha não viver a crise, não falar que prender é algo chato, não falar que a meta é impossível, não fazer planos de ação por fazer, não ficar culpar os outros. Escolha fazer a diferença. Nesta estrada de consultoria e projetos aprendemos uma coisa nova diariamente. Cada dia é um conhecimento diferente que precisamos desenvolver para batermos o resultado. A cada livro que tenho de ler para mergulhar num novo desafio, vem o frio na barriga, mas também a emoção de fazermos algo que ninguém fez ainda.


Portanto hoje, olhe para a criança que está por perto ou para a criança que você era e pergunte: o que você quer ser nos próximos 10 anos? Alguém que faz a diferença ou alguém que só reclama? Alguém que sonha grande ou alguém que quer sombra e água fresca? Decidiu? Então corra atrás. Boa sorte e conte conosco em que precisar.



O que mais podemos aprender com as crianças sobre liderança?


Viver um dia de cada vez


Esqueça o compromisso da próxima semana, suas contas, o deck do PowerPoint, aquele que seu chefe quer que você junte. Viva o momento e apenas se concentre no que você está fazendo agora. À medida que crescemos, aprendemos a viver mais e mais em nossos pensamentos, e cada vez menos no momento. Volte ao básico.



Tenha conceito zero de moda


Quando eu deixo meus sobrinhos se vestir, acabo na escola com Batman, Spider-Man ou Aquaman. Eles não se importam com quem está olhando para eles. São inconscientes dos sorrisos que eles promovem enquanto caminham pelo corredor à procura de cookies. Eles estão no seu próprio mundo, fazendo o que os faz felizes. Faça o mesmo. Apenas seja você.



Lembre-se de que a casa é onde o coração está


As crianças se preocupam menos com o que está acontecendo no mundo real e mais sobre o que está acontecendo em casa. Seja qual for a tempestade que você possa estar passando, sempre há algumas coisas que você pode agradecer: sua família, seus amigos, sua casa, seu riso, sua força.



Caminhada / corrida / bicicleta em todos os lugares


Eu realmente preciso falar sobre os benefícios da atividade física? Imagine que você não possui uma carteira de motorista e percorra da maneira antiga - com suas pernas, sua bicicleta ou mesmo seu skate. Não só o exercício dará um impulso à sua saúde mental, mas também o melhorará de muitas maneiras diferentes.



Priorize o tempo de reprodução


As crianças pequenas experimentam aprendizado por meio do jogo e das interações sociais. Isso os ajuda a crescer social, emocionalmente, criativamente, intelectualmente e espiritualmente. Estimula a comunicação, incentiva a investigação e promove a exploração. Mas à medida que envelhecemos, a vida muitas vezes entra no caminho, e ficamos presos no dia a dia. Não se esqueça de trabalhar duro, mas também jogar duro.



Olhe menos no seu calendário


Não estou dizendo que você deveria parar de aparecer para trabalhar, ou destruir suas almofadas de ombro dos anos 80. Mas, às vezes, é ótimo apenas parar de contar. Para um filho, um tempo limite de cinco minutos é uma eternidade, mas três horas na piscina voam. Dê-se mais liberdade para fazer o que quiser quando quiser fazê-lo.



Coma cereais no jantar


Às vezes (ou muitas vezes, no meu caso), voltamos do trabalho exausto e esgotado de energia. Então, de vez em quando, eu apenas despejo uma tigela de cereais, corte uma banana e ligue para isso um dia. Meu nutricionista não concordaria, mas meu nutricionista também não está preparado para fazer o meu jantar. Não precisa ser cereal. Só tem que ser fácil. Experimente uma lata de atum em uma cama de vegetais pré-cortados e faça o jantar em três minutos.



Imagine ser invencível


Crianças testam seus limites e assumem riscos diariamente. Eles são felizmente inconscientes das possíveis consequências. Mas à medida que nos tornamos mais conscientes dos perigos que o mundo abriga, a imprevisibilidade torna-se o nosso maior inimigo. Pegue esse novo trabalho que você tem medo. Vá falar com aquela linda garota ou cara que sorriu para você de longe. Você não pode vencê-los todos, mas como o jogador de hóquei Wayne Gretzky disse uma vez, você perdeu 100% dos tiros que você não deu.



Peça ajuda


Aprenda a reconhecer que você não é um super-herói. Em tempos difíceis, entre em contato com as pessoas ao seu redor. Você aprenderá que as pessoas muitas vezes querem ajudar. Eles simplesmente não sabem como. Um pequeno empurrão de você é muitas vezes tudo o que é preciso.



Faça cochilos


Tanto quanto você puder. Eles são gloriosos. Na verdade, se inventarmos máquinas do tempo, eu planejo voltar no tempo e me chutar por ter chegado com mil maneiras de evitar dormir como criança.



Pergunte tudo


Não regurgite tudo o que ouve na TV ou lê on-line. Faça perguntas, seja inquisitivo e faça sua própria opinião com base nas informações que você se agrupa. Não seja uma ovelha!



Não julgue as pessoas


Nós não nascemos com opiniões preconcebidas. Em vez de confiar no que você acha que conhece sobre as pessoas, aproveite a oportunidade para ampliar seus horizontes. Tome o bem, deixe o mal e continue!



Falha


Muito poucos de nós entendemos a primeira vez. A falha é um trampolim que leva à grandeza. Se tudo fosse fácil, o sucesso não seria tão doce.



Tire o tempo de espera


Antes de levantar-se pela manhã, demore algum tempo para se tornar introspectivo. Controle suas próprias necessidades, objetivos e prioridades para o dia. Ao fazer isso, você desloca sua atenção para a realização de todas as coisas que o capacitarão. Experimente por 30 dias, e você pode ficar agradavelmente surpreendido com a produtividade dos dias.



Dance como se todos estivessem assistindo!


Porque você é fabuloso e todos devem testemunhar sua grandeza!



E como desenvolver sua liderança?


Apesar de tudo isso, a Toyota conseguiu desenvolver suas lideranças e sua cultura na América, especialmente em suas fábricas de automóveis e demais veículos. Neste texto, Jeffrey Liker relata a importância da liderança nos projetos de melhoria, fato este, muitas vezes esquecidos. Abordados no White BeltGreen Belt e Black Belt, além do Lean do PMP.


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Virgilio F. M. dos Santos

Virgilio F. M. dos Santos

Sócio-fundador da FM2S, formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp (2006), com mestrado e doutorado na Engenharia de Processos de Fabricação na FEM/UNICAMP (2007 a 2013) e Master Black Belt pela UNICAMP (2011). Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da UNICAMP, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.